Uia, a companheira Márcia tá montando uma escola de inglês em Itatiba e me contratou por cinco semanas pra dar uma acessoria. De modos que se eu der uma sumida, é trabáio, trabááááááio, não falta de amor.
Venham cá. Sou só eu, ou tá todo mundo sem conseguir entrar no blog da Cláudia (Afrodite) e no site da usinadosom??
***
Como prometido, uia as correções da Vera no livro novo.
Fabia-Um mini-suicídio
Vera- Um microssuicídio (microssuicídio, por analogia com microssulco)
Fabia- e minha prateleira anti-gatos
Vera- e minha prateleira antigatos (não é a mesma coisa que anti-gatos, mas é o certo)
Fabia- Quem sabe o fulano, tomando no cu, (VERA, TEM VIRGULA AQUI? )
Vera- Com certeza, “tomando no cu” fica melhor entre vírgulas
Fabia- Podia-se cortar a tensão com a faca do peru. Que...
Vera - Bota "a qual" (se ficar “que”, a gente pode atribuí-lo ao peru)
Fabia-Um mundo com pessoas como ela...
Vera-você não tem medo do “como ela”?
Fabia- ... não poderia ser tão mal assim.
Vera- é “mal”mesmo que você quer? Ou "mau"?
Fabia- não sei se ex tem que ser grafado em itálico
Vera- não, querida. Quando estiver sozinho, coloca um tracinho depois
Fabia- EU NÃO SEI BOTAR TREMA, VERINHA.
Vera- Ah, minha flor, isso é irrelevante
Fabia- meias-calças (VERA EU NÃO SEI FAZER O PLURAL.).
Vera- Sabe, sim, vc e o Aurélio concordam que é meias-calças.
Isso tudo sem contar que ela corrigiu um verbo que, ligado a certo nome, foi o mais lamentável ato falho que eu eu já fiz.
Vera, sua paciência com os analfabetos é um exemplo pras futuras gerações
***
Mais um cigarro, mais um chocolate, mais uma caneca de café-com-leite, mas uma unha roída, mais um susto, mais um telefonema. Não , isso nunca vai ter fim
O Alexandre sonhou, de ontem pra hoje, que o Roberto Carlos aparecia num capítulo da novela das oito e dava um tiro na personagem da Susana Vieira. Fica aí a sugestão.
***
No meio da novela, aquela menininha que tem pesadelos, teve mais um. Acordou metade do prédio e mandou a mãe ligar pro Toni Piludo Erramos, prele ir lá imediatamente que ela queria falar com ele. E o Ale do meu lado:"Mas como filho de pobre é desagradável, não? Credo"
***
Filme bunitim ontem na Globo. No meio do filme o Alexandre dá um salto: "Eu já sei quem é essa atriz!! É aquela que no outro filme sai por aí dando o priquito e se transformando numa coisa horrorosa."
HOHOHOHOHOHO!!!
Fernanda, tem um seguinte: a gente vai ter que lançar o livro novo com os comentários da Vera. Vou botar uns trechos pra vcs aqui depois, tá de rolar de rir.
***
Devido ao sucesso do drops, mais algumas informações pra vcs usarem contra mim nos tribunais (caras, sabem que isso é verdad, né? na ora H, nego usa TUDO contra vc, tudo mesmo. como tem gente nojenta nesse mundo)
Vestido de material sintétido e laço nas costas? Como minha senhora, se eu tenho algum? Váááááááários, das mais diferentes cores. Inacreditável. Mas acredite, yo tengo.
Vestido de camponesa medieval, com atracadores nos peitchos e tudo? Vááááááááários. Senhores, é fato. Um mais fofo que o outro.
Blusas estampadas? Dúzias, de flor, de bicho, com manga transparente, coisa de loco.
E, Nina e Lili, preparem-se...vou virar a tia favorita de vcs: EU TENHO 4 CAPAS (ou casacos?) COR-DE-ROSA!!!!!!!! SIm, sim, sim. Não, não, não. Ah, e uma roxo cardeal.
Depois eu me pergunto pq eu tenho tão poucos amigos?? Craro, pq o povo não gosta de ser visto comigo na rua, hohohohohohhoho!!!
-Posso dormir com você?
-Não, você tem sua cama nova.
-Ela é fria.
-Leva meu edredon
-Só se você for junto..
-Não, você precisa aprender a dormir só.
-E se eu não aprender?
-Aprende.
-E se eu nunca ficar velho, nunca crescer? "
"Ah, esses livros que nos vêm às mãos, na Biblioteca Pública e que nos enchem os dedos de poeira. Não reclames, não. A poeira das bibliotecas é a verdadeira poeira dos séculos."
Caríssimo consulente. Você tem uma blusa marrom de bolinhas brancas? Rá, eu tenho duas, veja você.
Venha comigo dar um bordejo no fundo do ... (tãnãnãn...) GUARDA-ROUPAS DO CAOS
Na verdade, são três. Tem roupa minha espalhada em três guarda-roupas deste solar residencial. Muita roupa? Não, amigo consulente, muito bagulho. Muita tráia. E muita esperança, dum dia caber em tudo.
Vejamos. Camisão roxo-cardeal, em cetim? Tenho, e com uma saia combinando.
Camisa xadrez de azulão com amarelão? tenho, e cabe, uso muito. Se eu sou dançarina profissional de quadrilha? Não, não.
E o mais engraçado (ou trágico): eu entendo de moda. Muito, muito. Não só do que tá na moda, de moda em si, História (com h maiúsculo), principais nomes, tendências, nome disso e daquilo, tecidos, preços, tudim. Eu estudei essa porra anos e anos. Mas pros outros. Pra mim, é essa disgrama.
Como? Calça de veludo? Duas. Uma bege e uma vermelha.
uia, tou descobrindo um monte de gente legal! Fora que essa menina, a Anita, tem uma reza deliciosa:
"Ai, minha nossa senhora da adolescência, livrai-nos de toda a babaquice. "
Completando a historinha da Anna sobre visitas matutinas, me escreve a dona Nanda. Agora vcs me digam, se com um povo doido desses lendo esse blog, isso aqui tem salvação
"Agora sobre o post das testemunhas de Jeová, comigo aconteceu o seguinte: todo domingo às 8:00 da manhã (pode!) tocava a porra da campanhia da minha casa, eu e minha irmã ficávamos naquela: vai vc! Não vai vc! Até que uma de nós íamos, E era quem...quuemm.....quemmm...os tais testemunhas. E sempre éramos educadas com eles, mas sempre dizíamos não obrigado estou muuuuuuuiiiiito ocupada. Até que um belo dia minha irmã se encheu! Domingo de manhã toca a campanhia, minha irmã pula da cama, abre o armário pega um monte de guias bota no pescoço, põem uma saiona e uma bata e sai correndo, eu lóooooooooooogico que fui atrás. Minha irmã abre o portão e manda: - Missi fia tô ocupada, mas se quiser tomar um passe é só entrar! A mulher ficou tão atordoada que saiu correndo! Hahaha! Nunca mais tocou campanhia nenhuma na nossa rua! Essa minha irmã não existe! É uma louca varrida, mas salvou a pátria!
Você aí. É. Vc mesma. Vc, que faz cara de empadinha quando seu filho judia do gato, passa pelo porteiro sem dizer bom dia e chama a empregada de "Coisa" É, vc aí, que vira o rosto quando ele xinga a vizinha de gorda, qd ele joga papel no chão, qd ele bate no menino no parquinho. Vc mesma. Quem vc acha que vai educar seu filho? As fadinhas? Vai lá ler o que a ju escreveu, e cubra a cabeça de cinzas de vergonha e arrependimento.
E agora, José? A facul acabou, vc tá aí, sem trampo, sem filho, sem livro, sem ng querendo pagar pra ler suas bobagens, sem porra nenhuma pra fazer. E agora, filha da mãe?
Sinto tanta saudade de morar com meu irmão na hora do café da manhã... ele é divertido de tomar café junto. É bom morar com ele. Não é maluco isso? Vc passa a sua vida todinha morando com uma pessoa, e duma hora pra outra a vida vem e diz:"Pumba, vc cresceu. Vc não pode mais morar com seu irmão." Odeio essa bagaça dele ter mudado pro Rio de Janeiro. Odeio, odeio, odeio. Odeio mesmo, de verdade. É o fim da picada isso.
***
Uia, rebotei uns linques sumidos aí, no último desastre natural do Drops. Se vc inda num tá, me diz, por favor, tenha pena duma véia esclerosada que não lembra de todo mundo. Manda um mail. Faça como milhares de deslincados fizeram e manda um mail.
Falei ao (ao? no?) telefone com minha amiga Aline, com quem eu não falava há mais de dez anos. Ela riu e me perguntou se eu lembrava que, garotas, suspirávamos nos perguntando com quem aqueles intelectuais gordinhos, morenos, sérios e de óculos namoravam. Eu ri e disse que agora eu sei.
Todo mundo no livro de visitas AGORA me explicando o que era aquele bando de criancinhas, no intervalo da novela, cantado que um tapinha não dói. AGORA. E depois vcs são contra pena de morte. vcs acham que esses publicitários têm recuperação? E os pais dessas crianças?
Falemos do amor. Amor é assim: a gente vai lá e ama. Ama, tendeu? Nem sempre a gente concorda. Nem sempre a gente comunga da mesmíssima hóstia (e eu que nem sei se hóstia é com h, minha ignorância não conhece limites). Mas a gente ama, e se comove e, nesse nosso estranho e nem por isso menos delicioso reino virtual, sonha acordado com o que o outro diz.
Não, eu não vou fazer sentido não.
Parada Gay na TV. Aquelas drags lindas, montadíssimas, de mãos dadas com as mãezinhas, umas velhinhas fofas de cabelinhos brancos. Minha mãe vira pra mim e manda:
- Minha filha, eu adoro o seu irmão irmão, você sabe. Mas felicidade mesmo é ser mãe de viado. Olha que glória!
Meu, interrompo meu silêncio pra contar que no SPTV de hoje, a doida-da-Marta perdeu a linha com o coitado do Chico Pinheiro e mandou ele ir ser prefeito se ele acha que é tão fácil pq ele só sabe cobrar.
Sensacional, torcida brasileira!!!
Sorriam, cariocas! Vc achavam que só a governadora de vcs era barraqueira?? E a nossa prefeita é o que? Tá arrependida de ter largado o santo do Eduardo por aquele hum, bem, rapaz (se eu declinar a profissão dele aqui, eu sou processada, Tia Funny? Eu não tenho mais dinheiro pra ser processada por rapariga nenhuma) franco-argentino, e desconta no Chiqinho, tão bonzinho. O feijão aqui em casa azedou, o ovo quebrou a gema, o arroz queimou, e, em vez de açúcar, eu botei formicida na limonada.
"– Quem é?
– Bom dia, somos Testemunhas de Jeová, podemos conversar um pouquinho com a senhora?
– Olha, obrigada, mas eu sou judia.
– Mas não tem problema, minha filha, todos têm salvação!"
A querida Anna, do Enfant volta a abrilhantar esse humilde cafofo.
****************
E Dona Bia do Roteiro Adaptado tamém, botando todo mundo pra dançar.
Papo sério: se seu linque sumiu durante a minha hecatombe doméstica, manda um e-mail pq a devastação foi grande.
Resposta: Homem casado, com mais de quarenta, que entra em chat para fazer sexo virtual. Sinceramente? Acho preferível ser traída ao vivo, pelo menos não é tão brega.
posted by marina w
Ontem indo pra Facul, botei meu cd favorito no carro e sai pela 23 de Maio dançando e cantando bem alto. Até que me dei conta: agora vivo num mundo sem o Itamar Assunção.
Que bosta.
E num foi que a mega-giu deu um jeito na bagaça??????
Prezado amigo consulente, se vc tinha linque aqui e o dito cujo sumiu, num foi falta de amor, na confusão que eu fiz no template alguns sumiram. Manda um mail que eu recoloco.
Escuta, so eu tou vendo esse trem sinistro? Meu, do cacete esse documentario... - independente de ser viagem, desse ou daquele animal não poder evoluir assim pq blablabla - o exercício, a sacacao de se pensar a respeito, porra, é demais, demais, demais. Nego partiu do seguinte: como vai ser a terra daqui ha 5, 100, 200 milhoes de anos? Quem vai morar aqui? hohoho!
FILHO DE SANTA MARIA
(Itamar Assunção - Paulo Leminski)
Hoje eu saí lá fora
Como se tudo já tivesse havido
Já tivesse havido a guerra
A festa
Já tivesse havido
E eu, e eu, e eu
Fosse puro espírito
Aqui tô eu pra te proteger
Dos perigos da noite, do dia
Sou fogo, sou terra, sou água, sou gente
Eu também sou filha de Santa Maria
Se dona Maria soubesse
Que o filho pecava e pecava tão lindo
Pegava o pecado e jogava de lado
E fazia da Terra uma estrela
Sorrindo
A Marininha la do Blowg pergunta: "DNA : A quem saiu o Carlinhos, aquele personagem ruivinho da novela das oito?"
Isso nao é nada, amiga. E a Regina Braga que tem olhao azul, casada com um carinha de olho azul (nao sei o nome daquele ator), tem uma filha de olho azul e um filho de OLHO CASTANHO!!!! Que diabo de recessivo é esse, gentem?? Ou eu nao sei mais fazer azao, azinho, ou a novela toda precisa ir la no Ratinho e fazer um DNA geral. Tem muita coisa mal explicada ai.
O Carlinhos citado pela Marina é ruivo, como a filha do Ze-Mayer-cara-de-anao. Essa menina, por sua vez, tem cara de bolacha traquinas, como o marido da cantineira Regina Braga. Enfim. Ha algo de podre no reino do Manuel Carlos.
Alexandre ficou até onze e fumaça ontem limopando esse computador dos infernos e arrumando tudo preu. Isso não é um marido, isso é um Bill Gates mais simpático.
Querida Giu!! Tenha um lindo aniversário, seja feliz, feliz, feliz, feliz, aqui, em Milão, na China, onde vc quiser, com quem vc quiser, sempre com o Pipinha. Eu amo você.
O menino foi expulso do colegio burgues onde estudava. Chego la agora de tarde e a mae vem me contar, histerica. Fui consolar, contando que o Jaguar foi expulso de sete colegios qd era guri, pra ela se acalmar e... ela me olhou com ar abobalhado e me fez repetir. Ela nao tinha a menor ideia de quem seria Jaguar.
E pra quem perguntar o que faz essa dileta senhora na vida, respondo: jornalista de importante revista de circulaçao nacional. Encerro meu caso.
Meus caros, nao me cobrem grandes e refrescantes drops. Dando sequencia a campanha EU AGASALHO - 2003, o carro preto foi pras picas e o computador revortou-se. E a imbecilidade humana, com a qual eu ja deveria estar mais que acostumada, nunca deixa de me chocar.
Enfim.
"Palavras não ditas, às vezes, têm um efeito bem mais profundo do que as pronunciadas -- seja para o bem, seja para o mal. Algumas têm o poder de reverberar continuamente nos ouvidos e mais, muito mais, no coração."
Roubei, e fiz muito bem em ter roubado, lá da Alê, do Muitas de mim. É isso aí, dearest. Era isso mesmo que eu queria dizer. (ela tá lá nos linques: muitas)
Olhem, venho por meio desta fazr minhas as palavras da Pipa: que bom que vcs existem. Vcs não têm a mais remota noção do que é ter vcs depois dumas tantas dores. Mesmo. nem sempre eu digo isso como deveria, com todas as letrinhas. Mas, meu Deus, que bom ter vcs. Vcs, de mais formas do que eu julgo esuqadrinhar, seguram a pemba da minha sanidade mental.
"Se não se diz 'houveram' (e sim 'houve') buracos nessa estrada", quando se diz ´houveram`, afinal?", perguntou um leitor.
É compreensível a inquietação dos leitores. Como vimos na semana passada, o verbo "haver" não tem só o sentido de "existir". Tem também o de "ocorrer" (caso em que também é impessoal: "Houve dois acidentes ontem"), o de "obter", "conseguir" ("Ele espera haver o perdão do filho"), o de "considerar", "julgar", "entender" ("O árbitro houve por bem sus-pender a partida"), o de "sair-se", "comportar-se" ("Ele se houve bem na missão") etc. Pode ainda funcionar como auxiliar, na formação de tem-pos compostos ("Ele não havia feito o trabalho").
Tem uso, sim, mas não nos registros informais da língua. A forma "hou-veram" surge quando se emprega "haver" com qualquer sentido que não seja o de "existir", "ocorrer" ou "fazer" (na indicação de fatos ligados ao tempo, fenômenos da natureza etc.): "Os sentenciados houveram do juiz a comutação da pena" (exemplo do "Aurélio"); "Os alunos houveram-se muito bem nas provas" (exemplo do "Houaiss"). É isso."
Felicidade (vaidade, vaidade, tudo é vaidade) é ser abraçada no meio do corredor por um professor, e ouví-lo dizer pruma outra professora: essa moça cheirosa foi minha melhor aluna nos 12 anos que dou aula aqui.
***
Cé, meu amor, parabéns, parabéns, queridos , vc merecem.
***
Cris, carece de muita chibatada pra ficar um pouquinho sábio sim. E tb porrada, dedo no olho, tapa na cara...
ah, e uma carta duma pessoa que vc amou por sete anos, de quem vc foi a melhor amiga que pode ser, com quem vc dividiu dores, alegrias, vitórias, sustos e perdas, que diz "não tenho nada contra vc". Como assim? Claro que vc não tem nada contra mim. Só o que faltava era você ter alguma coisa contra mim, criatura. Eu achei que vc me amasse. Mas é assim, Cris, o cara meio safado que se conheceu há três anos, o amigo de fé que há dez anos atura, a colega de trabalho com quem nunca se trocou mais de um oi... as pessoas colocam todos no mesmo balaio, todos. É a gente que precisa parar de ser idiota e carente. Enfim. Mas como disse a doce Anna (a Anna é do enfant...vcs há foram ler o enfant??), crise é um degrau. Tem que ser gente.
***
Raquel, Vera (porra, vc tá sem correio?), Giloca, Gabi, Nelson, Miiiiiiiii, Teruska, Carla, brigadim, amores.
Gi, minha linda, cumé que vc tá?
Lola e Rui: parem de ficar doidões, já. Agora é minha vez.
"Esse ano que passou foi duro, sem dúvida, mas nada como uma crise pra gente poder, de forma inequívoca, separar o joio do trigo. Saber, não exatamente quem são as pessoas (acho que isso ng sabe), mas quem é vc na vida delas, dói um pouco, mas é tão bom, é libertador, sabe? E eu aprendi muito."
Uia, estou ficando tão sábia.
***
“...se bem observarmos, veremos que todos os romances de Saramago são um “não” oposto à infelicidade histórica do homem”.
Leyla Perrone.
O não da obra “A Caverna” ecoa em volta de quem a lê, e nos permite, de forma inequívoca, colocá-la ao lado de outros romances de Saramago que, para citar a estudiosa Leila Perrone Moisés, “são um não oposto à infelicidade histórica do homem”.
Como em outras obras do autor, o não começa com o estilo adotado no livro. A pontuação usada que nos remete à oralidade, o narrador criado pelo autor, cuja onisciência e fina ironia nos encantam, o tema, profundo e instigante que, trabalhado com simplicidade e firmeza, nos leva a complexas e profusas reflexões, são, em tempos de medíocres narrações e auto-ajudas imbecilizantes, por si só, um não sonoro, no rosto de cada um de nós. Não à nossa letargia, não à nossa acomodação, não às nossas assinaturas anuais de revistas idiotas, aos nossos “vou ler esse, que está na lista dos mais vendidos”, “adoro ler mas não tenho tempo”, “ai credo, livro esquisito, nem parece que acabou”. O estilo de A Caverna, o tema, a alegoria brilhante, a intertextualidade, a exposição implacável de nossos temores e certezas, de nossos pequenos sonhos de consumo em catálogos coloridos, não diz apenas não à nossa histórica infelicidade, mas pega a ela, e portanto a nós mesmos, pelo colarinho. E com certa violência.
O “não-conformismo” das personagens de Saramago é a própria busca da “não-infelicidade”. Todas, mesmo o moço que até no nome, assenta a canga e carrega o peso imposto, procuram saídas, alternativas, alívios para as pesadas imposições do poder, cultivando suas raízes e amores em seu lar ancestral, tendo novos romances, cuidando de seus animais, criando vida, no ventre e no barro. As personagens de A Caverna buscam todas as formas, até mesmo o desapego final, o abandono do que se construí durante não uma, mas várias vidas, para driblar a infelicidade, o desespero, o conformismo, o desamor.
Somos nós, todos nós, a quem falta coragem, consciência e, as pessoas presas dentro de cavernas, que ouvem ecos e amam sombras, impedidas por amarras econômicas, psicológicas e sociais de ir além, de virar nossas cabeças, de mexer nossos membros.
Essa família, esse pequeno grupo de pessoas, graças ao seu algor, essa agitação febril, abraça a audaciosa busca rumo ao desconhecido, rumo a felicidade.
E todos nós não buscamos a felicidade? Acredito que sim. Mas sem nenhuma intenção piegas ou panfletária, é necessário de que se faça a diferenciação entre a busca dos Algor e a do resto de nós. Os Algor se lançaram ao desconhecido, deixando para trás bens, recordações físicas, apoiados uns nos outros e em suas vontades, suas necessidades de mudar. Nós permanecemos imóveis, e fazemos vir as coisas que, acreditamos, nos farão felizes, completos, inteiros. Não é à toa que somos a geração dos aperfeiçoadores do “delivery”. Não é à toa que a publicidade, a grande força motriz de nossa economia, esteja pautada nos conceitos de “liberdade” e “felicidade”.
“Ser feliz é comprar coisas”, declarou recentemente na mídia uma badalada escritora. Ser feliz é ter o carro, o celular, a casa na praia, o filho na escola que dá status. Ser feliz é ser cliente cinco estrelas, é morar no Morumbi, é possuir. Possuir preenche o vazio, ocupa a mente, completa a nós, seres humanos incompletos. Possuir nos iguala e nos distingue, nos acalma, nos garante, nos define. Possuir é nossa nova Roma, a quem levam todos os caminhos (Pág 275 “Qualquer caminho que se tome vai dar no Centro”).
A partir do inexorável olhar de Saramago, Cipriano Algor viu sua condição miserável, sua fragi