The Beast will make off with your children. He'll come after them in the night
We're not safe till his head is mounted on my wall!
I say we kill the Beast!
Kill him!
*
O que não conhecemos, o que não reconhecemos como parecido conosco, o que pode ou não pode ser uma ameaça, o que pode ou não pode querer o nosso mal, o que vai ou não vai usar tudo o que dissermos contra nós no tribunal, o que vai ou não vai desvendar nosso segredo, o que pode ou não pode gostar de nós, o que talvez - só talvez - possa rir de nossas fraquezas, o que é turvo, o que é límpido. Vamos matar a besta, let´s kill the Beast. O que deve ser morto, exterminado, ignorado e evitado, porque ousa ser qualquer coisa que não somos nós.
* We're not safe until he's dead
He'll come stalking us at night
Set to sacrifice our children to his monstrous appetite
*
Antes de odiar, temer.
* He'll wreak havoc on our village if we let him wander free
So it's time to take some action, boys
It's time to follow me
*
O que mora na torre do castelo, mas que afinal, também vive dentro de nós e nós não conhecemos, não chamamos pelo nome, nunca vimos o rosto, não cobramos aluguel, não queremos nem saber.
* Through the mist
Through the woods
Through the darkness and the shadows
It's a nightmare but it's one exciting ride
*
O que gostamos de chamar de nosso ato de bravura e rebeldia, mas que não é, é puro medo, medo do novo, do desconhecido, do que pode revelar algo sobre nós que nós e que nós - ah, definitivamente - não queremos conhecer. O que não assegura nossos passos, o que não nos dá garantias por escrito, o que não lavra a escritura, o que não checa documentos, o que não segura a nossa mão.
* Say a prayer
Then we're there
At the drawbridge of a castle And there's something truly terrible inside
*
O que nos desafia, o que nos revela, o que pode ou não pode vir a nos machucar, o que ameaça nosso comodismo, o que pertuba o status quo, o que tem sotaque, o que usa roupas esquisitas, o que tem um corte de cabelo estranho, o que cheira a curry, o que come coisas diferentes do que comemos, o que cheira dum jeito diferente, o que é apenas, o que não é da nossa vila, do nosso bairro, da nossa lista de e-mails, do nosso pequeno mundo, do nosso quintal, da nossa família, de dentro de nós, de dentro de nós, de dentro de nós.
* It's a beast
He's got fangs
Razor sharp ones
Massive paws
Killer claws for the feast
*
O que nos obriga a redefinir nossas fronteiras. Ou o que não está nem aí para nós e nossas fronteiras idiotas, mas estamos tão apavorados que nem percebemos. O que exige mudança de ritmo. O que imigra, o que emigra, o que permanece onde está, o que nos fornece um motivo, um mínimo motivo, seja ele qual for, venha ele de onde vier.
* Hear him roar
See him foam
But we're not coming home
'Til he's dead
Good and dead
Kill the Beast!
*
O que é velho demais, novo demais, bom demais, ruim demais, negro demais, branco demais, agudo demais, esquisito demais, diferente demais, sardento demais, gordo demais, franzino demais - o que é diferente demais da idéia que fazemos de nós.
* If you're not with us, you're against us!
We'll rid the village of this Beast. Who's with me?
I am! I am! I am!
*
O que é extremamente justo, o que é profundamente injusto, o que é muito amargo, o que é muito doce. O que lembra, o que esquece, o que nos deixa, o que permanece, o que incendeia, o que explica, o que exclui.
* Light your torch
Mount your horse
Screw your courage to the sticking place
We're counting on Gaston to lead the way
*
O que vive a sua vida e nem sabe nosso nome, o que nos espreita por frestas na janela, o que nos segue, o que fareja o medo. O nosso medo.
* Through a mist
Through a wood
Where within a haunted castle
Something's lurking that you don't see ev'ry day
*
O que é extremamente leal, o que trai sem pensar. O que é puro ódio, o que é amor incondicional.
* It's a beast
One as tall as a mountain
We won't rest
'Til he's good and deceased
Sally forth
Tally ho
Grab your sword
Grab your bow
Praise the Lord and here we go!
*
Vamos matar a besta, let´s kill the beast, que sendo diferente e portanto distante de nós, merece ter a cabeça espetada na ponta de nossas lanças, o curvo de nossos porretes em sua nuca, nosso cuspe em seus olhos, nosso desprezo, nosso medo enorme, enorme.
* We don't like
What we don't understand In fact it scares us
And this monster is mysterious at least
*
O que é lento demais, rápido demais, o que requer exames, estatutos, análises, revisões, pareceres, menções honrosas, certidões, averbações, nada-consta variados, vereditos.
* Bring your guns
Bring your knives
Save your children and your wives We'll save our village and our lives
We'll kill the Beast!
*
Morte instantanea a tudo o que não formos nós, os 'estreitos nós' do Chico, morte a tudo o que vier de fora, a tudo o que for acrescentar, renovar, remexer, mudar, mexer, alterar ainda que minimamente o que nos é mais caro - não o que realmente nos cerca, mas o que queremos acreditar que está ali.
* Hearts ablaze
Banners high
We go marching into battle
Unafraid although the danger just increased
*
Morte imediata a tudo, tudo mesmo, que não entendemos.
* Raise the flag
Sing the song
Here we come, we're fifty strong
And fifty Frenchmen can't be wrong
Let's kill the Beast!
*
Subimos a colina, atravessamos o fosso do castelo e, tochas em punho, exigimos que o Doutor Frankenstein nos entregue sua criatura, aquele que ousou - audácia, audácia - ser qualquer coisa que não fosse nós.
* Kill the Beast!
Kill the Beast!
Kill the Beast!
¨¨Em itálico, letra da música "The Mob Song', do desenho 'The Beaty and the Beast'
Ebó
E se você achava que a caveira de burro enterrada debaixo do apartamento 81 não viria aqui pro Beco do Piolho, tente de novo, meu camarada. Só agora eu tindi que-que seu Agenor, o pedreirinho camarada, tanto escavava a garagem. Ele tava procurando a caveira de burro. E não achou, por supuesto.
... e num ataque de autopiedade ela chorou lágrimas negras no metrô por toda a viagem de volta.
E ao enxugar o rosto pensou que a serenidade de uma vida ordinária teria sido melhor que todas as aventuras vividas até aquele dia.
"Meia pessoa", pensou, "é o que eu sou."
Pedidim
Ah, Alice, me deixa liberar seu comentário, por favor, por favor. Tou tão encantada, deixa eu te exibir. Se não for por nada, no mínimo Rose, Esther, Rui, Vera, Helga, Mauro e Otávio vão simplesmente cair de paixão por vc. Deixa, deixa, por favor.
Oi.
Tudo bão por ai?
Aqui?
Juro por deus que você não quer saber.
* A vida dela é me mandar gravação de música dos menudos e calvinices pelo msn. Sério. Vai daí que eu, que já não faço nada, faço menas ainda.
*
Então, uma das possíveis chapas aqui da eleição de Sumpaulo pode ser Kassab e Alda Marco Antônio. Também teremos Dra Zulaiê Cobra Ribeiro e Marta Suplicy pra escolher. Gente, é sério, isso aqui não termina com '... e esses candidatos entram num bar onde havia um padre, um rabino e um pastor'. Não é piada. E pra provar que não é piada, paira sobre nossas cabeças a ameaça de que talvez ainda tenhamos Soninha candidatinha. Uma das melhores coisas que eu faço na vida é não votar. Eu estou coberta de razão.
* Denize diz:
tremeu aí ontem? Fal diz:
tremeu
eu achei que tava tendo um derrame Denize diz:
eu também Fal diz:
fiquei tão, tão feliz com essa certeza de alguns segundos de que ia morrer Denize diz:
na verdade na hora mesmo eu achei que tava sendo assombrada por um espírito maligno Fal diz:
nossa, me deu um alivio que eu não sentia há muito tempo. foram os segundos mais felizes dos ultimos tempos. Denize diz:
mas fal, a gente nem foi no pompeu ainda Denize diz:
olha fal, foi sinistro aqui no prédio a tremedeira Denize diz:
eu conclui que preciso de pijamas novos Denize diz:
se o mundo acabasse ontem, eu seria barrada por são pedro Denize diz:
tamanho o estado deplorável dos meus pijamas
*
A insônia passa, mas não adianta nada se no TCM passa um filme sobre a Guerra da Criméia, feito em 1936 com o Errol Flyn, a Olivia de Havilland e o David Niven. Eu juro que o elenco é esse. A carga da brigada ligeira. Vou achar foto. Se eu tivesse o telefone dela, tinha ligado, mesmo correndo o risco de acordar a musa, porque ver um filme desses sozinha é um crime, eu não tinha quem cutucar. É racista, é imperialista, é mentiroso até o fim (alunos, lembram da Guerra da Criméia? Nós falamos disso? Russos against franceses e ingleses, numa guerra muito louca da pesada, diria nossa querida Inara, em 1854 (eu tou chutando, eu tou chutando), sem penicilina, luminol, armas de destruição em massa, chiclé e cobertura da CNN). Foi no set desse filme que morreram tantos, tantos, tantos cavalinhos, que a comunidade cinematográfica começou a atentar pros bichinhos usados em filme e por conta disso que começou-se a fazer leis que regulassem o uso de animais no cinema e que garantissem sua integridade física. É um filmaço. Filmaço para homens do sexo masculino. Filmaço. Esse canal, TCM, é espetacular. Tem teclinha no controle remoto da iscái, que muda a dublagem (até que passável) pro idioma original, então ninguém precisa gemer. Flynn e Havilland fizeram o que, uns 10 filmes juntos? Mais? É um melhor que outro.
Achei foto.
Ah, garouto!
*
Ah, Deus, porque é que é tão difícil para mim fazer telefonemas? Não telefonemas do tipo 'oi nega, tá boa?', mas telefonemas sérios e de gente grande. Bléééééé.
*
Pedro, Pedro, Pedro. Vc viu o que o 'melhor amigoooo' de seu papai anda fazendo? Ah, Pedrão. O bão de ganhar a vida nos debates da Luciana Gimenez, é que sobra muuuuito tempo pra vc pensar em bobagem. É tipo assim 'a picaretagem ao alcance de todos'. E, como vaticinou a belíssima Mani, vai vender mais que pão quente.
*
Todo dia 23 de abril, antes de sair da cama, você pedia preu cantar essa música. 'A música mais linda que existe sobre São Jorge, Bibi', você disse, desde a primeira vez. Eu achei que não ia ter pra quem cantar esse ano, mas o Rui se lembrou, ligou, pediu preu cantar (assim como a Helga se lembrou do seu aniversário dia 7 de setembro e me ligou). Parece que duma forma ou doutra, meu benzinho, há sempre um telefonema solitário que me salva, que me salva.
E salva, portanto, vou para rua de sapatinhos vermelhos, a vida toda para resolver, nenhuma coragem, nenhuma placa de retorno.
'Lua bonita
se tu não fosses casada
eu preparava uma escada
pra ir no céu te buscar
E se colasse teu frio com meu calor
Eu pedia ao Nosso Senhor
Pra contigo me casar
Lua bonita me faz aborrecimento
Ver São Jorge num jumento
pisando no teu clarão
Por que casaste com um homem tão sisudo
que come dorme faz tudo, dentro do seu coração?
Lua Bonita, Meu São Jorge é teu senhor
e é por isso que ele 'veve' pisa no teu esplendor
Lua Bonita se tu ouvisses meus conselhos
vai ouvir pois sou alheio, quem te fala é meu amor
Deixa São Jorge no seu jubaio 'amuntado'
e vem cá para o meu lado pra gente viver sem dor
Deixa São Jorge no seu jubaio 'amuntado'
e vem cá para o meu lado pra gente viver sem dor'
Zé Martins e Zé do Norte
Friozim redentor, delicioso, relaxante.
* Faz 3 noites que eu não durmo lá lá.
*
Mas mesmo assim, faz três noites que eu não durmo, la lá
* Pois perdi o meu galinho lá lá
*
Pela quantidade de óculos que tenho encontrado nessa casa, minha mãe está curtindo o Rio de Janeiro pelo método braile, môs fios. A bicha deve tar cega lá.
* Coitadinho lá lá Pobrezinho lá lá
*
Regina, obrigadíssima pelo aviso. Minha equipe internáutica está discutindo a questã.
* Eu perdi lá no jardim.
*
Bão, sexta teve fado. Entro eu na casa (porque é na casa mesmo) do Senhor Siqueira, a filha dele nos atende toda fofa e num lance totalmente anos 70 pergunta se queremos um 'aperitivo'. Adoguei. Daí eu digo que quero uma vódeca. E o idiota do meu amigo de pinga imediatamente começa a rir. Num tendi, fiz cara de paisagem, a moça se foi, 3 minutos depois ela volta com um senhorzinho pequenininho. O pópreo Senhor Siqueira.
- Boa noite, Dr. Otávio. (hohohoh, 'Dr'... o Senhor Siqueira é educadíssimo)
- Boa noite - responde o cretino ainda rindo
- Boa noite senhorita (ah!!!!! ele me chamou de senhorita! é educado mesmo, chama as véia de senhorita. Opa. Otávio, percebo agora que ele tava tirando um sarro da nossa cara). Foste a senhorita quem pediu a vodca?
- Sim, fui.
- Pois tu não sabes que vodca é bebida de comunista? - o Senhor Siqueira estava irritadíssimo - E que o comunismo acabou? Vou mandar vir um vinho!
Hahahahaha, tomei esporro logo na entrada, fios. Mas a música. Ah, a música.
* Ele é branco e amarelo lá lá
* A NINA do Gávea tem bloooooog!¨
* Tem a crista bem vermelha lá lá
*
Pelo que eu entendi, meus alunos de Arte na História invadiram a reitoria, hoho.
* Bate as asas lá lá
* 'A dor que não admite compartilhamento, a ciumenta dor que exige exclusividade. Dor que olha a impotência de quem está ao lado imaginando como seria possível mitigar a dor da amiga, a impotência de tantos amigos e amigas que esta amiga soube fazer, dor que (agora pedindo licença pra "viajar" ou tentar fazer poesia - que a Poesia é sempre verdade e a tentativa de fazê-la alguma hora dá certo) talvez também sofra por causar dor, causar si mesma em alguém, mas é impotente pra mudar seu destino.
Driblar a dor, agir tipo "hoje não é o seu dia de consulta, volte dia tal", acho que ninguém tem força pra isso, né? Ela não toca a campainha, arromba a porta. Fala-se que não dá para impedir pássaro de pousar na cabeça da gente mas dá pra impedir ele de fazer ninho. Não sei se dá. Não sei.
O que nos sobra, querida? Lembranças boas de encontros tão gostosos e, referindo-me a voce, lembrança do som das risadas cristalinas, dos momentos de brilho no olhar, da palavra afiada e, esta parte é a difícil, voltar se perguntando: "como será que ela está?"
Como será que ela está?
Tomara, tomara, tomara que ela esteja bem.
Beijo'
Ela está um lixo, querido.
Mas não conte pra ninguém.
* Abre o bico lá lá
*
E pensar que no sábado, estes doissafados estavam passeando de mãos dadas em Noviórque. E eles inda ficam contando detalhes, dando informaçãozinha miúda, fazendo fusquinha, que é pra gente ferver de ódio malvado no coraçãozim piludo. Francamente. Eu acho essa gente nojenta. Acho que la migra devia jogar os dois num saco de estopa e mandar tudo pra São Paulo.
* Ele faz quiriquiqui
*
E por falar em intolerança, eu voltei a querer que Claudio e Alline sejam pendurados pelo dedão, porque recebi foto linda na qual eles tão muito felizes e animados zanzando pelo monumentos de Milão. Custava muito fazer uma foto com cara de tristes, gentem?
* Procurei no Amazonas lá lá
*
Beco do Piolho, terra de encantos mis.
* Rio Branco e Pará lá lá
* 'Eu também reformei a casa. Tirei todas as cores de paredes escolhidas uma a uma. Ficou tudo branco. Troquei o piso da sala, porque ele vivia tropeçando nos tacos soltos. Como se ele fosse pisar naquela sala de novo.
Eu também encaxotei minha vida. Em caixas de ene tamanhos: de fósforos à caixas de TV 42". Aos poucos, bem aos poucos, estou abrindo-as para ocupar as prateleiras. Tem caixas que abro, vejo o que tem dentro e fecho de volta. Outras, vão direto para o lixo - com tudo dentro. Traça e bicho-papão tem em todas, assim como aromas e objetos que só você sabe reconhecer como tesouros.'
Nina, de novo no LV
* Encontrei-o lá lá
*
E vocês perceberam que eu não estou dando a minha opinião sobre esse monte de besurdos que pulula pelaí? Percebam. E valorizem esses momentos de silêncio.
* Meu galinho lá lá
* 'Impérios desmoronam durante a noite e na manhã seguinte já tem uma concessão explorando o terreno'
Luis Fernando Verissimo, em 'Traçando Roma'
* Eu achei lá no quintal.
¨¨ essa é uma cantiga bem antiga, acho que é de domínio público, e eu adoro a versão
marliniana de encontrar o galinho no quintal.
Mani diz: Viu essa?? Mani diz:
Clooney: filhos de Angelina me lembram porque não quero ser pai Mani diz:
ai, George, George...Por que voce nao me aceitou no lugar de seu porquinho??? Fal diz:
há que se amar este homem Mani diz:
a quantidade de toucinho que eu tenho é a mesma Fal diz:
hohohohoho, téparece
The turning point
Você está frágil. Impotente. Não tem catuaba emocional que te levante. Com dor. Dor. Todos os dias, tudo em você dói. Daí vão os gatos que você ama, que você mima, que você venera e fazem xixi na sua cama. De novo. Sim. Na sua cama. Edredom. Lençóis. E você se pergunta porque diabos está vivendo não no ninho deles, mas na caixa de areia deles. De onde diabos você tirou que merece viver na nojeira, enquanto a caixa de areia física deles está ali, no beiral que você reformou, ladrilhou e botou grade com um dinheiro que você nem tinha (e continua não tendo), cheia de areia limpinha, 3 paus o saco de quatro quilos. Daí, depois de uma crise de choro cinematográfica, na qual você chora bem mais que o xixi derramado, você coloca seus cinco obesinhos amados e a caminha deles na garagem. E seja o que deus quiser. Porque falta muito pouco, talvez nem falte nada, preu virar a velha louca dos gatos. Mas cama com xixi, não.
Então, ao que tudo indica, o louco usou as fotas da vida da Carol e meus textos. Quer dizer, só tem doente. Que nojo, cara. Usar op vovozinho de alguém é imperdoável. Vô é coisa sagrada.
Troca
Fal diz:
Denize de deus, estou passada, a minha vida quase toda tá no fotlog da tal Carol Pacheco. Ela copiou tudo, tudo, não só textos assim mais sérios, até comentários sobre meu dia a dia! Denize diz:
propoe uma troca com ela fal Denize diz:
tô me afeiçoando a vida dela já Denize diz:
tantos momentos felizes, piscina, sorrisos, homi pitbull Fal diz:
hahahaha, ela fica com a minha e eu fico com a dela
* Denize diz:
eu quero saber onde é que ela sofre?
90% das fotos é bebendo xampã e sorrindo Fal diz: hahahahaha, e plagiando meus textos que falam de dor Denize diz:
pois é Denize diz:
daqui a pouco chegamos a 30 páginas impressas que documentam o plágio, Fal Denize diz:
tu vai ter um fotolog carol pacheco com teus textos Fal diz:
que loucura Denize diz:
um livro praticamente Denize diz:
teus textos de dor ilustrados com fotos da vida feliz de carol
Aiai Quero crer que não é plágio, Carol Pacheco, quando você adapta ou quando você usa sem mudar vírgulas. Quero crer que vc esqueceu de citar a fonte.
*
E alguém me explica por que esses 'esquecidos' nunca disponibilizam comentários. Estranho, né?
*
É uma moda besta, babaca, inútil, ridícula. A gente cita a fonte, fios. E, por conta da etiqueta do mondo blog, que é como nos chama a Ângela, a gente dá linque também. Porque mais cedo ou mais tarde, vem um Rogério no LV dizer que viu texto nosso por aí. E, Carol, como eu já disse pra outra moça por email, para me copiar você lê a minha vida. Então sabe que pouco me restou além das minhas palavras. Tenha respeito, bote o linque ou apague. Eu não queria uma advogada e vou precisar. Que saco.
ps: menina, vc não tem vergonha de envolver seu avozinho em plágio?
Mani diz:
e agora, pra demonstrar a misericordia divina Mani diz: House chupa pirulito Fal diz:
Aleluia, irmã Mani diz:
e pra mostrar que o diabo também se diverte: "Meu adversário é o Kassab, diz Zulaiê Cobra" Fal diz:
HAUHAUHUAHUHAUHAUH!!!!!!!!!!!!!!!! Mani diz:
e assista a entrevista da Cobra Mani diz:
frase do ano: "Não se pode ficar a vida toda como deputada" Fal diz:
minha santa rita de cássia
' (...)
O João morreu dia 26/08/06. O Alexandre morreu dia 28/08/07 (certo?). O João se foi por causa de um aneurisma cerebral. O Alexandre, foi por parada cardíaca. Sim, foi de um dia para o outro. Sim, era jovem, saudável, normal e divertido. Sim, não usava cocaína e nunca correu a São Silvestre. Sim, estava fazendo planos e passava por um momento feliz na vida. Sim, teríamos um outro filho. Sim, tínhamos uma viagem marcada na semana seguinte da morte. Sim Nina, você é muito forte. Talvez Nina, não seja nem forte, nem companheira da fraqueza, não fique cega, nem destrambelhe, não faça nada. Solte, sim, solte. Soltar o que? Sim, foi foda, muito foda. Sim, a vida deve continuar, bola pra frente, sou muito nova, terei outros companheiros, mas como? Já passei da idade, mas vou superar, seu filho é o seu tesouro, vocês tem sorte por terem sido tão amados. O João era correto, deixou tudo pra vcs, tem isso, tem aquilo... e tem um dia longo que tudo é uma bosta. Uma bosta longa e fétida. Sim, amigos e família abrem as janelas para amenizar o intragável e aceitar um dia seguinte.(...)
Nina Furukawa, no LV do Drops'
Então
Às vezes ela dá crédito. Não dá linque, mas dá o crédito. Mas às vezes ela usa texto dos outros como se fosse dela, botando o nome dela e tudo. E aí você pensa que, ui, pra usar conversinha alheia de MSN é porque tá grave a crise, muito grave. Porque roubar os textos lindos e elaborados da Ticcia, sei lá, são tão lindos, a carne é fraca, é roubo do mesmo jeito, mas de coisa fina. Mas roubar palhaçadinha de MSN aqui do Drops, Belle, fofa? Que coisa escrota. Dá de um tudo neste mundo de deus.
pideite: descubro agora, ela roubou e adaptou com a maior cara de pau do planeta, o texto que eu fiz pra Lígia. Ela rouba texto bom daqui também, e nem deu crédito pro Tom Jobim, hahaha, vejam vocês.
'Claudio Luiz chegou!
Eu fui buscar ele ontem no aeroporto.
Tá lindo ele.
Daí deixei ele no quarto onde ele ficará hospedado até sexta, qdo
então virá pra minha casa.
Hoje ele já foi pra tal feira. Mas assim que sair de lá ele me liga, e
nos encontraremos logo ali, na Duomo de Milão.
Porque nós é jeca mas é jóia!
Fotos, babados e quetais, mais tarde. Pq Claudio Luiz é homem sério
que trabalha. E eu sou moça de família quase-boa que tento trabalhar
também :-)
beijos,
Alline'
E depois vcs me dizem que são contra a pena de morte, seus liberais malditos.
Carlão, o bão
Nego tem prazer em ser filha da pota, só pode. Deve ser bacana ser um babaca, eu que perdi essa aula e não consigo entender. Curuzes.
Falando em aula, que é pra isso que eu tou aqui, o resto é resmungação: recebi um vídeo sensacional dum professor de cursinho chamado Carlão, comentando a participação braselera na Grande Guerra. Não sei o autor do vídeo, nem quem é esse genial professor (de quem já sou fã apaixonada, quem souber quem é o cara, pelo amor de deus, me conta). Quem quiser ver, me manda email, que eu repasso. Mas manda email, não adianta pedir no LV. fal.drops@gmail.com
Bom fim de terça pra vcs, que aqui tá foda.
Juju - Who's the king of your satellite castle? diz: vc que trabalhou tanto tempo com produção e com moda, será que vc conhece algum colecionador, ou sei lá, alguma coisa especial, que sei lá, conseguisse restaurar aquele meu vestido Guy Larroche?
Mocinha ‘A’ diz:
Querida, a Maria Rita tem cura? Mocinha ‘B’ diz:
rá
tem nada Mocinha ‘A’ diz:
putz, será que nem apelando pro House? Mocinha ‘B’ diz:
bó
se o house aparecer a maria apaixona por ele na hora Mocinha ‘A’ diz:
é duro ser Maria Rita Mocinha ‘B’ diz:
é um infernooooooooo Mocinha ‘A’ diz:
eu quero me matar
mas se não tem jeito eu me conformo, né Mocinha ‘B’ diz:
não tem
a gente é burra até o fim, fia Mocinha ‘A’ diz:
então vamos fazer o aquele teu microsuicídio coletivo Mocinha ‘A’ diz:
eu to vivendo o ápice do meu maior momento Maria Rita da história Mocinha ‘B’ diz:
ai, amore
e eu nem tenho nada pra te dizer
pq eu sou uma imbecil
afaste-se de mim Mocinha ‘A’ diz:
pior, até pq a Maria Rita nunca escuta o que dizem pra ela, né Mocinha ‘B’ diz:
não, ela é surda Mocinha ‘A’ diz:
eu não, imbecis: uni-vos Mocinha ‘B’ diz:
se me deixam, eu mando recado no celular
te juro 'estou no bairro tal, lembrei de vc' Mocinha ‘A’ diz:
eu tb, eu tb Mocinha ‘B’ diz:
olha esse dialogo, fia:
- oi.
-oi.
- tou ligando pq a gente meio que tinha combinado que ia ver 'Meu nome não é Jonnhy' essa semana, e como hoje é segunda feira, eu quero saber que dia, pra poder me programar
- ih, sabe o que foi? eu tava de bobeira no shopping na sexta e fui ver sozinho.
te juro que eu ouvi isso. Mocinha ‘A’ diz:
pqp
eu acredito
nem precisa jurar
tb já ouvi dessas
e pq será que a gente continua?? Mocinha ‘B’ diz:
não seeeeeeeeeeeeeeeei Mocinha ‘A’ diz:
que saco Mocinha ‘B’ diz:
e se ele me ligar HOJE, eu saio com ele
abanando a cauda
de rimel e calcinha combinando com o sutia Mocinha ‘A’ diz:
bah, se eu soubesse escrevia um livro e ficava rica Mocinha ‘B’ diz:
juro por tudo que há de mais sagrado Mocinha ‘A’ diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
sabe aquela história de " migalhas dormidas do teu pão "
raspas e restos me interessam Mocinha ‘B’ diz:
bléééééééééé
Atendiento ao Cliente
Alguém sabe onde eu posso comprar um recarregador de note da dell, posto que a Dell não vai mesmo me atender?O trem é um 650W-AC adapter / PA-12 family. Socorro.
História - para os meninos do curso de arte na histórias, com meus agradecimentos e amor
História é o que acontece sem que a gente perceba, até que num dia numa aula a professora avisa que semana-que-vem faremos prova sobre a civilização tal. História é o que acontece na primeira página do jornal, na votação dos senadores, na decisão do juiz, e quando a mulher negra no sul dos Estados Unidos dos anos 50, sozinha e indefesa, recusou-se a sentar na área reservada para ela num ônibus, isso foi história também. História é o que acontece quando você cuida de mim. É o que acontece quando eu cuido de você. História é o café com leite na caneca amarela e a gata laranja e gorducha deitada aos meus pés, sem perceber que não é um cachorro. História é negar até o fim, é chamar o amado marido de Amado Marido, é renovar o passaporte, dar um mortal de costas, é duvidar, é aceitar o que não podemos mudar, é passear de carro por ruas com nomes deliciosos como Berlioz e Racine e Passo da Pátria, é beber água gelada na Casa London, é perder um amigo sem saber o porque, é herdar um império, é contornar uma revolução, é chorar na frente do espelho sentindo a sua falta. Aprender a usar o fogo para cozer os alimentos é história, chorar de dor e impotência também é. História é nosso medo do escuro, são as florestas pegando fogo e sua mão sobre a minha no meio do filme. História é acordar com um telefonema dizendo que a amiga morreu e não acreditar. E história é acreditar no telefonema. História é inaugurar Brasília, é casar e ter filhos, é deixar a barba crescer. História é descobrir que sua irmã tem um polvo tatuado num lugar indizível, é comer arroz doce na tigela, é perder a Rússia e quase perder um pé, graças ao inverno de 1812. História é comer a melhor geléia de laranja do mundo, é ganhar o Egito quando os generais desmembram o reino do rei morto, é can't help falling in love with you. Fincar a bandeira é história, atravessar os Alpes com elefantes, também. História é pintar as unhas de vermelho e atravessar oceanos cheios de sereias e monstros, sem nenhuma laranja. História são as armas e os barões assinalados. História é amar tchitchia Héuga acima de todas as coisas, é chamar Esabéw de péssima e fazer planos para o casamento da Sofofa. História é a rainha parir em púbico, é gostar de você e odiar ao mesmo tempo, é comprar uma passagem para a Europa, é comer miojo com requeijão. História é o que acontece com os outros, é o que acontece com você e comigo também, todos os dias. História é esperar o moço do guincho chorando sentada no capô do carro, é ver a guerra na televisão, é cair na escada rolante e chorar, não de dor, mas de humilhação. História é não fazer prisioneiros, é montar o consultório em casa, é pagar a promissória no banco, é decidir se os reféns vão ou não ser liberados, é planejar a invasão da Normandia. História é sobreviver contra todas as expectativas, as suas inclusive. História é passear na cidade favorita do Alexandre. História é comer peixe às sextas-feiras, é poder dizer que não se acredita em deus sem ir para a cadeia, é sorrir para a multidão e acenar como uma miss. É passar seis horas com você no café, como se não houvesse um mundo rugindo lá fora. História é quando uma colônia fenícia passa a ser a âncora de seu próprio império, uma das maiores potências navais e comerciais da Antiguidade, fundando suas próprias colônias e portos comerciais. Desempacotar livros e se desesperar com gavetas que não existem é fazer história sim, como não? História é um telefonema secreto de madrugada, é encontrar lugar para um velho gato numa nova casa, é tomar vacina, é sentir saudade, muita, muita. Criar cavalos e cães em Caxambu com as melhores pessoas do planeta, é história. História é quando a Mana mora em Belém. História é perder a cabeça na guilhotina, é demitir ministros, é passar as tropas em revista, é alargar as fronteiras, é vencer, é perder, é sitiar Viena, é descobrir o café na África. História é morrer alegremente pelo general. Ter cabelos toinhoinhoim e um lado totalmente Tchaquinóris é história pura. História é sermos examinados pelo médico de Saladino quando estamos tendo ataques de malária, é perder a Inglaterra, é ganhar a Inglaterra. História é ver todo mundo que você ama indo embora e não poder fazer nada sobre isso. História é ter certezas enormes, verdades de tamanho médio e medos pequenininhos. História é quando suas flores preferidas são copos de leite e você procura palavras no dicionário e se sente tão pequeno, tão pequeno. Passar manteiga no pão, é história e tacar açúcar no toddy morno também é. História é quando o amor da gente mora em Milão, é ter o coração partido de todas as formas possíveis e não poder mais. História é ser o filho adotivo de Trajano, é entender que o Império não pode crescer mais e construir um muro, é listar mais de quatorze mil usos para o sal. História é entender que os bárbaros queriam ser romanos e não destruir Roma. História é abrir mão do que mais se ama, é lutar pelo que mais se ama, é conhecer o que mais se ama. História é ter aprendido a ser grego com Alexandre, o Grande, filho de Felipe II e não ser nada além disso há quase três mil anos. Perder dois bebês, situações diferentes, a mesma dor, é história. História é saber quem foi Panoramix. História é entender que Roma está mais perto de nós no tempo do que qualquer outra grande civilização antiga, que falamos um filhote de seu idioma, comemos o que eles comiam, aplicamos suas leis, nos batizamos com seus nomes, andamos por suas estradas, que temos a mesma pressa, a mesma ferocidade imperialista, a mesma falta de respeito por qualquer cultura que não seja a nossa, a mesma aristocracia decadente, a mesma fome de vida – a nossa e a dos outros. História é buscar respostas num curso on line, é fazer novos amigos, é ter uma roupinha de ver deus no armário, é casar em Lages com pompa e circunstância, é ter cabelo de boneca, é pegar um avião lá em Brasília só pra ver tevê com a amiga em São Paulo, enquanto ela chora, com Baco sentado em seu peito. História é gravar um cedê do Sidney Magal para a amiga que não está muito feliz, é aprender uma velha canção. História é ter um amigo que vai a Portugal como quem muda de roupa, outro que liga de Seatlle para encomendar sambas e outro que faz interurbanos de lugares tão deliciosos quanto a Malásia ou as Ilhas Maurício, para contar sobre o arranjo de flores da mesa do café da manhã. Temer o invisível, acreditar em forças ocultas e em lendas de meninos criados como lobinhos? História é nunca acordar o gigante adormecido. História. Mudar com furões para o meio do mato também é. Várias histórias, pequenas e grandes, importantes e medíocres, engraçadas e trágicas, tiveram que atuar juntas para que nós pudéssemos estar aqui, fazendo história também e enchendo a cara sempre que possível, porque ninguém é de ferro. História é quando seu amor mora em Campinas e você não, é quando você põe uma roupa bonita para beijocar a moça mais bonita ainda que a roupa e que está de aniversário, é comprar um apartamento duplex com vista para o mar no condomínio Carlasan Towers, é prender bandidos no Ceará, é carimbar passaportes no Amazonas, é abraçar a moça de óculos no café da manhã das estrelas, é apaixonar-se à primeira vista pela moça de cabelo escuro. História é construir a ponte, é queimar a ponte, é quando seu irmão mora tão longe, tão longe, é cercar o castelo, é comer açorda de gambas num boteco na Alfama, é fotografar o gatinho que dorme, é renunciar à coroa, é trair um juramento, é trancar os desafetos na Torre de Londes, é deter um exército, é entender que nem sempre o X marca o lugar. História é a espera, o monstruoso, o divino, o que depende de nós e o que escapa ao nosso alcance, o que nos emociona e o que nos faz berrar de ódio, outra dose de vodca, outra música, mais uma fatia. História é perder seus sonhos, suas certezas, sua família, a fé que depositaram em você, sua pátria, suas chances, as vidas de vários companheiros, a sua própria vida, o legado de seu pai, é trair a própria biografia, é perder não um, mas dois impérios: Cartago – o império donde se veio, e Roma – o império que nunca se teve. Quase sempre, alias, história é perder tudo, tudo, tudo. É história o que nos faz chorar sentados no box, a água morna do chuveiro, a luz que não se faz, o final que não chega, alívio nenhum.
As cartas que eu não mando¨¨:
anotações perdidas em bloquinhos misteriosos enquanto eu roubo a música do Leoni.
(Tou de volta, beibe, você tá bem, tudo certinho? Seguem aí dois pedaços de escritos espaçados. A luta continua, compañero.)
4.4
A vizinha com quem minha mãe mais se dá se chama Célia (temos duas Célias na rua, a da minha mãe, que mora no lado oposto da rua e a Célia-dos-gatos, que é nossa vizinha imediata, parede-com-parede). A Célia da minha mãe é uma das criaturas mais engraçadas que eu já conheci. Morena, fumante, voz fortona, despachada e – glória maior da minha vida – veio aqui hoje cedo pedir côco ralado de bobs!! Sensacional. Ela tem dois filhos crescidos e cuida dos filhinhos de um deles – uma menina de seis anos e um bebezinho de colo – assa os próprios pães, faz aquele docinho no qual uma uva sem caroço é banhada no mais enlouquecedor creme sei lá eu do que pra depois a gente mandar pro bucho na maior felicidade, pinta o próprio portão e tem opinião sobre tudo. E sempre uma opinião engraçadíssima.
* Rio de Janeiro, hoje é 23 do 3
Como vão as coisas?
5.4
3 meses de roupa acumulada sendo lavada, agora que a reforma acabou. É roupa que nunca mais vai acabar, em verdade vos digo, é desesperador.
* De mês em mês eu me sento
Pra escrever pra você
6.4
Ontem teve aniversário. A sobrinha da Vera é tão linda que dá ódio. Só a gente abominando uma mulher com aquela pele e aquela graça natural, ela é total soft, total, ela é chique, fina, tem um nariz absolutamente perfeito, a pele dela é um pêssego, ela não sua, o cabelo dela é daquele liso inabalável e estático, não o meu liso que em dez segundos tá todo zoado e de pé, ela é inteligente e engraçada. É preciso muita superação cristã pra amar uma criatura dessas. Que diabos de DNA é esse, eu me pergunto.
* Eu reformei a casa,
Você nem soube disso nem das outras coisas
Sabe, eu tive um filho
*
Eu sempre digo que ao contrário do que nossos preconceitos nos levam a acreditar, tem amigos que sim, só funcionam na internê. Tem amizades que sobrevivem ao translado internê – mundo real, mas tem amizades que não guentam oxigênio e que nem por isso são menos bacanas ou importantes ou necessárias ou lindas. Tenho vários amigos de rede que sempre serão amigos de rede, porque a gente tentou no lado de cá e mesmo ninguém dizendo nada, sabemos que não deu certo. E tem, claro, gente que você sinceramente amava na tela do computador, mas que daí você conhece no mundo aqui de fora e ama mais, nem sei como pode isso. Assim sendo, Pri, foi um enorme prazer. Adorei te conhecer deste lado da telinha e ver que somos compatíveis aqui tb.
* Faz tempo que eu me perdi de você
*
Dito isso, gostaria de declarar que não tenho nível econômico pra ser dessa turma. Sou pobre demais para vocês, meus filhos, nosso lugar de amizade é mesmo aqui na tela, cem reau o carnê da internê da Claro.
* Guardo pra te dar as cartas que eu não mando
*
Meu quarto - o apart hotel do Conde Drácula - em vez de janela, tem uma porta balcão. Que dá para o nada, porque o que eu tenho ali não é uma varanda ou uma sacada, nada disso, é apenas um beiral beeem estreitinho, onde eu posso colocar a caixa de areia dos gatos – assim que fique pronta a gradinha que impedirá que eles pulem para a casa de uma vizinha pouquíssimo tolerante, cujo nome eu me esqueci.
A Maloca sabe, a Maloca viu.
Dá um certo pavor saber que esses gatos vão acabar saindo pra rua e que alguns, sendo otimista, podem não voltar.
Espero que, como os gatos que eu tinha no apartamento quando eu morava com meu pai e que se mudaram conosco para a casa na Rua Itápolis em 1997, meus burrinhos lelés aprendam a se virar e aprendam a voltar.
Sei que não é o ideal mas eu simplesmente não tenho mais o que fazer.
É impossível lacrar completamente essa casa.
E minha vida também mudou para pior – apesar da casa da minha mãe ser uma delícia e da minha mãe estar me tratando com paciência e bondade inauditas – mas porque não era aqui que eu queria estar, não era a vida que eu queria ter, porque Alexandre me faz tanta falta que às vezes eu mal consigo respirar.
Então eu sinto muito, muito pelos gatinhos e tomei todas as providências que estavam ao meu alcance para que eles tenham dificuldade de sair daqui e facilidade para voltar. Vacinei e vermifuguei todos e pretendo manter essas coisas todas em dia (quando se mora em apartamento tendemos a relaxar neste particular, o que muito me envergonha admitir).
Mas realmente eu não posso fazer mais nada. Nem rezar, porque eu não sei. Só torcer – e fazer ‘ola’, que segundo a Fernanda P. é o que os ateus fazem, em lugar de sinal da cruz, rituais e orações :o))).
Espero do fundo do coração que eles saibam voltar e voltem intactos.
Racionalizações, racionalizações.
* Conto por contar e deixo em algum canto
*
Essa foi uma semana repleta de emoções: gatos fazendo xixi na minha cama, canos da lavanderia explodindo, meu quarto alagando, os caras da Telefônica não dando as caras e chuva, chuva, chuva. De modos que minha mãe resolveu ir pra casa do Pedrão só na semana que vem. Amém.
* Vi alguns amigos tropeçando pela vida
7.4
Terapia, papelada, apartamento dos outros, beijocas em Glória Helena e cachorro quente na USP com Ferdi e Nenéia. Com tudo, menos vinagrete.
* Andei por tantas ruas
São estórias esquecidas que um dia
Eu quis contar pra você
*
Mauro no telefone. Planos para café.
* Eu fico imaginando sua casa, seus amigos
Com quem você se deita, quem te dá abrigo
*
Lembrei que devo 'PELINFA' pro Gil.
Gil, quando a gata da irmã do Alexandre teve gatinhos lá em casa, nossa vizinha do segundo andar, a Márcia, achou um gatinho bebê na rua. E o levou para mamar na gata recém parida. Ela batizou a bebezinha de Felipa, mas o Alexandre era um palhação e subverteu o nome, chamando a menininha de 'PELINFA'. E ela era a caçulinha, os irmãozinhos já grandes, todos lambiam ela e brincavam com ela e mimavam ela, ela era o bebezinho de uma turma de 10 gatos, mimadíssima, a gente tb mimava, pq agora ela era o único bebê de verdade da casa, então ela era felicíssima, molinha, bobona, uma gata feliz. Então 'Pelinfa' virou sinônimo de 'feliz' lá em casa. Depois de comer meu camarão na moranga ou de ver um filme de serial killer daqueles bão, ou depois de uma soneca, o Alexandre dizia que estava 'pelinfa'. E daí o Alexandre me ligava no meio do dia e dizia " Bibi, a Pelinfa está Pelinfa?".
Estar pelinfa é isso, é tar feliz, molinho, contente, mimado, amado, quentinho. Tendeu?
* Eu me lembro
Que eu já contei com você
8.4
Então, o Itaú resolveu finalmente cortar fora meu bagos e assim o fez. Estou fodida. Mas com o mesmo vocabulário impecável de sempre, a mesma finesse, o mesmo aplomb, a mesma crasse.
* E as pilhas de envelopes já não cabem nos armários
*
Horas e horas de telefone com o Rui. Sempre bom.
* Vão tomando meu espaço, fazem montes pela sala
9.4
Beiral pronto para receber a caixa de areia, gatinhos no mundo. Berta, a mais magrinha e a mais despachadinha, já dá sumidas enormes, hoje passou a noite fora de casa e voltou. Eu, com o coração na mão e ela voltou. Verdade que foi parar no muro da vizinha e não sabia descer, Maliu subiu lá pra buscar, porque mãe é bicho santo mess, mas enfim. Bertinha vai se jogando no mundo enorme e misterioso que existe lá fora. Demais obesinhos permanecem quietinhos grudados na bara da saia de mamã, até quando, até quando.
* Hoje são a minha cama, minha mesa, meus lençóis
*
Hoje, enquanto o pedreiro quebra a garagem em busca de um vazamento misterioso, tenho a conta de Alexandre para fechar. Nada, nada, nada é mais difícil que esse tipo de providência para mim. Nada. Eu odeio o mundo real e tenho muito medo dele e me dói demais. Tudo me dói demais.
* E eu me visto de saudades do que já não somos nós
*************************** Caleidoscópio¨¨
9.3
HUAUHAUHAUHA, rola aqui no TCM filme do J. Houston, de 1942 com a divina Bette Davis. Ela está linda, sobrancelhas de deusa, fumando que nem uma caipora véia e lá pelas tantas ela vem com o pretê casado pro Rio. Hahahahaha, o motorista do taxi deles é italiano e tem cara de mexicano. Esculhambação total.
* Não é preciso apagar a luz
Eu fecho os olhos e tudo vem
Num caleidoscópio sem lógica
*
Fechei a conta do Alexandre. Chorei, claro, na frente dum gerentinho-bebê duns 23 anos que não sabia o que fazer com aquela tia velha e gorda, fungando e soluçando em pleno horário comercial. Para me consolar, ele começou a contar que a vó dele morreu ano passado. Tadinho.
* Eu quase posso ouvir a tua voz
Eu sinto a tua mão a me guiar
Pela noite a caminho de casa
*
Foda esse filme é que a mina se dá conta que ela está é agradecida pelas migalhas que ele oferece. Ele fala com ela e ri das histórias dela e a leva pra passear e tal e ela se sentindo tão bem, tão feliz, mas é só migalhinha, ele tem a vida dele, ela é só um passeio.
É foda, né?
Dói admitir que a gente é só uma distração, a gente é criada pra querer ser a jóia da coroa. E nem é que a gente é criada, é natural, é humano querer ser a jóia da coroa da vida de alguém.
Um belo dia você é obrigada a encarar que o almoço no italiano e o martini do Seu Martinho, um marco na sua existência, para ele foram só um detalhe.
Ou ainda, e essa é uótima: conheci a mãe dum amigo. Ela foi tão, tão, tão gentil comigo, que eu achei que fosse desmaiar. Eu realmente me senti especial com o tratamento dela. Dias depois, fui comentar isso com ele, meio que pra elogiar, meio que pra agradecer e ele me sai com "Ah, não, imagina, ela é assim com todo mundo".
Hahahaha, bem feito, toma sua burra.
* Quem vai pagar as contas deste amor pagão
Te dar a mão, me trazer à tona prá respirar
*
Então, o Senhor Aldenor, nosso pedreirinho camarada quebrou tudo, descobriu o pobrema com a área de selvissio e fechou o buraco do chão da garági. Reza, fio, reza mess, porque fácil não está.
* Quem vai chamar meu nome
Ou te escutar
Me pedindo prá apagar a luz
Amanheceu, é hora de dormir
Nesso nosso relógio sem órbita
*
De tardinha levei Maliu ao depósito de material de construção (mais cimento, mais areia, mais de um tudo). Na volta, a Célia da minha mãe estava no portão, com um vizinho. Caras, o cabelo dela era que nem o das Panteras. Eu amo a Célia da minha mãe, ela é espetacular. Dia de semana, a janta nem começou a ser feita ainda, e a Célia era um poder na rua, de cabelo de Panteras e blusa de malha sem manga. Tive um amigo um dia que, se a conhecesse, diria 'Essa coroa é meu target'. Lindona.
Se tudo tem que terminar assim
Que pelo menos seja até o fim
Prá gente não ter nunca mais que terminar
¨¨ Herbert Vianna artista gentilmente cedido pela Paralamas SA