"Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé.
Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; Fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro"
Caio Fernando Abreu tava certo, como sempre, e setembro chegou.
Bom setembro para todos nós.
Talvez essa gata preta seja um helicóptero. Ela faz barulho de quem vai decolar.
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O mundo é bom. Existe chorizo da casa española. Amém.
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Que, aliás, deve ser contra lei nesse país grande e bobo (sim, eu roubo do Dr. Almeida Reis e acho que todos vocês deveriam roubar também). Se tem uma coisa que me comove nesse mundo é gente preocupada com a minha saúde. Assim sendo, preocupadíssimos com minha saúde, os órgãos competentes (perdoem a má palavra) deste imenso quintal, todos sob a batuta desse governo federal que tanto me ama, proibiram ovo de gema mole, molho pardo, doce de tacho (juro por deus), flor de sal, queijo de leite cru.
Além de comovida com a enorme preocupação, o carinho mesmo, que esse pessoal do governo tem por mim, aguardo ansiosa pelo dia em que o governinho proibirá o mequidônis. Ué. Num é macho? Num tá cuidando da saudinha nossa? Proibe a hellman's, quero ver. Proíbe, como diz a Carolzinha, "aquela coca-colinha benfazeja". Hahahaha.
É um bandifrouxo nesse país, benzô deus.
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Mexendo no manuscrito do trabalho novo. E-mail da Lígia pra lá, e-mail da Lígia pra cá. Choro feito uma pateta. E não consigo deixar de pensar quão horrorizada ela estaria com o que chamamos de "situação geral".
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Gata preta devidamente castrada. Aqui é assim. Bobeou, a gente pimba.
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Não é nem uma racionalização e nem um discurso vazio: as pessoas vão mesmo socializar, nos mais diferente níveis, com quem elas bem entenderem, achemos nós o que quisermos achar. É isso aí e ponto final, duela a quien duela. O que não me impede de, vez que outra, ficar tão cansada. Cansada a ponto de desisitir. Você nem briga com a cliatula, nem desbriga, nem odeia, nem cospe na risca, nem coisa alguma, você só desiste, porque esse caráter escorregadio vai-num-vai, cansa. É isso. Tem gente que me cansa. Daí eu desisto.
* [18:04:44] Thiago: Hj acordei querendo ser o Robbie Williams e com uma vontade louca de comer croquete [18:04:54] Thiago: vc tem dias q acorda assim tb? multi?
* [18:18:25] Thiago: Faaaaaaaaaaal, no treco aqui que eu traduzo "Não foi o Sr. X que fez — disse o Sr. X referindo-se, estranhamente, a si mesmo" [18:18:37] Thiago: declaro aqui meu amor incondicional pelo Sr. X [18:18:46] Thiago: agora ele é Tonho [18:19:09] Thiago: Não foi o Sr. X que fez, foi Rutinha [18:19:10] Fabia: a nossa vida é surreal
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** “Conto uma história bem conhecida, releio um poema célebre: estou apoiado a um muro, orelhas verdejantes, lábios calcinados”. Paul Eluard, monstro sagrado do surrealismo, um dos mais queridos da vida.
a gente não precisa que organizem nosso carnaval...
nós temos a Célia.
Tá pegando fogo na favela atrás da casa da Célia e ela está no meio da rua de vestido trapézio azul marinho, sandálias de salto e cabelo as panteras dando ordens pros PMs e pros bombeiros. O cara da defesa civil chegou, foi perguntar prum vizinho quem tava organizando, tipo, perguntando pelo comandante, coisa assim, e o vizinho apontou pra Célia. A Célia é demais, caras, e vcs ai perdendo tempo votando em DIlmas e Marinas. Célia pra imperadora, eu digo.
Erica querida, venha mesmo, por favor.
É mundo grande, fresco e lindo
(Mas Wilde estava tinindo,
o elenco é um terror)
É um mundo bom e colorido,
cheio de flocos de algodão
É um mundo escuro e abafado
Idiotas na contramão
Temos sombra, luz e fúria,
como disse uma cara aí
E fatos científicos, sem lamúria:
Lobisomem, mula-sem-cabeça e saci
Algumas pessoas serão agradáveis,
Algumas você irá odiar
Algumas músicas são adoráveis,
Outras, são de amargar
Tem coca-cola, jabuticaba,
Bach, Verissimos, Chico e Jobim
Tem canetinhas, tem limonada
E do Monsieur Poirot, um filmim
Tem tomates, ricota, alfajor
A cor roxa, caderno novo, cachorrinhos
Melville, cheiro de gasolina, amor
e uma porção de gatinhos
Chore no banho, cometa poemas
Crie um peixinho, aprenda balé
Fuja com o circo, colecione problemas
(nunca beije tocadores de oboé)
Você vai ver coisas incríveis
Vai realizar tanto, vai ser capaz de amar
Vai ver pores do sol, chuvas terríveis
E por favor, aprenda a cantar
Dores vão paralisá-la, meu coração
Mas você vai aprender a lidar com isso
Algumas alegrias vão cortar sua respiração
(cuidado com amores alérgicos a compromisso)
Brinque, transgrida, estude,
Use chapéus engraçados e um brinco no nariz
Quando for necessário, mude
Outros caminhos, nova diretriz
Um dia, farta de tudo
E do mundo ser como é
Pegue o VISA do papai sortudo
e vá a Xangai, só pra ver qualé
Sinta frio de repente
Sinta saudade apertada
Vá perdendo o telefone
de quem ama uma hora marcada
E bem velhinha e grisalha,
dona de seu destino
tenha certezas enormes,
mantenha o medo pequenino
Veja as fotos antigas
Invente seu próprio passado
Faça a trilha das formigas
Arrume um novo namorado
Tenha um baú de tesouros
com fotos do Bobby Goren
Diga “Que homem formoso,
onde quer que seus ossos agora morem”
Pense em tudo que se foi
E dê-se conta num repente
“Tia Fal é quem tinha razão,
Não se fazem mais homens como antigamente.”
Jogava o Framengo, eu quiria escuitá, leitor fofo e querido. É isso aê.
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Minha mãe tem um lance esquisito com telefones tocando: ela atende. Meio da refeição, meio do filme, conversa, aflição pra fazer xixi, nada detem minha mãe ou a impede de, neuroticamente, tirar aquela porra do gancho e mandar um "Oláááá!" (sim, ela atende o telefone assim). Não passa pela cabeça dela deixar aquele treco tocar até derreter. Oh, não, jamais. Ela tem que atender, é mais forte que ela. Eu? Pufffff. Na grande maioria das vezes, nem sei onde o telefone tá. E não, nem me dou ao trabalho de olhar quem é no visorzim cagueta. Não quero atender. Quando eu tou ocupada, quando eu não tou ocupada, de noite, de dia, o fixo, o celular, o dos outros, no meio do trânsito, eu não quero atender. Nunca, ninguém. Não quero falar no telefone. Não quero falar. Simples assim.
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Fico profundamente constrangida com essas mulheres que usam O Amigo Gay como acessório. Sabe, O Amigo Gay? Como se aquela pessoa fosse uma bolsa, um lenço. Cansei de ver gente falando assim mesmo "o amigo gay", como se isso fosse um título ou uma instituição, um misto de ego auxiliar, secretário e acompanhante. Não é que o cara é gay e é seu amigo, da mesmíssima forma que ele poderia ser ou é corintiano, louro, gordo, magro, hetero, alemão. Não. Ele ser gay faz parte do folclore "ah, olha que exótico, eu crio um tucano, uma jaguatiruca e um Amigo Gay". Tenho pavor e me afasto dessa gente. E não entendo como é que um homem adulto se presta a um papel desses.
* Os classificados do Almeida Reis:
"Procura jovem senhora, modelo 40 e adjacências, mestra, doutora e pós-doutora em ciência da computação, preferencialmente atéia e não vegetariana, de qualquer etnia, para compromisso sério fadado a ser duradouro. Oferece: vaga solta na garagem, quarto e banheiro privativos, piscina com hidromassagem, pátio florido e TV led de 42 ou mais polegadas em salão separado, via Sky, além de roteador com 15 mega para laptop próprio ou Vaio emprestado. São desejáveis, se bem que não indispensáveis, conhecimentos mínimos das funções de cuidadora de idosos, arte culinária, lavagem (há máquina moderna) e passajar de roupas.
Principal ocupação: prestar assistência permanente a um computador que tem apresentado sinais de loucura. Cartas eletrônicas para o endereço desta coluna. "
Meninas, a hora é agora.
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Ai, meu Pai, manrátã-conéquixion só volta 29 de agosto. Eu nao mereço isso. Podiam reprisar os véios do Paulo Francis nas férias, não podiam?
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Mas eu deixo no canal deles, puro hábito. E sigo trabalhando, trabalhando, rola uma minissérie sobre a Callas e aquela falinha em italiano embala minha burrice, delícia. Té que num momento, eu vou ficando irritada. Não, não, o livro não piorou, não melhorou, nada. Por que, Deus Pai, eu estava trabalhando tão irritada? Olho pra cima (tou trabalhando no chão da sala, pra fazer companhia pra gatinha preta) e vejo a razão da irritação. A minissérie cabou e o pograma seguinte começou. Curuzes! Mudo rápido de canal.
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Sorvete sabor chiclé. Minha mãe tem o dom de descobrir essas cousas, chegou da rua com um balde desse trem.
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Marido de amiga de mãe foi levar Torresmo na caralha da inspeção veicular e arrebentou Torresmo. O lado todim do motorista parece papel amassado. É o universo dizendo "Falzão, tu tá com poco problema vou te arrumar o que fazer". Vai daí que eu pego o jipe de mamãe qd não há mais solução e trinco o sei lá eu o que do tornozelo nele. E se você quiser ouvir mais resmungos, leitor amigo, siga nossa programação.
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Eu recebo uns e-mails que vou lá e respondo co mór carinho da paróquia, só pra me sentir uma imbecil.
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Solidão de criar bicho, prezado leitor. De criar bicho.
¨¨ frase do véi T.S. Eliot "This is the way the world ends. Not with a bang but a whimper", que muito tem me feito sacudir a cabeça.
O meu amor por você permanece. A cada sim. A cada não. Principalmente a cada não. Quando eu me lembro do formato do seu nariz. Da suas mãos. Do cheiro do seu suor. Da sua imensa gargalhada. Da sua voz feita para cantar as tolices da tevê. O meu amor permanece, intacto, cuidado como se fosse uma coisinha de cristal. Ele está nas fotos do menino que você foi. No carinho com que você fala do meu pai. Nas sua capacidade de se reinventar que eu sempre adorei, apesar de me irritar, acho que porque sou incapaz de nascer uma nova criatura, e arrasto a velha eu desde que o samba é samba. Ele, o meu amor por você, está onde sempre esteve, “como Minas, como Minas”, diria você, rindo, rindo. Meu amor por você permanece. Ele está no mesmo lugar – por favor, me ouça – no mesmo lugar em que esteve, a vida toda, a vida toda. Ele nunca saiu dali. Não houve tufão, nem revolução, nem vereda equivocada (e meu Deus, querido, foram tantas, sou o resultado de todas as minhas escolhas ruins, das minhas muitas escolhas ruins) que movesse um milímetro o meu amor por você. O mesmo prumo, o mesmo eixo. Meu amor por você grita quando tomo coca-cola. Quando, sentada no capô do meu carro, fumo aquele cigarro da madrugada, antes de ir para a cama. Meu amor por você fala mil idiomas, mas não tem com quem praticar. Meu amor por você come danoninho com o dedo, e dói quando meu tornozelo dói. Meu amor por você permanece, intacto, limpo, puro, como naquela primeira manhã. Ele não foi tocado, nem pela luz, ele não foi remexido e revirado com as gavetas do meu coração, ele não pegou chuva na corridinha entre o ponto do ônibus e a entrada do metro. O meu amor por você segue, quase o mesmo, quase bem, quase sempre. Meu amor por você está estampado na camiseta de cada um que passou pela minha vida, nos pudins da Marli, nas galochas vermelhas que eu usava para pescar com meu pai, na gravação na qual a Mercedes Sosa diz que se tudo muda, que eu mude não é estranho. Mas ele, ah, ele não muda. Meu amor por você está congelado no tempo, como as fotos das nossas tias avós, como meu nariz quando ando o cachorro de madrugada, como se não houvesse amanhã. Meu amor por você sabe que não haverá.
(* de T.S. Eliot "You are the music while the music lasts.")
eu não trabalho caceta, eu fico vendo esses velhos e chorando. Inferno de Youtube. Foi a última. Do dia. Vai pro eito carpir, Falzão, deixa de ser descarada.
Fasten your seat belts it's going to be a bumpy night
Faltam 9 páginas preu alcançar a meta de hoje. E como hoje já é amanhã, vamos dizer que cabamos deentrar em zona de turbulência. Daqui té dia 1 de setembro.... (preencha a linha pontilhada com todas as metáforas de baixíssimo nível que você se lembrar).
¨¨ Chuto eu que é do All about Eve, aguardo humildemente pessoa mais culta me corrigir.
(hauhuauha, num deu nem 10 minutos, quem tem um Gui, tem tudo. É sim e ele deu té linque, coiso fofo da tia)
Ná Ozzetti cantando Itamar Assumpção é a definição mais exata de alguma coisa que eu não sei o que é. Tive um trabalho uma vez que me ensinou um monte de coisas e me deu boas, boas coisas também. Uma delas, foi poder conviver alguns dias, com o Itamar Assumpção. Eu fiquei tão.... eu ia todos os dias pro trabalho achando que ia morrer. Eu prendia o cabelo na frente do espelho pensando "Acho que hoje eu vou morrer", de tão fraca, de tão nada que me sentia. O cabelo dele tava quase todo branco e eu olhava praquele cabelo e sumia. Era como se eu não existisse. Foi durante esses dias que entendi essa expressão que desde então uso tanto "andar sobre flocos de algodão". Foram dias em que eu não existi, nada existiu e eu não sei bem como saiu show dele nas noites lá do meu trabalho. Graças a mim é que não foi, porque eu não conseguia fazer nada, nada. Eu só respirava perto dele e a única coisa que conseguia pensar era "Eu estou perto do Itamar Assumpção. Ele falou comigo. Ele pediu água. Eu vou buscar água. O copo. Copo. Ele passou o som. Ele vai tirar uma soneca. O Claudião quer uma peça pra luz do show. Eu não sei que peça é. Eu não sei onde está o talão de cheques e o Claudião quer ir comprar a peça já. Ele falou comigo de novo, esqueci quem é o Claudião e quanto custa a peça. Ele está trocando as cordas do violão. Ele tem mesmo a voz mais linda do mundo, ele pede água e parece que está decretando a fundação de um novo país. Óculos. Dentes. A filha dele chegou. Ele falou comigo. Meu deus, não sei o que ele falou comigo. Sacuda a cabeça, Fabia. Isso. Finja que entendeu. Balance a cabeça de novo. Vá buscar mais água." Hoje penso que ele deve ter adorado o Piccollo empregar pessoas com problemas, ele deve ter pensado "que lindo esse programa de dar trabalho para pessoas com atraso mental, é preciso valorizar os deficientes". Foram dias em que eu sumi, não fiz nada, não pensei nada, fui incapaz de verbalizar meu amor profundo, de pedir autógrafo, de tocar nele, de dizer como ele era tão importante para mim, de como a vida tinha outra dimensão por causa da arte dele, de como meu olhar era novo e outro por causa das coisas que ele mostrava, de fazer qualquer coisa que não fosse andar para lá e para cá com cara de abobada. E ir buscar água.
ps: conheci o Wandy nesse trampo também, e as mesmas cenas de profunda idiotia se repetiram. Sou caso perdido pro mundo dos ricos e famosos, isso sim.
Há tradutores que fazem TUDO. São tradutores de algum outro idioma, mas
traduzem do espanhol porque é parecido com o português. Traduzem do
português para algum idioma estrangeiro só porque um diploma diz que
aprenderam esse idioma. Ousam traduzir vídeo para legendagem (ou até
para dublagem!) só porque lhes deram o script. E por mais capacitados
que sejam em certa(s) área(s) da tradução, entram para a multidão de
amadores e aspirantes quando invadem outra(s) área(s) sem contarem com o
devido preparo.
Minha conclusão, depois de tantos anos de tradução profissional, é que
uma parte importante do profissionalismo está em saber (e ter a coragem
de) dizer NÃO SEI FAZER ISSO, NÃO FAÇO, procure alguém especializado.
Alguns clientes não acreditam, outros não aceitam, mas é preciso fincar
o pé.
É claro que isso não significa fechar as portas para a possibilidade de
aprender. Mas é preciso ter uma noção realista da própria capacidade, e
atualizá-la constantemente. É claro que "não sabemos o que não sabemos",
mas é falta de profissionalismo descobrir o que não se sabe às custas do
cliente.
Fabia Vitiello de Azevedo, você é uma panaca.
* Ah, oia eu!
*
A todos os que, gentil e delicadamente perguntaram, querido corpo continua na revorta, dormindo pouco, querendo rua. Vai prum colégio militar.
*
Como uma senhorinha de quase quarenta anos pode estar perdidamente viciada em lip balm, pergunto eu e respondo eu mesma: não sei. Mas estou viciada terminal. Eu sou uma tranqueira.
*
Cabei mais uma biografia do Antônio Maria. A Danuza Leão tem toda razão, há um charme em vocês jornalistas, meninos e meninas. Vocês são... encantadores. Chama "Um homem chamado Maria", eu já havia lido, mas estava tão mauzinha quando li da primeira vez, que não contou. Reli, apaixonada.
*
Então, a bagunça do gás de rua no Solar Tolosa, néam? Estamos no seguinte ponto: os moços vieram e consertaram nossa calçada. 'Mas Fal,' pessoa racional e equilibrada como você, perguntará, 'finalmente instalaram o gás onde faltava, máquina de secar, torneira da cozinha e chuveiro?'. 'Nao, não, não', direi eu. Ou seja vão quebrar a calçada traveiz. Ah, as muitas emoções da minha vida.
*
Entendam, isso não é jabá. Não sou paga pra falar disso. O nome disso, portanto, não é jabá. É sonho de consumo. Mais um motivo pra tudimnóis ir morar em Curibita. OBA delivery.
* Durante o trabalho
@nessalemes: As pessoas estão mais malucas ou eu que passei a prestar mais atenção?
# [14:04:39] Thiago Medeiros: me convidaram prum site de relacionamento de perguntas e respostas... era o q me faltava pro porvo oficialmente se sentir à vontade pra invadir minha vida
# [7/7/2010 21:50:11] Fabia Vitiello de Azevedo: penetrando no cap 39
sil de deus
tou no pau
o trem aqui num faz sentido
ou eu tou doidona de chá de hortela [7/7/2010 21:51:53] Silvana Ferrari: hahahahah!!
amor, se chá de hortelã deixasse a gente doidona, eu plantava
* [10/7/2010 17:25:04] Fabia Vitiello de Azevedo: formata essa merda, por favor?
e aproveita e lê, qd der, a parte dela falando de fio e marido
pelo que eu entendi, sil
só vira escritora boa e de sucesso quem é casada e tem fio, viu?
todas sao felicissimas
casadissimas
e cheias de filhos
eu tou no sal, sil, no sal [10/7/2010 17:26:44] Silvana Ferrari: Fal, o mundo só tem lugar pra quem é feliz
* [15:16:49] maria.carolina.marzagao.jimenez: meu marido e eu incorporamos um dialogo seu e do Alexandre no nosso cotidiano
agora cada um que faz um treco meio non sense o outro fala assim
" vc vai trazer pão de queijo pra mim?"
e ou outro responde
" eu nem sei se eu volto"
fica a brecha ´pra cobrança de royalties hohohohohoho
Ela é preta, tem só uma manchinha branca no peito, tem olhinhos amarelos, deve ter uns 6 meses e entrou na garagem, berrando por comida e atenção, ontem de noite. Minha mãe, que graças a deus de-tes-ta gatos, deu água, comida, leite morno e ficou balançando ela no colo e dizendo 'coitinha coitadinha nao tem mamae coitadinha'. A gata faz o estilo "vcs tem que me amar pq eu decidi assim", mexe em tudo da sala, exige colo, trepa na cabeça da gente, tenta mamar nas almofadas, aprendeu no ato onde fazer seu cocozinho (gatos são imbatíveis nesse particular), e na hora que a gente foi dormir começou a chorar chorar chorar, então nós cantamos aiaiaaaaai isaaaaura, hoje eu não posso ficar e o nome dela ficou esse mess.
Ela dormiu na cozinha, se deu bem com gata velha e Baco.
Hoje de manhã, descobri que ela ama pastel de ontem e suco de laranja. E bebeu café com leite da minha caneca, que tomaticamente virou a caneca dela, claro.
A bicha é uma draga.
Ela joga as coisas no chão, mastiga a cabeça de joaninha do meu chaveiro e come meu cabelo. Ainda não aprendeu a não pisar no lepistópis, mas a esperança habita meu coração.
Isaura. Esperemos que ela queira ficar. Fotos assim que eu comprar pilha pra máquina.
Querido corpo:
Oi querido. Boa noite. Quer dizer, bom dia.
Querido corpo, escrevo para dizer que eu sei, querido. Sei que foram semanas de tensão infernal. E sei que outra maratona está prestes a começar. Mas queridíssimo corpo, você precisa dormir. Você entende? Você já passou dos vinte, querido corpo. Sejamos francos, faz séculos que você passou até mesmo dos trinta. Meu bem, você precisa dormir. Por favor, tente entrar em acordo com a nossa também querida amiga mente, sim? Peço que você fale com ela, porque de nossa querida amiga mente eu já desisti. Fale com ela, explique que vocês já não são mais crianças e que, portanto, dormir hora e meia, duas horas, há tantos dias, não é certo. Não é justo comigo, querido corpo.
Por favor, o que passou, passou. E antes que nova onda inacreditável de trabalho nos derrube da prancha, vamos dormir um pouquinho, nós três, juntos, agarradinhos a Baco e aos gatinhos, na nossa coberta de peixinhos, sim?
Obrigada, querido corpo. Agora apague a luz e venha para a cama.
Uma grande perda não tem graça nenhuma. Numa grande, enorme, abissal perda, não há encantos, filosofia ou espaço para manobra. Uma grande perda não dignifica, não nos torna maiores, mais atilados, nem bondosos de coração, não garante mais gentilezas ou cafunés dos que os que receberíamos não fosse a grande perda tão grande (acredite, eu sei do que falo). Não há nada de belo, de romântico, de etrusco, de francês-dos-anos-vinte, de vitoriano, de romano, de renascentista numa grande perda. Não, sexo-afetuoso-consolador-vem-cá-meu-bem-que-tudo-vai-melhorar não é uma opção. Não há nada de belo numa grande perda, numa perda enorme, numa perda abissal. Não, nós não saímos do outro lado do túnel pessoas melhores. Não, não. E nem mais sábios, mais felizes, mais inteligentes, mais descolados. Não. Uma grande perda, uma perda enorme, uma perda abissal só vai nos tornar mais frágeis. Nossa pele fica mais fina, nossos olhos maiores, nossa voz mais grave (o que no meu caso significa dizer que há dias em que me pareço com um travesti-fumante-com-a-garganta-inflamada e quando atendo o telefone, o interlocutor pergunta "o senhor é o dono da casa?"). Depois de uma grande perda, a música tema do Parque dos Dinossauros vai nos arrancar lágrimas e soluços. Uma grande perda, uma perda enorme, uma perda abissal, leva parte, boa parte, da nossa capacidade de amar. De acreditar. De esperar. E de negociar, principalmente. Uma grande perda nos torna irascíveis, amargos, impacientes, uns cretinos. No meu caso, mais cretina. A grande perda, a perda gigantesca, a perda definitiva levará nossos cabelos. Nossas vaidades. Nossa coleção de copinhos de saquê. Nossos livros de receita e nossas meias coloridas. Levará nosso melhor sorriso, nossos parcos talentos e um pedação da nossa capacidade de nos surpreender – para o bem e para o mal. Uma grande perda, uma perda importante, uma perda de verdade, tira parte vital da nossa capacidade de indignação. Da nossa capacidade de brincar com quebra-cabeças, de ver filmes sobre doenças terminais, de ler livros sobre coisas horrorosas. leva parte importante também de nossa vontade de viver, do valor que damos para as coisas – e eu não estou falando do time, do i-pod e do batom da MAC. Não, depois de uma grande perda você não andará por aí louvando o sol e as margaridinhas. Quem faz isso não perdeu o maior e o mais importante, creia. Uma grande perda nos castra, cala, mutila e anula. Não há volta para as grandes perdas, as perdas enormes, as perdas abissais. Não há volta e por isso, só por isso, seguimos em frente. Uma grande perda avacalha nosso esquema, estraçalha nossos planos, esmigalha nosso fígado e bota um certo tremor em nossas mãos. A única coisa que talvez advenha de uma grande perda, e que talvez seja aproveitável - note, eu não disse 'boa', 'positiva', 'bacana', e nem nenhuma babaquice dessas, eu disse aproveitável; e note, também, que eu usei dois ‘talvez’ – sobre uma grande perda, é que ela nos dá a exata dimensão do que é e do que não é. De modos que no meio duma belíssima crise, depois do mais surreal dos diálogos, você e eu, que já sofremos uma grande perda, uma perda enorme, uma perda abissal, paramos de chorar e vamos pendurar roupa e ligar para a veterinária vir vacinar o cão: nós já perdemos mais, já perdemos melhores, já perdemos o que importa. Foda-se.
(¨¨ é Adoniran, é Adoniran e H. Cordovil, Prova de Carinho. A não ser que o Cipriano venha aqui e diga que eu, para variar, falei besteira)