Esse foi um ano longo demais. Demais. E cruel. Uma crueldade gratuita e sem sentido, que todos os dias me desafia com o vazio, com o que não está e que exatamente por não estar, ocupa tanto espaço. Esse foi um ano no qual aprendi a dizer todos os mais imbecis clichês como falta irreparável, pesar incomensurável, raiva incontrolável, ferida aberta e dor irrevogável. Esse foi um ano que começou com os mais deliciosos planos e que termina não com desmaios e crises histéricas (se bem que a meia-noite ainda não chegou e tudo, tudo mesmo, pode acontecer), mas com um choro baixinho na frente do espelho do banheiro, numa casa vazia e cheia ao mesmo tempo de caixas de papelão, de dor, de decisões não tomadas e de sustos. Esse ano, quem eu mais amei morreu em minhas mãos. Porque você foi a pessoa que eu mais amei. Eu senti a vida saindo de dentro de você. E de mim, de muitas formas. Esse ano eu fui a mais missas do que jamais havia ido em toda minha vida, entendendo que mesmo sem ter a capacidade de crer, posso e devo encontrar conforto onde quer que seja. E já que falo em conforto, esse ano eu prendi o significado real dessa palavra. Não, isso não é livro de auto-ajuda, como eu já disse e eu tenho pavor do tal ‘jogo do contente’, mas esse ano eu aprendi o que, realmente, significa ser confortado. E amado. E amparado. Esse ano eu fui carregada por diferentes mãos, e dormi em diferentes colos. Esse ano fui alvo das mais diferentes manifestações de amor e de cuidado, de querer bem e de zelo. Esse ano descobri o sentido da palavra comunidade em sua forma mais pura e simples. Esse ano ganhei muitas flores e, como na canção, havia mesmo flores em tudo que eu via. Esse ano fui resgatada de dentro da casa que jamais será minha de novo, de dentro de uma vida que já deixara de existir e fui instalada numa nova cidade e numa nova casa e também nova vida com tanto amor, com tanta doçura, com café quente, promessas de um cavalinho bebê e cafunés, até eu estivesse pronta a não exatamente desbravar o mundo, mas pelo menos encará-lo sem desmoronar. Esse ano eu descobri que há mais de uma forma de chegar a Campinas e que todas elas valem a pena. Esse ano ganhei não uma, mas duas irmãs-dos-outros. Esse ano houve dança do ventre. Não minha, louvado seja, é a civilização ocidental sendo poupada de mais um susto, mas houve sim. Esse ano bebi café num lugar com nome de flor, enquanto olhos amorosos permaneciam pousados em mim. Esse ano redescobri partes de São Paulo que eu julgava mortas, partes de mim que julguei acabadas e descobri partes da cidade que jamais imaginei possíveis, homens com enormes tatuagens do Parmera no braço, restaurantes cujos donos venderam camisas, ruas de contos de fadas, jardins sem muros dos quais a mangueiras não são roubadas, quintais com galinhas e também aprendi que existe um certo tipo de amor e de calor que só o entendimento real e profundo é capaz de dar. Esse ano fui financeiramente salva uma porção de vezes, sem que nenhum peso fosse dado a cada gesto. Esse ano acabei um livro novo, traduzi outro do começo ao fim e botei um pé num novo trabalho, assustador, mas muito bom. Esse ano tive mais de um futuro, mais de uma vez. Esse ano aprendi a sorrir com os olhos. Esse ano tomei cafés em livrarias, examinei livro por livro, lombada por lombada, segredo por segredo, falei enquanto olhos castanhos muito fundos permaneciam fixos em mim e entendi os anos que passam e que não passam. Esse ano Bauru foi aqui, graças a deus, numa ponte invisível, de julho a dezembro, sem descanso, sem feriado. Esse ano aprendi que Houston e Seatlle ficam exatamente no mesmo lugar quando se canta pelo telefone a música da vizinha que passa com seu vestido grená, quando cantam para mim sobre uma lembrança que dói tanto que há que se cantar para espantar o mal. Esse ano entendi porque você amava tanto certa moça de Recife e, ao conhecer o neto dela, aprendi que os menininhos de cabelinhos cacheados realmente são os melhores. Esse ano também aprendi que não necessariamente todo mundo de quem eu gosto vai gostar de mim, mas que nem por isso eu devo parar de tentar. Esse ano aprendi que o cuidado e o amor podem vir fantasiados de caixas de papelão e braços que desmontam prateleiras e embalam tacinhas delicadas. Esse ano me disseram que sou importante mesmo da minha forma tosca e simples, e que faço diferença nalgumas vidas, vez que outra. Esse ano descobri que não sou importante para umas tantas pessoas e que isso faz parte da vida. Também entendi finalmente a frase da minha professora de latim na faculdade, Dona Nair, que dizia “Fal, ninguém dá o que não tem”. Esse ano vesti novas camisetas e velhas sandálias, cantei num tom diferente, sai pelo mundo cheirando a jasmim e bebi suco de laranja com vodka, num café da manhã surpreendente. Esse ano traduzi um livro inteirinho, do começo ao fim, mereci confiança de quem eu nem sabia que me conhecia, assisti velhos filmes com novos olhos, e chorei em cenas que antes me faziam rir. Esse ano brinquei de fazer programa de rádio, descobri o amor em Minas Gerais, descobri que o Chico Buarque ainda pode me surpreender ao fazer a neve ferver. Esse ano esperei em vão duas vezes por telefonemas que nunca vieram, mas vamos combinar que nem foram tantas vezes assim. Esse ano eu me assustei com amiga entrando de repente em cirurgia e entendi que meu círculo de amor se ampliou, o que é bom, mas também não é, mais gente para amar, mais preocupação, mais temor, mais perdas. Esse ano eu tomei vinho quase todos os dias. Esse ano eu ganhei muitos livros, alguns com as mais belas dedicatórias, essa arte perdida que permite que um livro belo, mas anônimo e impessoal, torne-se nosso, intransferível, pessoal. Esse ano eu vi minha amiga mais doce e delicada lutando muito e espero ter dito a ela com clareza que o nosso amor ela sempre vai ouvir com o coração, o que quer que o futuro nos traga. Esse ano fui forçada a entender que seus amigos não vão me amar só porque você me amava e que é melhor deixar para lá. Esse ano eu tive clareza de todas as coisas que não quero. Esse ano eu tive alguém para me colocar e me tirar de dentro do avião todas as vezes, e o último rosto que vi a cada vez antes de embarcar, e o primeiro rosto que vi a cada vez ao desembarcar, sempre foi um rosto amoroso e doce, cheio de carinho e preocupação. Esse ano, eu entendi que ainda tenho muito que caminhar e aprender, mas que eu sigo, porque não estou sozinha, mesmo quando acho estou, ainda que não seja fácil entender. Esse ano entendi que não há um porque e nem nunca haverá lição nenhuma para aprender com a sua morte, que a crueldade é gratuita mas que, ao mesmo tempo, eu só tenho uma direção para ir. Esse ano aprendi a não temer. Esse ano escolhi conscientemente só gostar de quem gosta de mim, só me cercar do belo aos meus olhos e só ir até onde dá pé. Esse ano, aprendi que seu amor me salva e protege, me cerca de todas as formas e que, quando refletido em meus olhos, atrai outros amores e cuidados, de tão bom e tão puro, de tão correto e inteiro que foi o seu amor.
A arte "O nosso querido Cláudio Luiz Ribeiro, da primeira turma do curso, nos lembrou que prazer não está obrigatoriamente ligado à arte. Nem sempre é prazeroso criar uma obra de arte. E o Cláudio Luiz tem sempre razão. Que o diga Camille Claudel. E nem sempre é prazeroso vê-la. Quem já viu a Guernica ao vivo e a cores, sabe do que eu falo. Não dá prazer. Dá medo. Dá raiva. Dá vontade de sair correndo e salvar a vida do seu filho, e só dali umas 4 quadras você se dá conta que não tem filhos e que roubou o filho duma turista alemã. "
Tipo, caras, o Robertão tá lá na sala dizendo que eu fui a brincadeira mais séria que aconteceu com ele e que das lembranças que ele traz na vida, eu sou a saudade que ele gosta de ter. Zuzo bem. Mas caras, ele tá duro de botox e inda passaram o blush cremoso sabor pêssego nele. E sombra bege-doirado-escuro. Também cremosa. Foi de propósito, eu tenho certeza.
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A Helga mandou dizer pro Rui que ama ele basecamente pq ele é bem feitim de corpo, não pelo caráter, mas que é prele vir não amanhã e sim depois damanhã, pq num dá tempo dela fazer a chapinha. Bel, ter cabelo ruim é fogo, fia.
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Copiei trocentos cds de música italiana de Mabele. Temos trilha pro pograma leseira até eu morrer de chorar ou o Leandro engravidar, o que vier premero.
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Camarada Paulo Galindo não veio me ver. E não, ele não lê o blog, assim sendo não é um recado, é uma dolorosa constatação.(das amizades que não foram feita na internet, o único amigo que lê meu blog é a Lola. E o Rui, claro. Nenhum outro amigo do mundo real pré-blogs, nem mãe, irmão, Leo, Paulo José, Paulo H., nada, ng lê. Nem a Ana lê isso aqui mais. O Alexandre tb não lia meu blog. É algo a se pensar, amiguinhos, mas não agora. E não, eu nao reclamo não. Acho que há algum componente na Fal do mundo real que bloqueia a leitura do blog. E. rá, se vc disse "É, overdose", eu te odeio bem muito.)
Nenhum telefonema, nada. Eu sei que é da vida, umas pessoas chegam, outras vão e umas, convenhamos, nem estavam aqui pra começo de conversa, mas mesmo assim.
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Uia, a Alcione. Eu queria estar em casa pra ver isso no telefone com a Tati Perolada e com a Mani. Dá uma geral na roupa dela, tati e depois analisa, per favore. Meu quarto novo vai ter tv e internê tudujunto, minas, e eu vou instalar un iscáipe pq eu sou pobrinha pra ficar no telefone e nóis vamos se adivertir. E inda tem o biguebródis, pra ver vcs e com a capanhera Funga. Virgem Santa que vida agitada e emocionante me aguarda, né não? Blé.
Tipo, caras, eu fui citada no Pedro Dória, graças ao nosso Luiz. Sinto que adentro ao mundo dos ricos e famosos, da fama da fortuna e que falta pouco preu ir pra Ilha de Caras usar aquele maiozim vremeio e, rá, mostrar meu guarda-roupas pras revistas. O mundo jamais será o mesmo depois de ver, através duma grande angular, a minha gaveta de calcinhas. Vocês me aguardem.
Amarrei porre suave porém agradável com meu cuhado Hélcio. De modos que, como acabo de explicar para o mauro por email, tudo que eu falar aqui, qualquer falha de digitação e/ou de caráter é culpa do vinho chileno, não minha.
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Meus sobrinhos têm hora para dormir. Que deus abençoe minha cunhada, essa mulher sábia e excelente mãe. Um tem 9 e o outro 13 e os dois tem hora pra dormir, vcs ouviram, né?
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Minha sogra fez uma travessa de filhoses do tamanho dum fusca. Tipo, o que é melhor do que comer doce quando se está de porre? Nada, meus bens, meus mals (olha Ana Paula, sem as mãos). Filhoses, doce de banana de rodela, bolo de Natal, bolo de banana e a taxa glicêmica se transforma num planalto, feliz, feliz.
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Gente, calma com os emails. Eu sei, mas calma. Eu sou uma só e além disso há muito que se beber nessa terra.
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Agora, vamos combinar que beber é perigoso. Contei pra famíia toda do moço que deu em cima do Alê no show da Maria Betânia. Desculpa Alê, desculpa.
* "He sees you when you're sleeping
He knows when you're awake
He knows if you've been bad or good
So be good for goodness sake "
Liga Rui, eu canto pra vc, eu decorei a letra todinha. Mas liga de manhã, que é menas sujeira, hahaha.
Té onde me é possível ver, acho que liberei todo o LV.
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Viciadíssima em suco de acerola.
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Chegou um calor aqui, maluco e repentino, que ninguém explica. E eu que tava toda felizinha de dormir de cobertor.
* "Como deve saber, hoje aqui em São Paulo, só chove. Mas não é daquelas chuvas que a gente gosta. É chuva pesada, a que leva treins e rola almas pela enxurrada....Fique quietinha aí , com seus sogros...volte com o sol.
Rose"
Certo. Hum. Tá. Positivo operante. Forças malignas houveram por bem de juntar Garouta Resfriado e o Chefer-Crente-Que-Tem-Viasagem-E-É-Fio-Da-Chefa-Da-Macumba. Tudo bem. Acho bacana porque mais um record mundial foi quebrado: eles formam o nucleo de novela mais chato ever.
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A mensagem de Natal da Gobo faz meu sogro gemer de desgosto deitado no sofá. Que porra é essa, Second Life dos pobres, que bosta.
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A ex do Juvenal virou condessa. É tu nada!
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Se o Chefer-Crente-Que-Tem-Viagaem-E-É-Fio-Da-Chefa-Da-Macumba disser mais uma vez que é um homem de fé, eu taco o tricô de Mabele na cabeça dele. Pelo amor de deus. E ele ainda diz "se todo mundo lesse pelo menos uma página da bíblia por dia, o mundo seria um lugar melhor", onde que o autor da novela só amplia a voz dos imbecis e a traz aos nossos laraes, posto que os maiores filhos da puta que eu conheci nessa vida ou lêem as Sagradas escrituras com regularidade ou acreditam em energias e fluidos que rolam e lances cósmicos, entende ou acreditam que as pessoas voltam para pagar o mal que fazem. Como alguém que acredita de coração nisso pode ser filha da puta, jamais saberei, mas é assim. Precia parar com essa mania imbecil de achar que quem tem religião é bonzinho. Bando de cornos. As pessoas são boas ou más, na maioria das vezes os dois juntos e a religião, acreditem na tia, não tem nada a ver com isso.
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E a vaca da garouta Resfriado inda tá estimulando o Chefer-Crente-Que-Tem-Viasagem-E-É-Fio-Da-Chefa-Da-Macumba a abrir sua própria igreja. Tudo que o Brasil precisa, mais um espertalhão munido de bíblia.
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Caras, que nobela constrangedra. Sinto saudades da Sol, sério.
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Beija Flor vai usar terno e sapatos brancos. Achou a vocação, fio? Amém.
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Hahaha, a idiota da Naza achou um bau de ouro. Flavia, vc me defenda.
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Juvena Alfafa, o homem que beija puta na boca. Aiai. Enquanto isso alguma cantora muderna dessas que vcs adoram estraçalha Folhetim. E é por isso que o Chico bebe, eu tenho certeza. Desgosto.
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Isso. tá. A Chefa da Macumba recebe mensagens do além sobre... a cura do cancêr? A Terceira Guerra Mundial? Não, não. Ao que tudo indica, os esprítos não têm nada melhor para fazer do que usar a Chefa da Macumba como cavalo para a palpitante revelação: Fulaneta de Tal não será a rainha de bateria de não sei onde. tema de fundamental importancia para a civilização ocidental. Com todo respeito pela religião alheia vcs me poupem. Não dá. Saudades do Alexandre, ele me faz falta o tempo todo, mas numa hora dessas mais ainda, quem que eu cutuco numa hora dessas, meu pai?
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Quaquauáááá, Fagundão Juvenal Alfafa acaba de dizer a Gabriela Marília que ela é 'como se fosse um homem'. Coragem, fia, a cara que ela fez foi óóóóóóótima. É essa a cara que a gente faz mess.
"Quando você fica muito assustada, ou puta da cara, o marrom cor de mel do seu olho fica verde-chumbo. E depois transparente.
Quando vc cozinha vc canta de boca fechada.
Quando alguém perto de vc se corta ou cai ou tem tontura, vc fica tão calma que parece de cera, e toma todas as providências.
E quando vc canta, vc fecha os olhos.
E quando vc se assusta no cimena, vc pula, parece criança.
E quando vc come arroz doce, vc geme baixinho.
Há tanto o que amar em vc, todos os dias. Todos os dias."
é mentira, o pobrezinho está gagá, mas deus, é tão bom de ouvir isso. Nego carente é uma merda, vamos combinar.
Sras Ana Laura e Esther Lúcio, é favor comparecer à portaria: o trechinho de ano novo do Pograma Leseira, gravado na minha casa suja e bagunçada, onde que Leandro aguentou bravamente a zona e eu suportei minha vergonha e pelo qual Leandro e eu sacrificamos de ver o Fabisjunis na Fernanda Iângue, tinha seguido no dia 9 e seguiu agora, de novo. É favor vcs não me matarem do coração. Não deixem que nossa perca de Fabizjunis tenha sido em vão. Eu amo vcs bem muito. Bem, bem muito. Fevereiro é nóis na fita. Boa viagem.
PS: e é favor confirmar recebimento. Ou não.
Escribo desde los dentros de mi propia existencia, donde nacen las ancias, la infinita esencia.. Tenho atravessado os dias com tanta dor. Lembra quando eu tinha dor de cabeça e dizia pra você “tudo ni mim dói”? Pois tudo ni mim dói, meu bem. Por dentro e por fora. Todo o tempo. A veces me encierro tras puertas abiertas. Sua mãe me mostrou um menino que eu não conhecia, Alejandro Sanz, eu sei, você ia dizer que ele é cafona como o quê, mas eu gosto, eu gostei, eu gostei. Meus cabelos doem ao escová-los. A veces te miro y a veces me dejas, me prestas tus alas, revisas tus huellas. Eu sinto dor nos olhos e nas solas dos pés. Meus ouvidos também doem, mas isso não é novidade, eu sempre sinto dor de ouvido, essa era a terceira pergunta que você me fazia todo dia, depois de “Você está bem?” e “A sua tropa se comportou?”, vinha “Tá com dor de ouvido?”. Andar com tanta dor é como andar dentro da piscina, só que nesse caso a beiradinha não chega nunca. A veces por todo aunque nunca me falles, a veces soy tuyo a veces de nadie. Televisão com seu pai e filmes com sua mãe, novela com os dois, refeições com os dois. Hay cosas muy tuyas que yo no comprendo, y hay cosas tan mias, pero es que yo no las veo. Seu pai está mais quieto que nunca. Quer dizer, o velho sempre foi quieto, mas é um silêncio novo, não há mais o que perder, eu acho. Sua mãe fala pouco em você, às vezes ela diz algo como “Ele era afinado, ele era bom músico”, mas é no meio dalguma história, ela não conta uma história exclusivamente sua, ela não fala na sua morte, entende, eu acho que deve doer demais. Dói demais. Hay veces te juro de veras, no que siento, no darte la vida entera, darte solo esos momentos, por que es tan dificil vivir, vivir solo es eso, por que es tan difícil. Mas dói e mesmo assim eu tenho tanta necessidade de falar de você. Eu preciso tanto contar suas histórias. Tenho me controlado para não passar o tempo todo falando “eu fiz isso com ele”, “nós fomos lá”, "ele dizia que...", mas é irresistível falar seu nome, eu falo seu nome mil vezes por dia. Também não choro na frente deles. Quer dizer, eu quase não choro por perto deles, manhã dessas tive uma crise de choro incontrolável, lá de longe sua mãe perguntou se eu estava bem, se eu queria um chá, mas só. Sentir a minha dor, mas não aumentar a dor de sua mãe, that’s the question. Vejo o quanto a minha mãe ainda sofre por você e nem ouso pensar, o que então, vai no peito da sua mãe. Eu ando pelo seu quintal, suas pedras de menino, a escada que você escalava para chegar ao alto da montanha mais alta, o seu muro onde você brincou de equilibrista, as árvores na quais você trepou, suas brincadeiras de forte apache, as janelas que você pulou, a terra que você pisou, meu bem, meu benzinho, menininho do cabelo de índio. A cozinha da sua casa tem azulejos azuis. Falei com a Lígia e com a Silvia. Falei muitas vezes com a Stella Maris. A veces me elevo, doy mil volteretas. Falei com seu amigo Guimarães, contei que tinha escrito uma história com o nome dele, mas que não tem nada que ver com ele e ele riu. A sua mãe está com tosse. Assisti a Doris Day, The Glass Bottom Boat. Falei com a Maloca e com a Mani. Cuando nadie me ve, me parezco a tu piel. Eu choro tanto. Faço umas contas, falo com minha mãe que me dá relatórios financeiros desesperadores e daí eu faço mais contas sem entender como é que telha pode ser um trem tão caro. Sua mãe fez canjica e nós comemos quase uma panela sozinhas, nesse calor, concordando que gordo é mesmo uma raça safada. Eu me senti tão confortada, tão morninha.Te encierro en mis ojos tras puertas abiertas. Acabei um trabalho enorme e vou começa mais um amanhã, também enorme e assustador, mas eu não sinto mais medo, eu faço o meu melhor e envio para o cliente, só. Quando cheguei ao Recife, entre o aeroporto e o hotel, meu anel de prata com ametista caiu do meu dedo e eu não senti. Ele estava frouxo demais e eu não senti. Agora eu uso o de opala, mas não é a mesma coisa, você sabe. Supongo que pienso que yo no las tengo, no entiendo mi vida, se encienden los versos. Eu choro pra valer, eu choro demais. A minha boca fica quadrada e eu choro, às com soluços, às vezes sem, às vezes em silêncio, bem quieta. A veces por todo aunque nunca me falles, a veces soy tuyo y a veces de nadie. De vez em quando alguém vem com aquelas frases feitas de cursos motivacionais sobre as qualidades do choro enquanto elemento libertador da... Mas eu fico quieta, eu agradeço, é gente demais querendo meu bem e eu deixo, porque a essa altura do campeonato eu preciso mesmo que queiram meu bem. A veces me encierro tras puertas abiertas. Adoro quando ligam e entendo quem não liga. Porque eu mesma não quero ver ninguém, nem quero fazer visitas com sua mãe e nem ir a lugar nenhum. Cuando nadie me ve puedo ser o no ser. A Helga deu as férias de Natal de presente para Baco. Lá no hotelzinho da Tereza. Falei com ele duas vezes no telefone essa semana e ele está feliz. Eu falo com ele no telefone, você se lembra? Ele adora a Tereza. Cuando nadie me ve no me limita la piel. Escrevi uma carta para a Silvia e uma carta para o Mauro, mas a do Mauro eu acho que não vou mandar. Ele fica desesperado quando eu sofro e eu não preciso fazer ninguém mais infeliz. Eu ouço Yo Yo Ma, o seu Yo Yo Ma o dia todo. Falei com a Helga e ela chorou e que eu queria tanto fazer ela ficar melhor. Hay cosas muy tyas que yo no comprendo, y hay cosas tan mias, pero es que yo no las veo Quero falar sobre você com todas as pessoas que conheço, eu preciso falar de suas graças, do pesto do seu macarrão, de suas mãos que eram tão menores que as minhas e tão grandes. No enciendas las luces que tengo desnudos el alma y el cuerpo. Eu preciso falar de você o tempo todo, eu preciso. É uma dor tão vasta, é pensar em todas as coisas que você queria fazer, seus planos, suas idéias, seus planos, seus planos. E é uma dor tão egoísta, a minha dor, o meu vazio, os meus planos, os meus planos, a minha dor, a minha solidão. A minha pequenez, a minha insignificância. Te encierro em mis ojos. E o que é que eu sei sobre não ser o que eu sempre fui? O que é que eu sei sobre ser qualquer coisa que não sua? A veces te cuento porque este silencio. Foram oito anos, só oito, e eu mal me lembrava como a vida era horrível sem você, como nada valia a pena, como não era vida de verdade sem você. Y es que a veces soy tuyo y a veces del viento. Nada. E eu olho o tempo todo que há em volta, eu tenho tanto tempo agora. E ele é maior que o silêncio e maior que tudo que eu conheço e sinto e eu espero que ele acabe logo. A veces soy tuyo e a veces de nadie.
"Te vi... fumabas unos chinos en Madrid hay cosas que te ayudan a vivir
no hacias otra cosa que escribir
Y yo simplemente te vi."
F.P.
*
Vejo Paulinho da Viola cantando no Faustão na sala, com meu sogro. O Faustão anda com uma cara tão cansada.
*
Trabalhei feito um ser humano. Entreguei a tradução, obrigada a todos, mesmo. Eu tou perdida, não tem nada que eu saiba fazer assim 100%. Impissionante.
*
Não encontrei a gravação antiga, regravei a cronica e enviei pra Ana laura. Mas aqui no computer mabelístico o trem não toca, vejamos nos domínios de Ana Laura, a bela.
*
Caymmi me acalma. Ouço Peguei um Ita no Norte e Acalanto dez vezes seguidas com ele, ele me faz bem. E calma.
*
Assisti a O Tapete Vermelho com aquele menino que é o melhor ator do planeta e cujo nome eu jamais saberei pronunciar: Matheus Nachtergaele. Que filme fofo. Uns senhores dançam catira. Meu avô José Menino dançava catira. E batia palmas daquele jeito, as palmas das mãos unidas, como se ele fosse rezar e não de lado, como nós. E quando ele batia palmas, alguma coisa dentro de você doía.
*
Ah, e o que me ajuda a viver? Vocês. Há cinco anos, quase seis que são vocês, mas agora mais que nunca. É piegas dizer essas coisas, né, é de mal gosto e a gente acha brega, mas é verdade, não há o que fazer a não ser dizer, olhem bem dentro dos meus olhos: obrigada.
(Eu comecei essa coluna, porque sinceramente, eu não guento mais guardar essas coisas que me chegam pelo e-mail em segredo. Se o autor autorizar, eu conto quem cometeu.)
Fal, sonhei com cê. Fui pra sua casa a noite, e dormi lá. No dia seguinte vc estava conversando com a Telinha e debochando de mim, por eu ter perguntado quem era eduardo. Que não era pessoa e sim um sobrenome seu. Que vc não usava, por que estava com um processo na justiça para receber uma herança bilionária. Uma coisa de seu pai que era banqueiro. Enfim...ia ficar rica.
Tomara seja premonição.
Amores infinitos, gracias pla quantidade abissal de ajuda. Mesmo, mesmo. Depois eu agradeço um por um, mas por hora, gracias.
*
Gravei uma crônicas pro Pograma Lesera e cade que eu acho o bendito pendrive? Eu não me suporto.
*
Aqui não tem horário de verão, flores. Eu amo essa terra cada vez mais, aceito ofertas de emprego em Garanhuns. Mas ainda não contem aos meus sogros,´pra não assustar os pobres.
*
Héuga, falei com Baco ontem no telefone, amore. Ele está insuportável de mimado, ele dorme na cama da dona do hotel.
Beibe, beibes, não me façam chorar que eu sou velhinha e ando meio zoró.
*
Socorro, socorro, um doce pra quem me ajudar a traduzir essas buestas aqui, tipo pra ontem: playful
tally hints
grassroot internet
riding in the hulls of armored Humvees
spinoff
mainstream (eu sei que merda é essa, mas como traduzir isso? ou não traduz?)
geeky (idem)
high profile (idem)
goal-and-treadmill
upscale
triathlete’s build and the cheeky
venture firm
The Gathering card games
arcology
hubris
multimeter (porra é aquele trequinho de eletrecitsa, como chama isso???)
open-ended
bestow
Ovesit
é até domingo. devia estar há dias no ar e eu mosquei, de novo. retardada.
* "Ainda não ouvi o programa. Meu computador está em manutenção séria. Deu entrada no rehab, aproveitou pra colocar silicone, fazer papada, retocar o nariz, tirara aquelas bolsas inchadas de baixo dos olhos, uma lipo básica e usar a gordura na lipo pra botar na bunda. Vai ficar um espetáculo!!!
Agora vai!
Beijo, L."
Sonhei que a neve fervia
Só meu compromisso com sua mãe, de entregar nas mãos dela as suas cinzas, coisa que eu levo mais a sério nesse mundo, me deu coragem para vir. Porque eu queria mesmo era ficar em casa e passar o Natal quieta e só. A Maloca foi me buscar em casa e eu tremia de pavor. Aliás, no começo da tarde, quando o Leo me buscou para tomar café-de-despedida, eu já estava tremendo. Daí a Maloca me levou para o aeroporto. Durante nossa ida para lá, na Avenida Tiradentes, dois pivetes travados de crack se dependuraram na janela dela e um deles encostou uma seginga no braço dela. Eles berravam muito e diziam “a frentinha! a frentinha!”. Mas a debilóide aqui não entendeu a palavra ‘frentinha’ (que é aquela parte removível do som do carro). Eu entendia “fitinha”. Daí olhava abobada para a fitinha de Nosso Senhor do Bonfim que Maloca tem pendurada no retrovisor e pensava um Deus, para que eles querem isso? Daí, sempre brilhante, pensei “Ah, a fitinha, acho que ele quer o CD que está tocando!” E tirei o CD do aparelho de som. Daí a Maloca, essa santa, foi quem teve que tirar a tal da frentinha do lugar e entregar a eles. Fomos quase mudas até o aeroporto. Em vez de me deixar no desembarque, a Marlene ficou comigo no check in, na fila de despachar a bagagem, tudo. Não pode existir gesto mais doce que esse. Então chegou a hora da Maloca ir embora. E eu fiquei naquela lanchonete que tomamos café ano passado, antes de irmos para a casa de sua mãe, ao lado da loja onde você comprou o gatinho de cerâmica para mim. Pedi uma água e fiquei ali lendo meu livro do Goya e ouvindo Sobrinhos do Ataíde. Na hora certa fui para o portão de embarque. E quando tive que passar pela maquininha de raios-X, surpresa, surpresa. A segurança do aeroporto implicou com a urna que contem suas cinzas. Claro. Depois do crematório, da TAM e da administração do Aeroporto de Cumbica terem me dito várias vezes que não haveria problema e que eu só precisaria de autorização especial da Polícia Federal se fosse sair do país com você, eis que os bravos rapazes da segurança resolveram revirar minhas bolsas e papéis. Com seu pequeno poder e seu vastíssimo conhecimento legal, a turma me segurou lá junto à bendita maquininha uns 20 minutos. Eu e essa minha cara de perigosa traficante, só pode ser isso. Enfim liberada, o embarque foi rapidíssimo. Na janelinha e sem ninguém ao meu lado (tenho certeza que a doce Mani tem participação nisso), prendi meu cinto de segurança e reparei no seguinte: eu havia parado de tremer assim que entrei no avião. Fim. Eu não estava com medo. E percebi que foi a mesma coisa que senti quando os meninos encostaram a seringa na Marlene. Eu só tive medo de que eles fizessem mal a ela, mas o Medo, aquele, não estava lá. E então eu soube: meu maior temor nessa vida era que você morresse. Era meu pavor, era meu pesadelo, era o que me fazia chorar quando encostava meu rosto no seu (o outro motivo que me fazia chorar encostada em você era amor, eu amava tanto você que doía, era física essa dor e eu chorava, lembra?). E sem esse medo nenhum outro medo faz sentido, porque nada pode ser pior do que ter o maior medo realizado. Parei de tremer assim que entrei no avião, meu medo passou. Esse e os outros. Você morreu, o pior aconteceu e eu não devo temer mais nada. Não sei se isso é bom ou ruim e não sei se é saudável e não sei se isso me faz ser uma pessoa pior ainda do que eu já sou, mas o fato é que tivemos chuva e turbulência e avião sacudindo e portas dos compartimentos de bagagem se abrindo e gente dando gritinhos e crianças grandes chorando e eu não temi. Não temi as pessoas que falavam comigo, não temi suas vozes, a presença delas, a existência delas. Não tive medo de explosões e nem de quedas. Ouvi as piadas dos Sobrinhos do Ataíde várias vezes, ouvi todas as músicas que o Leo me deu, ouvi todas as músicas que gravei, li meu Goya e não temi nada e nem por nada, nenhuma vez. No aeroporto de Recife estava Nanne. Tão doce e tão linda e tão pequenininha. Parecendo uma fadinha. Ela me levou para um hotel aquela coisinha doce, quis me poupar do que ela chamou de “confusão” da casa dela, imagine. Cochilei um pouquinho depois do banho (por que é que banho em hotel é sempre melhor que na casa da gente?) e depois de ver House com ela, saquei que terei que dividir o amor do Doutor Gregory House com Nanne, ela também é apaixonada por ele, mas eu estou conformada. De manhã Nanne me levou para conhecer a casa dela e Breno, quase três anos. Ele tem cabelinhos cacheados (O que é que há de tão atraente em meninos pequenos de cabelos cacheados? Homens adultos eu prefiro com cabelos bem, bem curtos – adorava os seus, você passava tacava a máquina um na cabeça e eu gostava de passar as mãos nos seus cabelos e dizer que você tinha cabelo de ursinho. Mas há algo de comovente num menininho de cabeça de carneirinho). Nanne é absolutamente louca pelo neto e eu também fiquei. Ficamos amigos imediatamente, arrancamos a cabeça do Homem Aranha inúmeras vezes, sem pena e desenhamos peixinhos, ele me explicou uma complicadíssima trama sobre um carro que o Homem Aranha usa para voar em cima do prédio da “fofóóóóóó Nanne” e já era hora de ir embora. Do elevador eu podia ouvir os gritinhos dele “Bibi, volta quiiiiiiii!!” e depois que Nanne me disse que não é de todo mundo que Breno gosta, eu me senti ainda mais lisonjeada. Nanne me levou para a produtora onde trabalha, e eu fiquei ali, no escritório que ela divide com mais umas seis moças, incluindo a filha dela que também trabalha lá. As conversas todas eram sobre câmeras e um diretor que vai chegar dalgum lugar e objetos de cena e aluguel de equipamento e tipos de lente e locações e orçamentos e a sala de espera fervia de gente esperando algum casting que devia envolver crianças (eram várias e todas sem educação nenhuma) e a Nanne parecia uma louca resolvendo tudo e falando em dois telefones ao mesmo tempo e eu senti tanta falta de trabalhar com isso, tantas saudades, those were the times. A única coisa que faltava ai era o Rui berrando feito um demente, o dono da produtora da Nanne grita pouco eu acho, todas as vezes que eu o vi (foram só duas) ele falava baixinho e beijocava todo mundo. Deus, não existe nada mais estimulante do que a adrenalina de trabalhar numa boa produtora de comerciais, os prazos, as exigências, a confa, é bom demais. Elas pediram almoço, comida nordestina, em minha homenagem e eu comi galinha à cabidela pensando em você. Babei aquele molho escuro na blusa, que dúvida, eu não sirvo para viver em sociedade. Mal troquei a roupa e o motorista que sua mãe havia arranjado para me buscar chegou, malas no carro, abraços enormes em Nanne, na filha dela, Priscilla (a mãe de Breno – e o menino é a cara da mãe), uma menina doce, engraçada e linda e nas outras moças simpáticas e segui com o destemido Bira (mesmo nome do juiz que nos casou), que tinha que buscar mais passageiros, mais encomendas, a vida de Bira é agitadíssima. E quando finalmente caímos na estrada, vi o que eu realmente estava fazendo ali. Eu estava procurando você. Eu lhe procurei, querido, pela estrada recém-duplicada (para orgulho e alegria de Bira). Chamei seu nome em silêncio enquanto passava por Insurreição, Pombos, Bezerros, Nova Jerusalém, Bom Conselho, Agrestina, Sairé, Bonito, São Joaquim, São Caetano. Gritei muda por você enquanto subia a Serra das Russas, enquanto me enfiava no Túnel Cascavel (outra construção que fala ao coração de Bira), e quando cruzei as pontes sobre os Rios Ipojuca e Gravatá e a ponte sobre o Riacho do Mel. Esperei ver você paradinho, com sua cara de menino ao lado da placa de Gravatá, ou de Belas Águas ou de Cachoeirinha ou de Chá Grande. Depois achei que você pudesse surgir no posto de gasolina onde paramos, vindo de algum lugar como Brejão, Terezinha, Saloá, Paranatama, Jucati, Gravatá, Limoeiro, Surubim, Vitória do Santo Antão, São Bento do Una, Capoeiras ou Calçado. Procurei seu cabelinho preto e branco na entrada da Chácara Suíça e do Rei das Coxinhas. Tentei ver seu rosto nas indicações da estrada que levariam a Toritama, Sapucarana, Encruzilhada de São João, Caruaru, Arcoverde, Pesqueira, Lajedo, Quipapá, Panelas, Jucati, Cupira, Caetés, Palmeirinha, Correntes, Canhotinho, Belo Jardim e quis ver você em um barquinho no Rio Alecrim. Mas você não estava em lugar nenhum. E quando eu comecei a me desesperar por não encontrar você, Bira me ensinou, ainda da estrada, a identificar a casa de sua mãe graças a três pinheiros enfileiradinhos que eu podia ver lá longe no horizonte. Então fixei meu olhar neles, porque me ocorreu que talvez fosse lá que você estivesse, adorando os jogos malucos de computador de Davi e Juliano, amando os cafés da manhã de Madalena, com queijo de coalho e banana cozida, emocionado por dormir na cama tão linda da casa de sua mãe, com lençóis que cheiram como lençóis de nenhum outro lugar do mundo. Achei que talvez fosse aqui que você estava esse tempo todo, tendo altas discussões filosóficas regadas a café com o Camarada Paulo, fotografando as plantas de sua mãe, vendo o Jornal Nacional com seu pai, brincando no piano que sobreviveu ao seu incêndio (você colocou fogo no outro, gerando a mais mal contada história de todos os tempos) e escolhendo qual pão doce você iria comprar para mim. Quanto mais os pinheiros se aproximavam, mais cheia de esperança eu ficava, querido, e quando o carro de Bira entrou no terreno da casa eu desci a toda e corri para os seus pais. Mas então vi o rosto de sua mãe e entendi que você não estava ali. E que, de muitas formas, ela também esperava que você tivesse vindo comigo, que eu tivesse o poder de trazer você de volta para ela. Mas eu não tive, eu não tenho. E aí eu deitei minha cabeça sobre o casaco de lã verde que envolvia sua mãe e chorei e entendi.
Programa Lesêêêêra!!! Debaixo do mar.
Lindos, estamos no ar, por incrível que pareça.
A gente vai melhorando a técnica, viu fios?? É um processo lento e demorado e tortuoso, tenham fé.
como eu tou num lépi sem mouse e num domino a tecnologia (que não é magia) eu vou colar o endereço aqui. Tem comunidade nossa no orcute, mas como eu não tenho orcute, não sei qualé o linque, eu não consigo entrar lá. E tem uma imagenzinha tb, fofa de tudo, que eu tb não consigo postar. Enfim, eu não sirvo pra merda nenhuma, vamos combinar. E quando eu chamei a faculdade de obstetrícia de "faculdade de exatas", eu evidentemente quis dizer biológicas, rá.
uia, nosso pograma tá aqui, ó:
http://esthermaria.podomatic.com/
ps: tou em recife, sigo daqui a pouco pra Granhuns. tou um lixo, vcs nao querem saber.
(a data impressa na fota tá doida, a foto é de 2003 e se vc não consegue ver as fotas do meu blog, clica com o botãozim da direita do seu mouse e clica de novo no 'mostrar imagem'. Ou então clica no quadradinho branco, ele te leva pro albinho)
Pograma Leseiranovo em folha. Bota fone de ouvido se você tiver no trabaio, mô fio, porque a tralha é longa e cheia de bisurdos e vc vai rir, não porque façamos uso de humor refinado e profundo, não, não. Você vai rir de nervoso, mess...
Meu carro, meu Janjão, minha conta bancária, minha ira, minha solidão, meus problemas, meus pobremas, meus poblemas, meus devogados, minha unha quebrada, meu gato mijão, meu cachorro profundamente deprimido, minha casa feia, vazia, encaixotada e esquisita, minha saudades de arroz, feijão, purê e pudim ( A Drica que me aguarde na sexta), minha geladeira vaiza (pq eu tou naquelas desligo-não desligo), meu medo do futuro, minha depressão clínica que voltou com o branco total radiante (e eu sei porque já estive exatamente aqui), meu pavor de avião, minhas dores, meus nãos, meus muitos, muitos nãos
"Lá vai o bloco 5. Amanhã segue o bloco 6 e, deus é pai, o sete.
Tou aqui, ensinando pela milésima vez o tiago a fazer báscara. Eu me pergunto se não é melhor ele repetir de ano. Eu me sinto uma completa inútil, uma irresponsável e tenho pena dessas crianças terem eu como mãe. Sinceramente.
Te amo muitamente
Ligo mais tarde pra não dizer nada e te aborrecer.
Eu queria tentar fazer panetone, mas não tem ovo =(
L"
Para você, que me disse que achava que eles eram um casal perfeito.
(se vc não consegue ver as fotas do meu blog, clica com o botãozim da direita do seu mouse e clica de novo no 'mostrar imagem'. Ou então clica no quadradinho branco, ele te leva pro albinho)
Queridos, trabalhando como uma moura, sem tempo para nada, muito menos pegar o elevê com fé e hombridade. Guentem, guentem, que neste domingo meu nome é trabalho, o sobrenomeé atrasado e o apelidoé mal feito. :o))))))
A Pit pede pra avisar e, caras, por favor, prestem atenção. E depois alguém me explica cumé que num Estado supostamente laico, não pode distribuir camisinha, seja dia mundial de luta contra a aids ou não. Todo dia é dia de distribuir camisinha e de berrar na orelha de vcs que todo mundo tem que usar, casados, solteiros, gays, heteros, todo mundo, o tempo todo, para todo o sempre amém. Igreja nenhuma pode se meter num trem desses fios, já que eles não vão ajudar, que não atrapalhem.
A Pit inda pede pra avisar que o encontro dos cariocas é hoje, às 15 h, na estação do trem do Corcovado, no Cosme Velho e de lá eles subirão pro Cristo de carr. Pontualidade é essencial, portanto.