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segunda-feira, novembro 30, 2009

Entradas e Bandeiras

Julie&Julia

Os banquetes de antigamente começavam com virgens etíopes fazendo danças tremilicantes, eunucos eruditos declamando versos épicos, escravos tirando as sandálias dos convivas e untando seus pés com óleos aromáticos, menestréis entoando cantigas de amor, cães e cavalos fazendo malabarismos, ablução das mãos (muitas vezes com vinho, quéridos), vinho quente temperado com mel servido em taças de ouro maciço mesmo antes do visitante sentar, sacerdotisas vestais nuas tocando flauta, garotos impúberes entoando poemas de Trimalquio (personagem de Petrônio em Satiricon), ânforas transbordando vieiras (te mete), fontes de prata em formato de cabeça de javali jorrando vinho resinado, bandejas de prata e ouro cheias de tâmaras egípcias, pés de camelo, línguas assadas de rouxinóis e garças, miolos de flamingos, vesículas de lampréia, carpaccio de foca, camarões glaçados, esquilos caramelados, javalis assados que quando tinham seus ventres trinchados liberavam revoadas de tordos e sabe Deus o que mais. Terrine de carne de apatossauro creio eu.
Essa foi a coisa mais importante que eu aprendi lendo o livro “O Banquete” de Roy Strong: a gente é pobre e vive mal.

A segunda coisa mais importante que eu aprendi no livro foi que tempo houve, meus filhos, em essa frescura de "entrada” já foi muito mais animada que a nossa saladinha e o pão com berinjela. Mas sempre existiram, claro, as refeições onde todas as travessas são postas sobre a mesa. “Como na minha casa!” Claro. Na maioria das casas, hoje e sempre, as travessas são todas postas em cima da mesa (nenhuma com língua de papagaio assada, espero) e fim de papo. E notem que eu fui simpática e disse “na maioria”, porque se vocês querem saber a verdade, na minha casa, a criatura se servia mesmo era no fogão. Quando tinha janta, rá.

Mas hoje eu não quero falar do “todo dia”. Quero falar da exceção, do jantar especial que você vai fazer, não importa para quem.

Bão, esse jantar especial cheio de frescuras e delícias tem que começar pela entrada. Tem? Tem, caramba. É lindo, vá? Faça um esforço de reportagem e capriche. Só dessa vez (rarará, você está deixando uma mulher que obrigava o pobre do marido a fazer o prato no fogão lhe dar conselhos sobre como montar uma refeição? Você é doido).

Esse negócio de entrada foi inventado e reinventado, em diferentes momentos da história. Essa idéia de começar a refeição com um prato leve e gostoso que nos prepare para o resto da refeição, teretetê reaparece e é saudada como uma grande “novidade”.

A reinvenção mais recente da entrada vem da primeira metade do século XIX – também me ensinou o professor Roy Strong.
A burguesia européia, seguindo a tradição da classe operária – de onde, aliás, havia saído – levava à mesa todos os pratos da refeição, para que cada um começasse por onde quisesse: salgados ou doces, sólidos ou líquidos. Mas conforme essa burguesia ascende, tem contato com a nobreza, ainda que a pequena nobreza, e passa a oferecer e a freqüentar jantares festivos com maior freqüência, ela também passa a montar cardápios que incluam a entrada.
Enfim, ainda que este não seja um hábito possível para todos os dias, ainda que você não vá promover sacrifícios rituais antes do jantar (pelamordedeus, se você for matar um bode antes do jantar, não me chame) e nem vá ter arautos euripidianos anunciando que os defianos podem entrar, pense em começar algumas refeições, com ou sem visitas, com uma entrada gostosa, colorida. Só pela frescura da coisa.

Gaspazzo da Dona Antonieta: Para cada oito tomates, dois pepinos, um pimentão vermelho e um pimentão amarelo (lá na casa do Velho Affonso, meu avô paterno, era tudo com pele e com sementes, em cubos maisômenos, nada de muita gracinha, que lá só tinha draga), o Velho juntava um cálice (daqueles titicos, de licor) cheio de vinagre. Da cor que você quiser, não interrompa o velho com futilidades. Depois, mais ou menos a mão cheia de nozes picadinhas (caras, a mão do meu avô era e-n-o-r-m-e), uma colher (grandona) de alho picado e uma cebola (ou duas, lémcasa todo mundo amava cebola, té as crianças). Ah, esqueci, pressa medida de tudo, uma fatia de pão italiano despedaçadinho. E água gelada. Liquidificador com tudo. Vai pondo a aguinha pra maçaroca bater, mas não pra liquefazer, pretenção. Formô. Sal, pimenta do reino, geladeira. É ridículo de tão fácil. É uma vergonha dar essa receita aqui pruns leitores tão sabidos que me mandam receita de nhoque de abóbora (Claudia Lyra, a fofa da Ivete nos salvou, é nóis, agora só temos que convencer a Zel a nos alimentar). Mas era meu avô que fazia e a gente comia rezando. Ou seja lá o que uma família de ateus faz quando consternada e posta frente a frente com o Divino.
Quando tinha, o véio botava uns dois ou três ovinhos de codorna no fundo de cada prato. Mas nem sempre tinha. Ah. sim, e azeite. O Velho fazia um circulo de azeite depois de encher o prato com esse creme gelado. É minha entrada preferida ever.

(Por que é que o Gaspazzo chama Dona Antonieta? Porque o Velho Affonso era casado com ela, oras. Ela, aliás, não entrava nunca na cozinha, hahahaha, nem pra lavar a louça.)


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Hummm... correspondência secreta

"Fal,

Sou eu @carlaandrea, a gnt se fala no Twitter, mas 140 caracteres é pouco pro que eu quero te falar. Depois de ler o Drops sexta e ver o Trailer do filme (e me emocionar e ter a certeza absoluta de que se tornará um dos meus filmes favoritos). Fiquei inspirada e passei o findi cozinhando e derretendo é claro. Já cheguei em casa animadaça e fiz um sorvete de chocolate que é o bitcho, sábado fiz costela de porco chinesa (modéstia parte receita minha). Abaixo te mando as receitas pra não ficar aguada. Mas devo dizer que vc me emociona, tua critica do filme é acachapante, chorei só de ler. Mas eu choro a toa, bom que desopila o fígado e faz bem pro coração. E ô compro manteiga só pra cozinhar, sem sal, e ai de quem tentar come-lá com pão. Eu e meu marido adoramos cozinhar e estamos tentando aderir a dieta do vinho (ele tem colesterol alto e é claro que prefere o vinho a linhaça e aveia que lhe empurro no café da manhã). Minha memoria afetiva passa pela gustativa e não posso comer nada que me lembre o que minha avó cozinhava pra mim, simples assim. Bolinho de chuva é choro na certa. Seu Azevedo me lembra o Balthazar (meu falecido pai) que aliás me chamava de manteiga derretida. Semana passada vc comentou sobre Amendocrem na Liberdade e eu te perguntei por DM adadonde e vc nem tchum, quérida devo ir a Sampa no findi próximo já que maridon está trampando ai, me diga aonde é a fonte da felicidade pois se for não perderei a feirinha de lá no sábado. Te amo, amo o Baco e teus gatos tbm.

Bjkas,

Carla Andréa Frederico

&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&

Sorvete de Chocolate

1 barra de chocolate meio amargo 170 gr
2 ovos
2 cx creme de leite
2 cl de mel

Aqueça o creme de leite no micro ondas 1 mim.
Acrescente o chocolate e mais 1 min no micro ondas
mexa com o fuet (guanache)
Separe as claras das gemas
Peneire as gemas e bater com o fuet no creme
bater as claras firmes e ir acrescentando mel ponto de merengue
misturar no creme e acrescentar uma cl de vodka
dividir em 6 vasilhas e por no freezer.
( eu é claro me embebedei de vodka e taquei de olho) e pus numa vasilha de vidro só para poder de meia em meia hora retirar e bater com o fuet. Fal ficou bão pareçe mousse congelada, mas é pros que como eu gosta de chocolate amargo, não sei se com o ao leite fica bom)

Costelinha a chinesa

Qualquer carne de porco com osso carré, costelinha
Num saco plástico limpo e sem furos acrescentar (não me peça quantidades eu faço de olho e vou provando)
Shoyo, óleo de gergelim, molho de ostra, limão, mel, saque culinário
(pé de cana só cozinha com algo alcoólico no meio) as vezes coloco gengibre em fatias

Coloca a carne fecha o saco sem ar e deixa marinando no mínimo 1 h, levar ao forno coberto com papel alumínio meia hora, depois tirar e deixar dourar, ai eu acrescento cebola cortada em 4, batatas, alho com casca e tudo para assar junto e vira acompanhamento.

Bon Appétit ma cher amiè"

Eu num guento, quilida. Obrigada pela carta deliciosa e pelas receitinhas. :o)))
E é o Marukai, fia, Marukai. Maloca que me disse, porque eu não fazia a menor idéia. (com acento, porque a idéia é minha, haha)


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domingo, novembro 29, 2009

Por dentro da caverna

Julie&Julia

Ritualizar refeições foi algo que aprendemos a fazer desde sempre, muito antes de gregos, etruscos e romanos, antes ainda de sumérios e egípcios. Mal havíamos coberto nossos corpos de peles de animais quando começamos a lançar as bases rituais de nossas refeições e se uma equipe de arqueólogos descobrir que na pré-história, uma certa dona de caverna tinha uma cumbuca de pedra mais bonitinha, separada para as visitas, eu não vou me espantar.
O fato é que nós adoramos visitas. Mesmo as chatas. Mesmo as que passam os dedos nas nossas prateleiras de livros procurando por sujeira. Mesmo as que não vão embora nunca. Mesmo as que deixam seus filhos descontrolados e indomáveis aterrorizar nosso gatos.
É humano gostar de exibir a caverna para os membros da outra tribo.
Portanto, se você ainda não sabe, aprenda que receber tem a ver com coreografia, capacidade de criá-la, de segui-la e de improvisar.
Nós, os temerários, temos que ter em mente 10 passo simples, mas fundamentais, para que possamos exibir nossas cavernas para hominídeos doutras tribos sem perder a razão.

1) Olhe em volta
Antes de mais nada reconheça os limites físicos da sua casa. Seja franco: cabem trinta pessoas aí? Seus sofás estão em condições de uso? Você tem louça suficiente? Pelo amor de Deus, você tem cadeiras, ou um chão em consições de uso? Você gosta mesmo de receber? Está disposto? Sabe o trabalho que dá antes, durante e depois? Quer desistir de tudo e marcar na pizzaria da esquina?

2) Olhe para o relógio
Outra coisa a ser considerada é o limite de horário para barulho do seu prédio. Não existe coisa mais broxante do que um interfone tocando às 22:01h e o porteiro anunciando que “o síndico mandou parar com o barulho”. Você não gosta do barulho alheio e os seus vizinhos odeiam o seu barulho também. Respeite ou mude de casa.

3) Quente aqui, né?
Preste atenção na temperatura da sua casa. No meu apartamento, por exemplo, só podíamos receber visitas de maio a setembro. Acontece que o sol se põe exatamente na janela da sala, os cômodos pegam todo o sol escaldante da tarde, o que transformava nosso lar de outubro a abril numa estufa, e nossas visitas em pãezinhos.

4) Antes de pensar nos convidados
Não se esqueça, ao fazer as contas, de incluir o pessoal da casa! Se moram seu marido, sua mãe e você, já são três convidados a menos.

5) Agora sim: Quem, como e porque
Quantas almas podem fazer uma refeição em sua casa, sentadas à mesa ou não, sem dramas existenciais do tipo prato num joelho copo no outro e a comida sendo ingerida telepaticamente? Por mais amigos queridos que você tenha, nunca ultrapasse o limite da lotação da sua casa. A queridância diminui muito quando seu amigo mancha a camisa que adora ao desequilibrar a taça de vinho, pois não há lugar para apoiá-la. Então, preencha os lugares com lugares com pessoas queridas, que vão visitar você por amor e não para comer de graça (e acredite, o mundo está cheio de gente assim), que sejam divertidas, prestativas e que não sejam apegadas a valores burgueses como comida quente e louça limpa. Assim, se tudo der errado, vocês darão boas risadas, você terá ajuda para recolher os cacos e companhia para a coca-cola quente e para a pizza fria. Portanto não tema limar a prima que resmunga, o amigo que carrega para a sua casa o filho chato e sem educação e a cunhada maledicente. É a sua casa, sua noite e seus únicos problemas devem ser o ponto da calda de açúcar e o humor do suflê.

6) Listeeeenha
Pense no que vai ser servido. Quanto vai custar. Quanto tempo de fogão será necessário. E se você tem tempo e grana. Beneficie-se com a minha neurose, pequeno gafanhoto, e aprenda: não deixe nada para a véspera. Mesmo seres temerários como a Zel, que de vez em quando se transmuta no cancão de fogo e tenta receitas novas aos 44 do segundo tempo, começam a esboçar o cardápio semanas antes. E não, você não é melhor que a Zel. Então, planeje a bagaça antes.

7) Peça ajuda aos convidados
É. Às vezes o fluxo de caixa tá bacana e você só pede que cada um leve seu próprio veneno. Às vezes a coisa não está tão linda assim e você pede que quem puder leve um pratinho. O que é que tem? Ninguém com um mínimo de juízo vai se ofender. Ninguém vai dizer ‘se ela não está com grana, ela que não convide’, acredite. Todos vão preferir sua deliciosa companhia, ainda que isso signifique fazer um patezinho ou passar na padoca e compar pão. E quem não se sentir assim nem merece ser convidado para nada, tire essa gente da sua vida.

8) Beauté
A Denise e o Max, grandes anfitriões, ensinam: "coordene tudo para estar pronta a tempo. É terrível o povo chegar e você ainda estar de avental e chinelos.” Rá.

9) Anthony Hopkins feelings
Se você é daquelas criaturas que recebem no esquemão cozinheira, copeira,arrumadeira e o Antônio pra coordenar as operações, parabéns. Eu não nunca tive nada disso. Eu recebia com a cara e a coragem, sempre. Claro que o valoroso Alexandre entrava na dança, assim como uma visita mais 'de casa', geralmente Carina, Maloca ou Lígia (meu Deus, que saudade da Lígia). Por isso, escale marido ou amiga querida para ajudar e avise à criatura que ela dançou e vai cortar um dobrado no dia do festejo. Mas atenção: esteja à disposição no dia em que ela resolver dar uma festa.

10) Sorria

Relaxe. Beba outra vodca. Diveirta-se. Se não era pra ficar mais feliz, por que você inventou esse negócio?


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sábado, novembro 28, 2009

Ora pro nobis

PadreMario

Padre Mário foi o padre favorito de minha vó.
Vovó adorava o Padre Mário, Padre Mário adorava vovó.
Padre Mário foi um dos muitos padres da vida devotíssima de Dona Cida, vinda de muitas missas, muitas promessas, muita esperança.
Vovó não pedia nada a santo nenhum, vovó dava ordens bem sisudas preles e os santos que não eram nada bestas, obedeciam, Deus os livrasse, mulher mandona, mal humorada, era melhor obedecer. Vai daí que Padre Mário era o companheiro ideal para a vovó, assertivo – para usar uma palavra da moda. Dona Cida e Padre Mário, dupla feita nos céus. Nenhum dos dois era muito chegado a uma democraciazinha, os dois acreditando no Insofismável, no Indizível, No Que Tudo Pode.
Padre Mário, bom de copo, bom de prato, ótimo de papo. Padre Mário, o padre favorito da vó, padre querido, amigo de todas as horas, riso fácil, rosto redondo, olhos bons.
Reproduzo a única foto que tenho dele, em pleno ofício, não tenho foto dos dois amigos juntos, pena, foto que tiro daqui ligeiro se alguém reclamar.
A receita de que melhor me lembro e da qual ele mais gostava, era um nhoque com massa de mandioca em vez de batata massa. Para cada quilo de mandioca descascada e cozida, a Dona Cida acrescentava uma xícara de leite, um ovo e duas xícaras de farinha (num é fácil decorar receita assim? Eu me só me lembro por causa desse um-um-um-dois.... que tonta que eu sou). Ela misturava tudo numa tigelona, ao contrário das outras massas de nhoque, que eram preparadas em cima do tampo da mesa, mesa verde de.... céus, não sei o nome do material, quando minha mãe chegar, pergunto prela. Acontece que essa massa específica tinha que ser feita na tigela porque fica... molenga. Daí, a massa ia sendo transferida pro saco de confeiteiro, minhoquinhas de poucos centímetro eram lançadas n’água fervendo através do bico do saco (gente de Deus, que conversa esquisita pruma crônica sobre padre), as minhoquinhas afundavam e, tharããã, cadim depois fiavam prontinhas, boiandinho. O truque, se me lembro, é ir fazendo de pouquinho, não pode lotar a agüinha quente de minhoquinha. Tá científica essa minha receita.
O molho era à base de lingüiça calabresa, eu nem preciso explicar, molho de lingüiça é uma safadeza, todo mundo sabe fazer. Padre Mário era bem tratado pacas. Mas ele merecia.
Ô Padre Mário, guia espiritual e amigo do Jabuca inteiro, queria poucas coisas mais do que quero cozinhar pro senhor, lembrar da vó, falar do que fomos, ver fotos antigas, levar bronca por não ir à missa, ovelhinha perdida e não muito arrependida. Amém. Por onde o senhor anda?


(pessoal do filme de ontem, corre no LV e conta o que achou!! e quem for ver o filme hoje também!)


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sexta-feira, novembro 27, 2009

Hoje!!

<Julie&Julia

Ei, queridos, Julie&Julia estréia hoje!
Eis os links com as salas de cinema que estão exibindo o filme em várias cidades do país:

São Paulo

Rio de Janeiro e aqui

Belo Horizonte

Recife

Porto Alegre

Brasília

Curitiba

Campinas

Vejo você no cinema, docinho.


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Em busca da receita perdida

20 de junho de 2009, bolinhos da Telinha para Victor e Bernardo

Fal meu amor, estou viajando hoje, modos que vou ver o filme (que estréia hoje, né?) em Recife e me inspirar num bolinho, ou então mandar imprimir em papel arroz, iei! vou fazer isso, vou imprimir em papel arroz ! :D

Comida, pois é.

Minha primeira lembrança de comida eu devia ter uns três anos. A gente morava numa casa enorme, no alto de uma ladeira. Mamãe sempre fez hortinha em todas as casas que moramos, e nessa ela plantou, além de tudo, morangos. Eu lembro claramente de um doce de morango na compoteira de cristal, o sol batendo na calda vermelha. É minha primeira lembrança de comida, antes mesmo dos gagaus e mamadeiras.

Eu estou viajando para Recife busca das minhas receitas. Da papa de maizena com nescau que comi religiosamente durante os onze anos de escola - papa que nunca saía igual duas vezes seguidas, era sempre mais mole, mais dura, mais escura, mais clara, mais doce, menos doce do que a anterior.

Vou em busca das receitas que minha mãe parou de fazer quando meu pai adoeceu. Dos cozidos de derrubar um cristão a tarde toda, das peixadas, das feijoadas que minha tia dizia que eram carnadas, mais carne do que feijão. Das comidas de festa, da farofona de natal que meu pai chamava de sarrabulho, feita com os miúdos do peru. Do prosaico bolinho de carne moída feito com clara em neve e frito no óleo, nunca mais comi nada tão leve. Vou em busca da Torta Saint-Honoré que papai comprava todos os sábados na doceria tia Don Don.

Eu vou procurar o pastel de queijo salpicado de açúcar da escola onde estudei, e vou passar nem que seja na frente do banco que se ergue onde era a minha outra escola. Vou no mercado público comprar nego bom e ovinhos de lagartixa, doces com gosto de infância.

Minha memória e minha afetividade passa pelo estômago. Não vou para lugar nenhum onde a memória não me diga que tem boa comida e boa conversa. Amizades se firmaram nos sábados à tarde, lendo gibi e comendo doce de leite de colher, trocando confidências com as amigas de escola que agora são senhoras casadas, mães de família, mas que ainda dão risada e usam apelidos bobocas - só entre nós - enquanto no mundo lá fora são juízas, advogadas, psicólogas.

Só eu que não sou nada, Fal, sou uma fazedora de bolinhos, nem chego a cake designer. Mas é isso, é o mexer com os glacês e as pastas americanas e seus cortadores, e o doce de leite colando a pasta ao bolo, é isso que me faz feliz. Tinha que passar por comida, não é? E uma coisa que me deixa mais feliz é saber que, onde tem bolinho, tem festa. Eu faço parte da alegria das pessoas, e é para isso que eu vim parar aqui.

amor,
Tela


Você faz parte da alegria da vida das pessoas, sim, Tela, você é toda festa e comemoração e abraços e palha italiana, e beijocas e saudades e pasta americana e açúcar de confeiteiro e confeitos de chocolate. Você vai ver o filme, e vai ver o que eu vi assim que o filme começou: a Telinha é dessa qualidade de gente. A Telinha pertence a essa espécie. Eu queria ligar pra você no meio do filme e dizer 'Tela, um filme sobre a sua turminha'. Vá, encontre as coisas que você busca e que todos buscamos, as lembranças de seu pai; os abraços de sua mãe; os móveis duma vida inteira; velhas tias cheirando a naftalina (meu Deus, em poucos anos serei eu!); bibelôs duma outra vida; albuns cheios de fotografias de pessoas que já fomos, tantas, tantas pessoas que já fomos. Vá procurar nossos doces de infância (em Garanhuns, A. vivia e morria por um doce chamado 'peixinho', você conheceu isso?), veja se encontra, misturados aos seus, as rosquinhas de pinga do meu vô Zé, o manjar branco da minha vó Cida; procure por nossas velhas professoras; nossas bicicletas sem freio; os sorvetes de casquinha que derretiam, escorriam por todo canto e pingavam na camiseta. Procure pelas velhas canções, se você tiver tempo, Tela, aquelas que você cantava no pátio da escola, nas procissões, as que seu pai ensinou você a cantar e as minhas se você puder, as que eu cantava no carro com minha mãe ou embrulhada pelo corpo do meu pai na cama, as que eu cantava na hora da saída na escola com meus amigos Stra e Bulle, as que eu inventava com meu irmão e com a Carina. Procure pelos patins que esquecíamos no quintal; pelo velhos viralatas cor de mel; tente encontrar o gesto que sua mãe fazia quando ia tocar seu rosto ou pegar a escova para pentear seu cabelo lindo. Veja se vasculha tudo até achar a textura certa do mingau, a hora exata de tirar o cozido do forno, o ponto certo da massa, as palavras que não voltam, o castanho perfeito da calda de açúcar. Volte por você mesma e por todos nós que não podemos voltar, nós, que não temos para onde voltar, nós, que não nos lembramos mais qual é o segredo do creme holandês perfeito e não temos para quem perguntar. Ou porque.
E depois de voltar para lá, volte de novo, dessa vez para nós.
amor
Fal


**na foto, bolinhos de elefantinhos, que a Tela fez para o meu sobrinho, Bernardo.


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quinta-feira, novembro 26, 2009

Razões

Julie&Julia

Porque uma boa história é a melhor coisa que pode nos acontecer em qualquer dia da semana, em qualquer semana do ano.
Porque é uma delícia poder acreditar, ainda que no escurinho do cinema, ainda que só por algumas horinhas, que o talento será recompensado, que o amor existe, que alguém vai gostar da gente porque sim, que a vida tem solução e que teremos coragem de tacar a lagosta viva na panela com água fervendo.
Porque há manteiga derretendo na frigideira, nalgum lugar do mundo, nalguma frigideira da galáxia. Provavelmente na casa da Suzi.
Porque a beleza nos cerca e tomará conta de nós, se nós tivermos coragem.
Porque é um alento saber até podemos estar jantando esse resto horroroso de omelete ou essa fatia de pizza mumificada mas que, nalgum outro lugar, alguém feito de coragem e fúria prepara o Boeuf Bourguignon da Julia Child. Provavelmente a Zel.
Porque nossa falta de rumo também nos paralisa.
Porque cremos, raspadas as várias camadas de dor e ceticismo, que um dia vamos encontrar nossa vocação.
Porque nunca é tarde demais para outra garfada no cheesecake.
Porque os nossos cubículos também nos desesperam, sejam eles quais forem.
Porque gastamos uma grana que não tínhamos em queijo.
Porque a Julia Child diz "Don't be afraid" e meu Deus do céu, a gente precisa mesmo ouvir isso.
Porque nós vamos ver esse filme juntos no cinema (não vamos?).
Porque não somos as únicas a entender os usos terapeuticos do vinho na culinária.
Porque o Stanley Tucci tem olhos encantadores.
Porque enquanto o chocolate derrete num banho maria lerdo, revelações metafísicas nos assaltam.
Porque nós sentimos saudades e choramos enquanto preparamos o molho de tomate do zero.
Porque não estamos sós no nosso desespero quando a maionese desanda e a massa craquela.

Porque, de muitas formas, não estamos sós.

Porque estréia amanhã e é lindo, lindo e tem a Meryl Streep divinal.

Julie&Julia

Estréia amanhã. Veja e, por favor, me conte. Me conte tudo. Quero saber até que bala você comeu durante o filme.


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e para completar, mais mimimi


(Camila, obrigada, querida)

Só pratualizar: a Isa vai embora e Torresmo ferveu. El mimimi, a saga continua.


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who the hell cares?

Algum gênio da informática poderia, por favor, explicar cumé que o Hotmail aceita minha senha e o MSN não? O MSN roda, roda e não avisa, pede a senha de novo, eu dou, ele roda, roda.... diz que a senha está incorreta e não quer nem saber. Sabia que era felicidade demais ter tido MSN positivo e operante por semanas seguidas.
*
Tevê a cabo fora do ar, granulando e congelando imagem. Existe alguma que não seja uma bomba? Alguém quer ar um testemunho sobre a TVA? Ai você liga lá e fica meia hora passando pelo ridículo de ligar e desligar fiozinhos (não, os caras não acham que pondo e tornando a enfiar cabinhos em orifícios, o que quer que seja vai funcionar. Eles só mandam você fazer isso pra encher teu saco e te humilhar. Geralmente eu finjo que tou fazendo, mas hoje eu tou tão nhé que fiz. Claro que não funcionou). Depois disso, claro, ele 'agendam' (aaaaaaaahhhhhhhhhhhh, eu odeio esse verbooooooooo) uma visita do técnico. Isso, uma 'visita'. Tipo, ele vem, a gente pede uma pizza e fala dos velhos e bons tempos. E pra quando é a visita? Sábado. Porque não basta não ter uma vida, você também precisa não ter uma tevê a cabo. Que paga é, lógico, todos os meses. Otááááária.
*
O Seu Azevedo deu foi pano pra manga, acho que vou lançá-lo pra vereador :o) (e antes que você diga que meu blog é hermético e que você não entende metade do que eu falo e das citações daqui, tenho uma sugestã sensacional pra você : leia. Desça três ou quatro posts e leia, fofa.)
*
Grana? Não, nós não vamos falar sobre grana, não hoje. E nem sobre o IG. Não dá, crises de choro de encostar o carro antes de ir buscar a Isa, o Rio de Janeiro, a festa de oito anos do Bernardo que eu não verei, não, nós não vamos falar sobre nada disso.
*
Natal? Nem pensar. Nós não vamos falar sobre o Natal.
*
Impressora morta. Ela diz que eu tenho que realizar a cerimônia pagã do alinhamento de cartucho, um treco que, teoricamente, envolve imprimir e escanear um papelzim, depois dar três pulinhos para trás, jogar sal por cima do ombro, tampar o umbigo do gato com micropore bento e invocar das forças do mal. Hã? Você parou estatelado de susto ali no 'ela diz', leitorzinho maroto? Tá assustado porque eu acho que a impressora fala comigo? Mas ela fala. Ela fala.
*
Sigo fascinada por este mundo, onde sou abordada com frases como "Você viu o novo desdobramento (sic) do caso tal e tal? Viu que o cara foi à delegacia e deu depoimento dizendo que...?"/"Você leu que Fulano disse que Fulana sabia que...?"/"Você soube que no Canadá eles...?"/"Você sabia que hoje...?".
Não. Não li, não sabia, não sei do caso Fulana, não li sobre o avião, não sei de nada sobre o lance do cara que disse que sabia que era que estava, nada. Nada, leitor. Eu me lembro vagamente do nome do presidente... é do mar e de um desenho animado, não é? Ah, eu sabia, Tu-tubarão. E sei o nome do vice, porque é nome de escritor, Machado de Assis. De resto, não sei nada. Não li nada. Não acompanho nada. Aliás não vejo nem o Davisilétis, porque a tevê a cabo morreu, não sei se já contei isso pra você. A vida corre entre uma bagunça monumental, livros velhos, gatos mimados e queijo do cara-da-kombi (o melhor queijo, não sei se do mundo, mas do Brócolis Paulista certamente. O cara-da-kombi traz o queijo lá das Minas Gerais) e eu não faço a menor idéia do que acontece pralém dos domínios da Célia (de novo, o blog tem quase oito anos. A Célia foi citada aqui bilhões de vezes. É impossível que eu, a cada post, explique tudo-tudo, quem é quem, o que aconteceu com quem e quem fez o que. Se você não entendeu a citação, é porque você não leu droga nenhuma daqui. Se não leu, não leu, fez bem. Mas vá ler antes de dizer que não entendeu).
*
Se eu tenho mais alguma reclamação a fazer, leitor? Claro que tenho, isso que você leu (ou não, haha) foi apenas e tão somente, um mimimi superficial e tolo. Não me provoque.


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quarta-feira, novembro 25, 2009

Under Pressure

Julie&Julia
Julia Child, também tem cara de quem não gostava de panela de pressão

A Zel e o Fernando formam meu casal favorito em todo o universo. Sou apaixonada por eles. Eles são fofos e queridos e, o que os faz esse casal maravilhoso, são bons e leais um com o outro.

Além do mais, eles são engraçadíssimos. Separados são engraçados, mas juntos, são imbatíveis.

É uma dupla de vaudeville.

E são generosos. Tão generosos eu não apenas não negam receitas aos amigos (gente que esconde receita é o fim) como ainda me deixaram roubar e re-formatar um texto delicioso que fizeram sobre a panela de pressão.
Adorei que eles tivessem pensado em falar sobre elas, porque, ah...eu sempre tive medo dela. Sempre. Minha mente minúscula e confusa, que conta apenas com dois neurônios, Antão e Peixoto, está cheia de lendas urbanas e de histórias sobre panelas de pressão que explodiram, levando com elas fogões, janelas, tetos, paredes azulejadas e os rostos de muitos cozinheiros desatentos.
Aborígene desconfiada que sou, tenho pavor das panelas de pressão. Uso, mas tenho medo. E não fico na cozinha enquanto minha panela de pressão trabalha, de jeito nenhum.
Mas Zel e Fernando, criativos e muito mais talentosos que eu, advertem que panelas de pressão não mordem e nem fazem mal à saúde, desde que a borrachinha circular que veda a tampa esteja em ótimo estado e que a válvula esteja sempre limpa, para não entupir.

Meus bons amigos também alertam para o fato de que para abri-la, a criatura carece de ter certo cuidado e esperar a pressão aliviar ANTES de tentar abrir a panela.

UMA RECEITA MACHA

Zel e Fernando usam sua sempre, em várias receitas, mas em especial nessa receita aqui.

"Receita de homem", ressalta o Fer. "Homem do sexo masculino", completaria o meu A. E já que é uma receita macho, não convêm escrevê-la como uma mulherzinha. Sigo, pois, as instruções do Fer.

Ingredientes:

- Costela de ripa com osso, suficiente para 2 ou 3 camadas na sua panela de pressão.

- Lingüiça porco, para 2 ou 3 camadas

(A Zel avisa que é assim mesmo, não dá para dar uma medida exata e que, após darmos uma avaliada em nossas panelas, devemos comprar as carnes por volume e não por peso)

Como fazer:

Bão, o Fer manda que façamos um "castelinho dentro da panela de pressão ".

O que quer dizer que alternaremos camadas de costela e lingüiça.

Importante: antes de colocar a lingüiça na fure os gomos, delicadamente.

A primeira camada ve ser costela, com o osso para baixo. Daí, vá subindo: lingüiça, costela, lingüiça, costela...até o limite da sua panela de pressão (a maioria das panelas de pressão tem gravados por dentro, qual é o limite comida que pode ser posta nela. Respeite o limite).

Camadas feitas, feche a e taque no fogo médio.

Como assim?

Sem sal, sem água, sem óleo?

É, criatura de pouca fé.

Sem sal, sem água, sem óleo. Sem temperinho. Sem azeite.

Tenha fé.

O Fer ainda avisa: "Nosso objetivo principal é não explodir o fogão nem pulverizar nano-pedaços de carne pela cozinha. Assim, pois uns 15 minutos, comece a testar se a válvula está funcionando, levantando um pouco com o garfo. Se de pois de meia hora no fogo, a panela de pressão ainda não estiver fazendo 'pshhhhh' quando você levantar a válvula, aborte a missão e peça uma pizza".

A Zel diz que as carnes ficam perfeitas, que a costela quase derrete e que como acompanhamento vai o básico: arroz soltinho e saladinha.


Gente, a conversa aqui não está uma delícia?
:o)


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terça-feira, novembro 24, 2009

Mais Julie&Julia


O filme estréia na sexta, dia 27 de novembro, vocês lembram?
E por que ver o filme? Por isso:

Peço licença a vocês para continuar com as cartas. Os recados do LV estão disponíveis, as declarações sobre doces estão lindas. Mas tenho recebido os e-mails mais fofos e engraçados e tentadores e preciso dividir com vocês. De novo.

Cumprindo a promessa, lá vem ela:

"Fal, seguinte:
Então que a receita original é de Carla San.
Mas fui dando uns pitaquinhos aqui e acolá (perdoa, Carlota?) e fiz a coisa.
Afinal, a história não é fazer receitas de uma outra? Então minha Meryl Julia Streep Child é a Carla San e acabou-se!

Precisa de:
2 colheres de sopa de manteiga
1 cebola
2 dentes de alho amassados
500 gr de salmão em cubos
Sal a gosto
2 colheres de mostarda
3 colheres de catchup picante (eu fui de molho de tomate feito por mimzinha com uma certa dose de pimenta rosa)
100 gr de champignon em conserva fatiados
½ xícara (chá) de água fervente
1 xícara (chá) de creme de leite fresco

Modo de preparo:
Abra o vinho. Tinto seco, cabernet sauvignon. Não me venha com Malbec numa hora dessas!
Sirva-se numa taça muito bonita. É importante.
O cd deve ser do John Mayer, do Chico, Jason Mraz ou Zeca Baleiro. Cantoras da MPB em geral e do Axé em particular são proibidas nesse momento!
Então.
Em uma panela média (adouro), derreta a manteiga em fogo médio (ui) e refogue a cebola e o alho.
Junte o salmão em cubos e refogue por mais uns 2 minutos, misturando delicadamente pra não desmanchar o peixe.
Adicione sal o quanto quiser, gostar e tiver vontade e o cardiologista que se lasque né? Nós já não estamos fazendo a dieta do vinho, caramba?
Pois então.
Bota lá a mostarda, o molho de tomate apimentado (ou catchup), os cogumelos e a água. Cozinhe por 5 minutos.
Aproveite este tempinho para encher novamente a taça de vinho, afinal foram 2 colheres de manteiga e vc precisa manter o colesterol equilibrado. Saúde é importante!
Tome um delicioso gole enquanto brinca com o colar de pérolas e sonha com aquele sapato... ai... ai...
Voltando.
Acrescente o creme de leite fresco e misture até ficar homogêneo.
Sirva em seguida. E aí me liga para contar se é possível uma coisa dessa.
Beijos
Suzi"

*
Ô Suzi, gracias. Porque, vou contar, mandar aquela foto e não mandar a receita é das piores crocodilagens. Inda bem que você se redimiu. Tá. Só por isso a gente deixa você cozinhar mais. Humpft.
****
Tem outras cartas-delicinha chegando. As cartas que versam sobre docinhos (inclusive a sua fofíssima, Flá), estou guardando para uma crônica (ou duas, ou três), só sobre eles, junto com os recados sobre doces postados no LV que também hei de roubar.
E eu também queria agradecer. Chegou muita coisa doce e meiga aqui, muita, no LV e no e-mail, pelo telefone e no facebook.
Muito tocante essa movimentação toda. O que um pouco de manteiga sem culpa não faz, né, seus safardanas?
Hum, manteiga. Quem cansar de falar de doce e quiser falar de manteiga, fique à vontade.
Minha avó batia manteiga, um batedor enorme, pesadão. E eu tinha uma amiguinha no colégio espanhol (como era o nome dela?) que, de lanche, levava pão preto barrado de manteiga polvilhada de açúcar!
Aiai.


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segunda-feira, novembro 23, 2009

Julie&Julia&As taças de vinho

Julie&Julia

Falcita:
Visitando o site e aguardando a estréia do filme em Curitiba, observo o quanto de Julie&Julia temos em nós.
As panelas e utensílios pendurados.
As latinhas de temperos expostas e à mão.
O onipresente copo (e garrafa) de vinho.
Os vasinhos de flores.
A delícia da manteiga. Ahhhh... a manteiga...
Eu, de mim, já digo: contra a ditadura do colesterol e da lenda da artéria entupida eu já desenvolvi antídoto.
Para cada colher de manteiga um copo de vinho tinto.
Saber científico aplicado à mesa. Não tem erro.
Mas ó... se a Amy Adams tava a fim de um Oscar eu não queria ser ela bem nunquinha nesse filme.
Imagina você lá nos seus afazeres roliudianos, aí te ligam:
- Ó, tem um papel aí. Moça novaiorquina meio perdida, descobre uma ídola, aprende a cozinhar, cria um blog e arrebenta. Coisa pra Oscar. Topa?
- Formô!
Dias depois, primeira reunião de elenco.
- Quem será a outra?
- Ta chegando aí. Peraí que vou chamar. Meryl, vem cá!
Só tem uma palavra na língua portuguesa que resume a situação: f * * * *
Então, tá aberto o bolão.
Quer perder quanto que a Meryl leva a indicação?
Beijos
Suzi

PS:
Fal, no anexo, foto de um estrogonofe de salmão campeão dos campeões que eu fiz inspirada por um filme que ainda vai estrear. Tou que não me guento pra ver o filme no cinema

Jantar da Suzi - nov, 2006 strog salmão

*

Suzi, minha filha. Manda a receita desse trem de salmão imediatamente, o povo revortado exige.
Depois, eu não sei se ela leva, porque a Cadimia opera pelo misteriosos caminhos de não-sei-quem, a gente toma uns sustos que nem sabe donde veio. A meritocracia não é um lance estabelecido neste mundo de meodeos, né linda, se fosse não tariam as cousas do jeiquitão. Mas eu torço desarvorada. Porque indicada ela vai ser, tem que ser. Pourra.
Sua descrição da primeira reunião de elenco e seu teoria sobre o combate da veia entupida me fizeram rir alto, espantando os gatos.
Te quero, querida. Cuide-se
Fal


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#SeuAzevedofacts

Seu Azevedo é chefe do almoxarifado. Vinte e cinco anos de firma.
Seu Azevedo dirige um Corcel II.
Seu Azevedo vai ao estádio assistir a partida com rádio pilha no ouvido.
Seu Azevedo só bebe café no copo. Sempre o mesmo copo.
Seu Azevedo tem um cachorro, que ele não diz que é viralata de jeito nenhum. Ele diz que é mestiço de dálmata com cão policial. Chama Atlas.
Seu Azevedo usa lenços de pano.
Seu Azevedo tem um caso com a Dona Cidinha. É ela quem assina os cheques da firma.
Seu Azevedo odeia o Barbosa, do financeiro.
Seu Azevedo fuma roliúde.
Seu Azevedo lê Seleções do Reader's Digest - ri das Piadas de Caserna, e se emociona com a coluna 'Flagrantes da Vida Real'.
Seu Azevedo ouve Julio Iglesias.
Seu Azevedo não usa sabonete líquido. Leva saboneteira quando vai jogar bola no clube.
Seu Azevedo penteia o cabelo pra cima da careca.
Seu Azevedo acha que esse negócio de papel higiênico com cheirinho de baunilha e aloe vera é sinal dos tempos.
Seu Azevedo usa o termo "punguista".
Seu Azevedo gosta de usar sandália Franciscano no final de semana. Ganha uma nova todo Dia dos Pais.
Seu Azevedo nunca entra no amigo secreto da firma. Nunca.
Seu Azevedo cultiva um bigode sensacional.
Seu Azevedo usa pente Flamingo no bolso de trás da calça para ajeitar o cabelo e o bigode..
Seu Azevedo joga bola com o Pedrão e com o sogro do Pedrão no Tijuca Tênis Clube.
Seu Azevedo cutuca a orelha com a tampa da caneta bic.
Seu Azevedo acha que não se fazem mais músicas como antigamente
Seu Azevedo tem gastrite. E um princípio de gota.
Seu Azevedo torce pro América. Que ele chama de “Ameriquinha”.
Seu Azevedo não tem muita paciência para os jovens de hoje
Seu Azevedo acha que o pai dele tinha razão. Em tudo.
Seu Azevedo é tijucano. Mora ali numa transversal da Santo Afonso.
A senhora de Seu Azevedo faz compras no Mundial, mas gostava mesmo era da Casas da Banha. Aquilo sim é que era mercado.
A esposa do Seu Azevedo se chama Mirtes.
Dona Mirtes é professora aposentada.
Dona Mirtes chama o marido de Azevedo.
Seu Azevedo chama a esposa de 'minha filha'.
Seu Azevedo come empadinha escondido porque o médico proibiu. A perdição do seu Azevedo são as empadinhas.
Seu Azevedo tem uma filha que faz enfermagem.
Seu Azevedo engraxa os sapatos e os arruma em ordem de cor.
Seu Azevedo manda baixar o som quando o vizinho de baixo resolve fazer festa.
Quando soube que Seu Azevedo tinha um caso há 18 anos com a Dona Cidinha do Financeiro, dona Mirtes chorou no meio da rua. Seu Freitas, gerente do açougue da Rua Pinto de Figueiredo ofereceu um ombro amigo. E daí eles começaram um caso que já dura sete anos.
Seu Azevedo acha que os tempos mudaram. E ele lamenta profundamente.
Seu Azevedo gostava mesmo era dos sapatos Vulcabrás.
Seu Azevedo cria canários.
Seu Azevedo preferia a Band quando era "o canal do esporte"
Seu Azevedo curte uma colcha de chenille.
Seu Azevedo acha que o mundo está perdido. Mas ainda assim, faz uma fezinha no Bicho todo santo dia. E sempre nos mesmos números.
Seu Azevedo é síndico do prédio.
Seu Azevedo odeia o namorado da filha porque ele dirige moto e é mecânico.
Seu Azevedo esconde um filho fora do casamento chamado Júnior. Se dona Mirtes souber, o mundo de seu Azevedo se acaba.
A filha do seu Azevedo tem uma poodle chamada Lady. Seu Azevedo de-tes-ta o latido agudo da Lady. Dona Mirtes odeia os cachorros.
Seu Azevedo dança bolerão com dona Mirtes nos jantares dançantes do Tijuca. Aí ela fica com dor na consciência, mas passa.
Seu Azevedo usa desodorante Avanço.
Seu Azevedo não entende nada de internet e confunde e-mail com endereço, www com @ e só comprou computador porque a filha insistiu. No setor de seu Azevedo, na firma, é tudo feito na mão.
Seu Azevedo não sabe o que é Twitter. E se soubesse, ia achar que é coisa de desocupado.
Seu Azevedo finge que escuta e responde "hã hã" quando dona Mirtes comenta alguma coisa.
Seu Azevedo faz a piada do pavê no natal. Todo natal.
Seu Azevedo, espirra "uassshsaúde", para vergonha da filha universitária. Ela tem vergonha do carro dele também. Ela se chama Melissa e é meio ingratinha.
Dona Mirtes crocheta paninhos para cobrir os móveis.
Seu Azevedo sente saudade de um passado mais simples.
Dona Mirtes corta os pelinhos das orelhas e do nariz de seu Azevedo. Ela comprou uma maquininha à pilha só para isso.
Seu Azevedo usa shampoo de ovo da Colorama (dizem que fortalece os fios), sabonete Phebo e Polvilho Granado nos pés.
Num ato de rebeldia, ao invés do PF no refeitório da firma, hoje Seu Azevedo almoçará bolinho de ovo. Se o médico souber, mata o seu Azevedo.
Seu Azevedo ofereceu carona para a Juju, das vendas, e ela recusou.
De manhã, dona Mirtes ouve o Padre Marcelo Rossi na Rádio Globo.
Seu Azevedo acha que os meninos do 201 usam tóchico.
Mesmo cursando enfermagem, Melissa "estuda pro concurso". Sabe como é, segurança.
Seu Azevedo come joelho de porco.
Seu Azevedo acha que a Yoná Magalhães é que é mulher.
Seu Azevedo janta sopa de aveia e pão recheado com a carne desfiada que sobra do almoço e dona Mirtes se sente secretamente vingada.
Seu Azevedo ouve os elepês do Ray Conniff e quase chora.
Seu Azevedo solta pum e põe a culpa no cachorro.
Seu Azevedo usa calculadora de mesa, daquelas com bobina de papel.
Seu Azevedo é fã de rabada. Desse prato ele nunca dá nada para seu cão Atlas, que fica todo macambúzio.
Seu Azevedo e Dona Mirtes se chamam de pai e mãe na frente da filha.
Dona Mirtes tem uma samambaia de plástico, que fica no quarto, sobre a televisão de 14 polegadas. "É para neutralizar as ondas", ela diz, enquanto tira pó das folhinhas falsas com o espanador ("Rinite alérgica, sabe como é"). Isso porque a samambaia anterior morreu.
Seu Azevedo sonha em soltar o coque da Salete do 31, mas não confessa nem para as paredes. quando fica sozinho com ela no elevador, Seu Azevedo repassa a escalação do América de 1952 em silêncio, para se controlar
Seu Azevedo confessa todo domingo durante a missa. É perdoado, comunga e tudo está bem.

(colaboraram – e muito – os amigos do Twitter @dazibaonomeio @notaroberto @cseslaf @luzdelfuego @telinha @jujubalandia @agentelaranja @Staciarini @criscerdera @samcunha @fatorell @cseslaf @samcunha @ticcia @ludelfuego @aomirante @rpenariol @apoubell@dehcapella @@prisfoggiato @helenagozzano @alepicoli @carolmarzagao @GalMilano @ferfonseca @BiaFrancisco @gugagomes @FrauGlaeser @Constance_J @telinha mabouzada @Nelsonb @jujubalandia @ferfonseca )


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domingo, novembro 22, 2009

Julie&Julia&Uma pergunta

Quando é que dá vontade de comer um doce? E que doce é? E o que você faz? Compra, cozinha, se acorrenta até a vontade passar? Você conta pralguém? Me conta, por favor. No LV ou no dropsdafal@gmail.com


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Julie&Julia&Ila

"E por falar em receita de vó...

Quando eu passava as férias de verão na casa da minha vó, no interior, não podia faltar bolo de milho! Aquele bolo fininho, cremoso que inundava a casa de um cheiro bom ficou na minha memória.

Aí estes dias fiquei com vontade do tal bolo. Mas aí tinha um problema: minha vó mora a uns 1000 km daqui. O que fazer? Procurei a receita na internet e nada! Todos os bolos de milho verde que achei não eram nada parecidos com o que minha vó fazia. O bolo da minha vó era um bolo rústico, de sítio, que não vai farinha, nem fermento, nem nada destas coisas. Praticamente é puro milho!

Acabou que liguei pra véinha para pegar a receita, e meu belo ficou ótemo!

:-D
Como eu disse, o bolo é bem rústico, não vai farinha, nem fermento, nem ovo... é praticamente puro milho!
Tem a versão doce tbm, não sei o que muda, acredito que só muda o açúcar no lugar do sal... :-/
Pra quem gosta de milho é prato cheio, então vamos lá:


BOLO DE MILHO VERDE DO SÍTIO

Ingredientes

- Seis espigas de milho. (Daquelas amarelinhas)
- Água
- Óleo
- Sal.

Receita

Tire os milhos da espiga (eu uso uma faca)
Jogue o milho no liquidificador, com um pouco de água, o suficiente para conseguir bater até ficar um creme (não precisa ficar suuuper homogêneo não).
Coloque seis colheres de óleo e uma de sal. Experimente para ver se está bom.
Coloque na forma. Nesta hora vc pode por uns cubinhos de queijo minas no meio, dá um tcharam a mais.
Coloque no forno em fogo baixo por uns 45 min ou até ficar douradinho em cima.

O bolo não cresce, fica baixinho, e até meio cremosinho por dentro.
Como ele fica bem molinho, eu costumo espalhar no prato na hora de comer. Nham. :-9

beijos e amor
Ila"

Ai caramba. Eu quero isso. E quero agora. Assim não dá, Ila.
Assim não dá.


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nota fundamental de esclarecimento

Porque parece estar havendo alguma espécie de confusão no meidicampo: Não é que o cara não escreve pra você porque ele está ocupado, viajando, cuidando da fazendinha feicibúnquis, doente, com muito trabalho, com os meninos no final de semana. Ele não escreve pra você porque ele não quer.


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sábado, novembro 21, 2009

Notícias do planeta Julie&Julia

Então que no filme Julie&Julia, a Julie aprende lendo o livro da Child que há que se secar a carne numa toalha de papel antes de dourá-la, né?
A camarada Carina Rizzi, que foi conosco na pré-estréia do dia 17, ligou toda animadeeenha pra contar que com carne de porco também funciona. Ela dourou pedações de pernil ontem e secou os pedações depois de secá-los e a luz se fez.
É só cultura, minha gente, é só cultura.
*
O Felipe e o Rafael mandaram e-mail engraçadíssimo (se eles liberarem eu boto aqui), dizendo que vão ver o filme no final de semana da estréia, mas que depois de ver o trailer resolveram que amanhã vão ferver lagostas vivas. Boa sorte, meus filhos. Me contem tudo e, se der, tirem fotos, porque eu tenho que ver isto, já que fazer eu não vor mesmo.
*
A Bel me escreveu pra dizer que, daúltima vez que tentou cozinhar, chorou até dormir abraçada no caderno de receitas da avó, depois de queimar dois quilos de carne moída de primeira num bolo de carne que não deu nada certo. Premero que é assim mesmo, a gente erra. Muito. Várias vezes. Muito mesmo. Muito. E depois, Bel, você tem um caderno de receitas com a letra da sua avó? Vale ouro. Se eu tivesse um caderno de receitas com a letrinha da minha avó, eu riria cozinhar só pra fazer graça. :o)


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COMENTE! | 19:35

 



na avenida os faróis já vão abrir

Alguém sabe explicar pressa tonta se as bancas de jornal da Avenida Paulista estão abertas aos domingos de manhã?
*
Noutra avenida é o seguinte: a Nobel da Avevida Joralista Roberto Marinho fechou. O que está no lugar dela é um outro lance cujo nome me escapa. A moça que faz e serve o café (o nome dela também me escapa, donde vocês reparem que eu jamais servirei pra repórter investigativa. Imaginem euizita dando conta que "alguém, em algum lugar, tá metido num negócio aí", hahahaha), disse que o lugar continua sendo 24 horas (depois de andar o vigoroso Baco, fui lá lá às sete da manhã tomar café, vejam vocês que jovem senhoura combativa), e tá lá o mesmo Café Vanilla, com mesinhas espalhadas, tomadas que funcionam (eu testei), wi-fi que a moça disse que funciona (eu não testei), uns poucos livros relegados ao canto lááá do fundo, uma tristeza. Não que a Nobel tivesse todos os livros do mundo, pelo menos não aquela unidade da Nobel, mas enfim, dá dó. Ah, sim e os poucos livros que lá estão, às sete e pouco da manhã não podiam ser comprados, o "sistema" estava "fechado" (ah, sou eterna refém dos sistemas que fecham, caem, não se comunicam, não dizem a que vieram e se estrumbicam e sempre me encanto com isso). A moça que serve o café disse que a responsável pela cerimônia pagã que "abre o sistema" aos deuses não menos pagãos da internet, chegaria às oito de la matina. Sai de lá às 8h40 e ela ainda não havia chegado. Pelo menos, não lá. Então, fica combinado que não somos tão 24h assim.


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Pré pré pré!!!

Julie e Julia

Queridos de São Paulo, hoje tem pré-estréia do Julie&Julia num monte de cinemas. Um monte mesmo e tudo com horário de adultinho, a mi me gusta.

* No Frei Caneca Unibanco Arteplex - Sala 06 - sábado: 22h.
* No Jardim Sul UCI - Sala 01 - sábado: 23h50.
* No Kinoplex Itaim - Sala 01 - sábado: 23h40.
* No Market Place Cinemark - Sala 06 - sábado: 21h.

Endereços, telefones e demais informações sobre as sessões de pré estréia, dá pra ver aqui. Ou me manda e-mail que eu copio pra você. fal.drops@gmail.com
:o))


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LV
Quilidos, perdão pela demora no LV. Tinha coisa de dez mil anos atrás parada. Perdão. Quando era coisa de gente de casa, que não precisa mais de cerimônia, eu só falei 'oi bem', certo? Não sempre, também dei respostas bacanas pro povo da casa, mas de quando em vez eu fiz isso, vocês verão. Ele ainda vai dar uma lerdada porque os dias andam muito loucos da pesada, aprontando mil trapalhadas. Jajá acalma. Not. Porque daí vem outro prazo de super tarefa gincana e eu meto a mesma conversinha fiada em vocês. Vocês tão costumados, né? :o)


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sexta-feira, novembro 20, 2009

Baco e a arte culinária

Baco e fiufiu, 1 de juho de 2007, vila Sonia

Baco não nasceu em Pasadena.
Baco nunca clarificou manteiga.
Baco nunca colocou uma lagosta viva na água fervendo. Mas ele teria coragem, sem dúvida.
Baco não sabe fritar miolos.
Baco nunca usou sapatos fantásticos.
Baco nunca trabalhou para o governo americano.
Baco não tem 1,88.
Baco nunca pré-aqueceu o forno a 230°C.
Baco até que gosta de omeletes com tomates... mas prefere sem, muito obrigado.
Baco não teve um marido chamado Paul.
Baco não sabe rechear um pato.
Se Baco encontrar um sapato sensacional pela frente, ele come.
Baco nunca se desesperou porque a panela não era grande o bastante.
Baco não tem um moedor de carne.
Baco não gosta de aipo. De jeito nenhum.
Baco não está nem aí para saber quantas bocas tem o fogão.
Baco não tem nem a mais remota idéia do que venha a ser Fois de Volailles em Aspic.
Baco nunca comeu bolo de gengibre – ele iria odiar.
Baco nunca acrescentou leite quente à mistura de farinha e manteiga que escurece rápido na panela.
Baco nunca triturou alho, nunca adicionou tomates descascados e sem sementes, alecrim, caldo de cordeiro e nem vinho branco aos pedaços de cordeiro na caçarola.
Baco não resolver entrar para a escola de culinária aos 37 anos de idade.
Baco nunca dourou filés.
Baco adora crepes farcies, roulées e flambées. Infelizmente, ele tem poucas oportunidades de apreciá-los.
Baco nunca tentou fazer um Boeuf Bourguignon. Mas ele adoraria comer.
O filme sobre Baco não estréia dia 27 de novembro.
Baco não é Julia Child.

Julie e Julia


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quinta-feira, novembro 19, 2009

Sapatos antes da manteiga

Julie&Julia
Naty, mana, foca nos sapatos.

Dai que eu futuco por aí e descubro que quem fez os figurinos do Julie&Julia foi a Ann Roth. Mana, essa mina fez os figurinos do As horas e ganhou o Oscar pelo figurino do Paciente Inglês! Posso ouvir você aí doutro lado dizendo "Ahhhh, tááááá explicado aquele sapato da última cena".

É muito gostoso de ir reparando que, quanto mais empenhada em seu projeto de um ano e mais conhecedora da vida e do trabalho de Julia Child, mais Julie Powell (que já era amante das roupeeenhas de brechó), vai mudando o modo de se vestir. A estilista do filme inventou um jeito lindo de juntar a modinha (no mais da vezes pavorosa) que usamos nos anos 2000, com a moda absolutamente divinal dos anos 50.
E achei tocante a cena em que Julie ganha um colar de pérolas do marido igual ao que Julia Child usa o tempo todo. Ela se emociona com o presente, arranca as peroletas de plástico do pescoço e passa a usar as pérolas de Julia (ainda que falsas porque eles são um casal durango e tal). O filme tem esses lances sutis e fofos o tempo todo, esses detalhezinhos. Mas tá explicado. É a Roth fazendo o guarda-roupas. Eu queria morar dentro do filme. E olha que eu nem comecei a falar da manteiga.


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os maias

ivanisemgomes@eaton.com diz:
eu fui ver sexta-feira passada o 2012, que é também minha cara
O MUNDO ACABANDO e eu adorando
HAHHAHHAHAHHAHHAHHAHHAHAHHAHHAHA
fal diz:
sou a favor do mundo acabar
ivanisemgomes@eaton.com diz:
o problema da porra do filme é que nos negos fazem uma mega arca de noé
e só quem pode pagar é que vai lá dentro
ivanisemgomes@eaton.com diz:
então, tipo, só filho da puta né
os filhos da puta, as girafas, elefantes e ursos polares
e eu pensando "porra, e os insetos? como eles vão salvar os insetos?!"


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quarta-feira, novembro 18, 2009

creonça

"Virgínia, entrei no site com ela no colo. Perguntou quem era a moça:

- A Fal, amiga da mamãe.
- A Fal.

Conversa vai, conversa vem, troco de aba e a menina GRITA:

- Nããããão! Quer mais Faaaal, mamãe, não muuuuuuda!

Tá? ;D
Beijo.
Rafaela"

Eu disse pra mãe não se preocupar, porque a idade traz discernimento. E sabedoria.


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Julie, Julia e nós

Julie e Julia

Se você me pedir pra resumir a história (e se você não pedir, vou fazer isso do mesmo jeito), digo que é sobre uma secretária que, no começo dos anos 2000, resolve fazer um blog no qual contará suas experiências durante o ano em que faz as 524 receitas do livro Dominando a Arte da Culinária Francesa (Mastering the Art of French Cooking), de Julia Child. Essa experiência virou um livro. E o livro virou um filme.

Mas a história é, ao mesmo tempo, tão mais, que um texto só não dá conta. A história fala sobre ter coragem sempre, desistir todos os dias, famílias complicadas, casamentos felizes, lagostas vivas na panela, crises de nervos no chão da cozinha, blogs, seus leitores de blog, patos costurados, taças bonitas, roupas dos anos 50, cidades lindas, cidades horrorosas, carreiras que não vão pra lugar nenhum, carreiras que deslancham, escolhas e decisões – certas, erradas, dolorosas, ou ruins, muito ruins. Você se identificou? Seja bem-vindo.

E no filme, dum jeito muito mais bonito e claro do que no livro (e dói meu coração falar que alguma coisa em algum filme é melhor que num livro – seja ele qual for), a vida e o projeto de Julie (a garota dos anos 2000) é entremeada pela vida de Julia Child (trazida de volta à vida pela monumental Meryl Streep, impressionante no papel ), uma americana de mais de 1,80 m que, depois de trabalhar para o governo americano durante a Segunda Guerra, casa com o amor de sua vida e se muda para Paris (tem um detalhe engraçado que no livro fica mais... explicadinho que no filme: Paris era toda feita para mulheres de 1,50m, e a pobre Julia vive curvada e com dor nas costas. Sem alarde e sem fazer carnaval, a Meryl Steep passa o filme todo com ‘a mão nos quartos’. Ficou muito bem feito.). Em Paris ela descobre sua vocação, aprende a cozinhar, vai dar aulas de culinária e acaba se envolvendo no projeto dum livro. Todas as gracinhas que você vê a Nigella fazendo hoje, Child fez antes e melhor. Ela mudou a nossa relação com a comida, com escrever sobre comida, com o ato de comer e, na tela da televisão americana, ela foi um soprinho de ar fresco e diversão na caretice do comecim da década de 60. Ela foi mesmo muito importante. Ela é.

Para mim, o golpe de mestre do filme, foi ter mesclado o livro da blogueira Julie Powell com cenas tocantes da vida de Julia Child, tecendo assim uma biografiazinha ligeira, leve, engraçada e merylstreepisada da cozinheira.

As pessoas vão se apaixonar pelo filme por motivos diferentes. Vi um filme num grupo pequeno, delicado oferecimento da Sony pra divulgar o danado. A maior parte das pessoas dali eu conhecia da vida civil, não só da tela do computador, e dava pra sacar que a Isabel ria mais do que a Carina em determinadas partes, que algumas pessoas ficavam mais animadas do que outras com a quantidade de manteiga que Julie e Julia colocavam na comida e que minha mãe gemia pelos sapatos o tempo todo (Natália, mana, nós temos que ver juntas. Mana, as roupas dos anos 50 da Julia, as roupas retrô da Julie, eu só pensava em você. E O SAPATO que a Julia usa na última cena, MANA, eu só pensava em você MESMO).

Fiquei com um nó na garganta o tempo todo, durante toda a exibição. Apesar de adorar comida e venerar manteiga e querer todos aqueles sapatos, o que me fez morrer pelo filme foi o fato de que eu já tive um amor como o da Julia. Um homem meigo e engraçadíssimo, que apoiava toda e qualquer maluquice que eu inventasse, que apoiava dum jeito fora do normal qualquer esboço (e sempre foi só um esboço) de talento que eu tivesse e que botava uma fé descomunal em mim. Stanley Tucci na pele de Paul Child, o marido de Julia Child, está comovente. Mas sentado ao meu lado estava o Fernando Weno, cool até a medula e caso você não o conheça, um tremendo artista, e eu não podia dar vexame. Então, em minha defesa, quero declarar que não chorei. Muito. Bom, eu não solucei. Não funguei. Não assoei o nariz na lapela da camisa dele, o que se tratando de mim é um assombro de boa educação e comedimento. Eu estava lá fingindo que também sou cool e muderna. Eu não engano ninguém, nós sabemos, mas eu tento. Tento muito. De modos que, na medida do que me foi possível, quase não chorei.

Fazia um tempão que a vida me devia um filme assim.

Ah, e tão importante quanto todo o resto 1: Meryl Streep no papel de Julia Child está maior do que a vida. Ela vai ser indicada ao Oscar de novo. E se os arautos do apocalipse tiverem razão, e o filme sobre a vida do Loola for a indicação a filme estranja, creiam, só a Meryl Streep salvará nossa noite.

Tão importante quanto todo o resto 2: quem não foi ver o filme conosco perdeu a Célia de aplique, salto, batom cor de uva e com quase todo o ouro que já foi garimpado no planeta pendurado naquele corpo bem torneado. Célia abalou.

Eu vou estar aqui no Drops durante um mês, convidada pela Sony, falando do filme, da M. Streep, do livro, das receitas, da manteiga, da coragem descomunal que a pessoa tem que ter pra jogar lagostas vivas na água fervendo, da vida e, claro, de sapatos. Então, oi.


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Julie&Julia
Julie&Julia
Fazia um tempão que a vida me devia um filme assim.


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segunda-feira, novembro 16, 2009

"Uma chuva de afogar gatinhos", era assim que meu Alexandre chamaria essa chuva que cai sobre o Brócolis Paulista. O que torna a frase mais engraçada é que A. seria incapaz de afogar um gatinho. De qualquer forma, hoje seria um dia excelente pro mundo acabar, eu digo. Chuvaréu com bastante vento como agora, depois queda da energia elétrica, depois fim das comunicações em massa, falta de comida, peste e por fim, os zumbis comedores de cérebro. Se houver um plebiscito, não deixarei de votar.
*
Eu deveria estar na cama. Quero dizer, eu estou na cama, eu deveria estar dormindo. Mas o sono é substância volátil e efêmera e o meu se foi. De modos que - como a tevê a cabo saiu do ar logo na primeira rajada de vento - botei um dvd do belíssimo Robert Goren e liguei a máquina.
*
Os livros para doação se foram, a bagunça ficou. O apart-hotel do Conde Drácula está um caos absoluto. Encaixotei os gibis dos anos 50 do meu velho pro Pedrão, livros para ele e Bernardo, para o S., para o Fernando-marido-da-Vera, desci minha prateleira com livros-sobre-gatinhos, que vou dividir entre a Tela e a Carina e a Dê e mesmo assim, meeeesmo assim, o caos reina sobre mim.
*
Não sofreram baixas prateleiras de livro de historia, geografia, relatos de viagem, arte e culinária. No resto, carnificina.
*
E a chuva chove aqui.


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sábado, novembro 14, 2009

Rainha

Monquinha, mandando bem pra cacete. Vem pra São Paulo, fia, vem, que a gente lota o teatro de vagabundo e desajustado social, tudim gritando seu nome. É só amigo dando orgulho, viu, afe, fico emocionada que só. Vem pra São Paulo, fia.


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sexta-feira, novembro 13, 2009

Zen

Eu já disse isso aqui, mas digo de novo, sou melhor de longe. Nasci pros romances epistolares, longas cartas, telefonemas engraçados no meio do dia e dedicatórias de livro foufas. Essa necessidade que as pessoas tem "vamos nos encontrar no bar" me mata. Não sirvo pra isso. Não sei o que dizer, não tenho assunto. Não sei que sapato usar. Não sei mais qual é a profissão da criatura, esqueci o nome dos filhos, não lembro como gosta do café, nada. Minha vontade é sair correndo e gritando, como diz a Elaine.
*
E tem ali a categoria 'Escritor esforçado'. O cara tenta e a gente tem dar algum crédito a ele por isso.
*
Preciso de um homem para escrever um livro comigo. Os homens não querem nem escrever livros comigo. Eu ia escrever 'haha', mas não vou.
*
Aluno atrasado. Aluno atrasado devia constar dalgum dos círculos do inferno daquele velho italiano.
*
Entre domingo e ontem, saíram mais de 1500 livros do apart hotel do Conde Drácula. O nome diso é desapego material, meus filhos, cubrai a cabeça de cinzas e meditai.


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Só pra lembrar, hoje tem lançamento do livro do Luiz

LIVRARIA DA VILA, Al. Lorena, 1731, HOJE 13/11, das 19h às 22h.


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quinta-feira, novembro 12, 2009

Filme! Filme! Filme!

Assim, ó. A Sony montou uma sessão especial para nós aqui em Sampa, sim, só para nós, do filme Julie e Julia, que entra em cartaz dia 27 de novembro. Vamos??
Vai ser na terça-feira, dia 17, às 20 horas.
Se você quiser ir, escreve pra mim, fal.drops@gmail.com, porque temos um número limitado de lugares.
E tem o twitter do filme também.
E tem mais uma coisa legal, que eu conto logo.


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quarta-feira, novembro 11, 2009

Elvis has left the building

prima yvonne

O Jornal Cruzeiro do Sul, melhor jornal do Brasil, que só perde no brilhantismo de seus colunistas pro Jornal Estado de Minas (mas lá, meo deuos, tem o Almeida Reis, não dá pra competir), deu conta que, no Vaticano, discute-se a possibilidade de existência de vida noutros planetas. Os papatinhos vermelhos de Prima Yvonne nunca me enganaram. Ele também quer voltar pra casa. Vamos lindão, nossa hora se aproxima.


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Redação: Minhas férias - o apagão (ou ainda, segundo a Vera Maria, the Brócolis Paulista is no place for sissies)

Eram mais ou menas dez e meia quando a luz acabou no Brócolis Paulista. Claro que acabou no meio de Lie to me, a coisa mais próxima de vida sexual que tenho, inda mais agora que o Robert Goren vai embora do Law and Order, deixando-me entregue àquele homem que tem cara de quem dorme de cabeça para baixo (ó Silvana, cabe crase nesse 'aquele'?). Rapidamente, com a esperteza que me caracteriza, liguei o computador coaparelhim da Claro pra saber qualéra. Era apagão. E tinha um monte de vagabundo no Twitter reclamando da falta de luz, da nossa dependência de energia elétrica (relou?), das tecnologias e blablablá. Morte lenta e dolorosa espera esses chatos. Bão, mas lá também tem gente legal. Japita contando das trapalhadas no trânsito, Guima narrando em detalhes como foi fazer o macarrão sócoaluz do fogão, o Ina pensando se ia ter coragem de subir doze andares a pé, a Marluce descrevendo como tinha sido tirar a tinta vermelha da cabela com água fria. Enquanto houver bateria em nossos lepistópis, há esperança, eu digo. E a Célia?, perguntará você, leitor dropeano, que conhece minha vizinha master-glamour-cabelo-as-panteras. A Célia estava de bóbis, no meio da rua, indignada, liderando turba de vizinhos. O Governinho Cerra escapou por pouco duma invasão na qual Célia, destemida, lideraria os moradores do Brócolis Paulista, todo munidos de lanternas (tenho certeza que essa lei babaca dele sobre cigarros se aplica às tochas também, o que quer dizer que para invadir o castelo e arrancar de lá a criatura do dr. Frankenstein, teremos que fazer isso com minha lanterna das meninas super poderosas - oi Naty, tudo bem? - ou com as luzinhas dos celulares. É deprimente.), com as cabeças cheias de bóbis, creme pore refiner no rosto e os dedos dos pés separados por aquela espuminha-quépro-esmalte-não-grudar. Maliu, minha valente genitora, voltou da revoluça frouxa de rir, acendendo velas vermelhas e declarando que não ia tomar banho gelado de jeito manera. Temendo que isso fosse alguma cerimônia pagã e nefasta, daquelas quem envolvem cera colorida e pescoços sujos, tratei de dormir de porta trancada, leitorzinho sensual e atento, que eu não dou moleza pro azar.

(E claro que, se no mundo todo a luz voltou às três e meia da manhã, no Brócolis Paulista voltou às sete e meia da manhã, praque facilitar minha vida, némess?)


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domingo, novembro 8, 2009

Uma convocação

Afins de ir à pré-estréia, leitorinho, leitorinha? O filme é lindo, a história é bárbara. Escreve pra mim, que a gente vai. fal.drops@gmail.com :o) (neguinha-preta-diliça, eu te mandei e-mail, é a sua cara)


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sexta-feira, novembro 6, 2009

A primeira vez que eu vi Lisboa, no IG


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quinta-feira, novembro 5, 2009

Viver a Biba

"Fal, amor de mi bida, num posso te levar pela mão porque eu desisti da novela. Saudosa de Mulher-APito, Conceito, Malete, Geléia e outros expoentes do mundo Manéééquiano, empapucei-me de ver o Anão fazendo o Chuck Norris do séquiço e fui-me embora pra Pasárgada, lá sou amigo do rei, lá corrijo provas vendo Glee dublado na Fox.

Beijo!

Deh"


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quarta-feira, novembro 4, 2009

Viver a Biba - resumão do nobelão, enquanto vida eu tiver

Peraê que eu comecei a ver a nobela neste segundo. Vocês vão ter que me levar pela mão.
Ligamos a tevê na Globo exatamente na hora que um lorinho diz pro Quiabo La-rima que dizem que Jesus vai voltar à Terra. Jesus num sei, lorim da tchia, mas a Nave Mãe chegou lá na Fazendinha do Faceibunquis. Petáculo.
*
Gente, como chama a técnica de atuação do Quiabo? Tem que ter um nome isso.
*
Hum, me diz que o lorim tá na Jordânia (acaba de dizer a companheira Isabeau) de camisa xadrez de flanela? Ele é o que, uma sapatão dos anos 80? Meu filho....
*
Ah, tá, o lorim tá na vibe (oi S.) de dar conselhos heteros pro Quiabo. Gente, eu bebi pouco hoje.
*
Esqueci que nos intervalos da Rede Bobo eu tenho que ver pérolas como institucionais do Partido dos Velhinhos Mala e os narradores esportivos escrotos suuuuper-entusiamados a respeito dalgum jogo cu que vem ai.
*
Ah, claro, e propagandas do governo pra contar que as tiazinhas da Vila Sônia vão poder pegar filas quilométricas em hospitais públicos bem longe da casa delas, graças à linha nova do metrô. Patrocínio Governinho Cerra.
*
Milhares de propagandas. Ana Maria Brega de gorro. Gente, eu não pertenço a esse mundo. Ai, credo e citando Zazá de Cavalo e Prussiano. Sifudê.
*
Voltou a Viver a Biba. A gente sabe que é nobela o Manel Manuel, porque as empregadas usam uniforme. Adouro. Se eu mandar a Vera usar uniforme ela me dá um tiro.
*
Quem são essas adolescentes da nobela, meu pai, meu pai? Nem em jogral. E aquela mulher fazendo seu melhor papel, o dela mesma. Haha.
*
O Cara. Gente. Jura que vcs acham gato e davam? E ele tem uma amigo, o Expressivo. Os mocinhos manecais (hahahaha, com o perdão da má palavra) sempre têm amigos Expressivos.
*
Começou o desfile de frases manecais “a cura do veneno é o próprio veneno”. Valei-me Santo Antão. É sabedorinha demais.
*
Ah, cla-a-a-a-a-aro, O Cara tem uma tristeza amorosa no passado, por isso ele é galinha, amargo e chato. Muito chato.
*
'Não existe homem fiel, existe homem sem oportunidade'. Ai ai ai.
*
Isso, O Cara, assina os cheques com a caneta entupida de Viagra, fio. Vai.
*
Ah, essa outra eu também manjo. Senhor. E essa outra também? Deve ser legal não precisar montar elenco, né, é a mesma rapeize de sempre. E ela quer ser babá. Hum.
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Ai, Deus, corta de volta pro O Cara, falando sobre o própreo pau. Vai filho, explica, tou com tempo.
*
Ai, meu Deus. O Expressivo é terapeuta sexual. Tendi.
*
Amo o mundo manecal. A empregada ali, paradeeenha atrás da mesa enquanto o polvo conversa.
*
As fias da Ela Mesma falam com um ovo na boca? De quem é esse ovo, Senhor?
*
E o capítulo acabou, coisa que Isabeau lamenta muitíssimo. A Isabeau é doida, né? E disse que não dorme aqui, vai pegar táxi. Demente.
*
Gente, me ensina as coisas de nobela que eu comecei hoje.


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