Com esse friozinho – aqui na minha terra, pelo menos, tá friozinho – dormir de conchinha é uma grande pedida. Mas a gente é mulé-sozinha-largada-do-marido, o que dificulta um bocado pouco a execução desta prática milenar. Porque, ainda que não seja complicado encontrar alguém pra colocar na sua cama, é praticamente impossível convencer o cabôco a dormir contigo assim. O sujeito tá lá, todo trabalhado na idéia que é um latin lover, e a última coisa que ele vai querer é conchinha. Tudo bem... vamos dizer que você também é uma pessoa empolgada e adepta do embate corporal erótico. Além disso, todo mundo sabe, depois que o moço gozar, ele vai querer dormir. Sim, sim. Só que não vai ser de conchinha. Ele vai, na melhor das hipóteses, virar pro lado e roncar. E nada de esquentar o seu pezinho. Nhé...
Lyrão
Oi Fal, Boa noite.
Acabei de ser seu livro, me emocionei, me diverti, sublimei, escrevi nas margens das folhas e me encantei com seu jeito peculiar de escrever. Em algumas páginas, reconheci historias ouvidas no meio da família.
Em uma tarde na Livraria Cultura procurando pelas gôndolas, vi seu livro e achei o titulo diferente, depois foi só pegar ler as orelhas e levá-lo para casa. Acho que aquela história de que os livros que precisamos ler se jogam encima da gente é mesmo verdade.
Li, Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite de leite em pouco dias. Quando terminei e vi aquelas páginas com monte de agradecimento resolvi ler, afinal não é comum encontrar em um livro tantos agradecimentos, os autores costumam ser bem egocêntricos. E foi ali que descobri que nós já nos conhecemos, alias somos da mesma família, que seu pai foi meu médico por 27 anos e mais que um médico era um querido e inesquecível amigo, e que passei com seu avô Affonso, muitos fins de semanas no sitio da minha sogra, jogando carta e me divertindo com suas histórias.
Como fiquei feliz de saber que você é a Fabia, a filha da Marli e do Nelson primo do meu marido Afonso. Será que você sabe quem sou? Mas não importa, o importante e ter te encontrado.
Já visitei seu blog, seu Flickr, adicionei como contato e vi um monte de fotos de gente tão querida.
Obrigado por seu lindo livro.
Um abraço, e mande um beijo para Marli e diga a ela que também já sou avó de um garotinho.
Ah, vou te acompanhar no Flickr e no blog, não te perco mais de vista.
Maria Cininha
"Hoje sonhei que vc dava aulas de inglês num curso chamado Chocolate, na Mooca, para turmas com moleques da sexta série, das 13:00 às 15:00, de 2a a 6a.
Tito"
O que me mata é a precisão. Das 13 às 15? 6a. série? Sensacional. Hahaha, fora o nome do curso e o bairro, amei, amei.
Na boua, uma pessoa que quer ser levada a sério, não pode citar o Chalita numa discussão. Não pode. Anula todo o efeito seriedade, quando você cita o Chalita.
*
O verde com o qual meu vizinho de frente pintou seu novo "puxadinho", só pode ser definido como 'ignorância'.
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A crise aqui éstá feia. Recebi 3 e-mails desde a semana passada, me chamando pra fazer cadastro em sites especializados (gente, eu juro, vou citar) "encontros para pessoas acima dos 40". Não dá pra ficar mais deprimida do que eu já tou, se desse, eu ficava.
*
Amo essas pesquisas atuais que dizem que crianças que leem mais, tiram notas muito melhores. Amo, porque é a prova inconteste de que, mesmo acertando, eu erro. Afinal, li feito um monge enclausurado a minha infância toda e nunca tive nenhuma nota apresentável, salvo história, literatura e redação.
(minha mãe, criatura não habitada por espécie nenhuma de deus, acaba de rascunhar num papel que, sem leitura, eu teria ido a pique nessas matérias tembém. Aiai. Vai ver que é isso. E por que ela rascunhou, leitorzim sensual e madrugador? Por que ela está sem voz nenhuma, com 40.3 graus de febre, podre, podre. O pulmãozim dela parece aquelas meias arrastão, usadas por senhoras e senhoritas de moral elevada e pernas de categoria idem.)
*
Sem modéstia nenhuma, eu sei fazer café, Deus me abençoe.
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Tava demorando pra culpa ser do Glauco, caras.
*
(Ô gente, pra quem ainda não conhece o Trotta, é honra máxima ter o Trotta aqui, viram? O Trotta é um cara muito, muito importante pro mundo que se transforma nos computadores da gente, pressa nova forma de comunicação nas redes sociais, pra tudo que ainda virá. Um dia o nome dele vai constar dos livros de história e das aulas de comunicação nas universidades. E, caras, teve coluna dele no Drops.)
"Férias – Tive notícia telefônica de um amigo passando férias no litoral. Disse-me que está curtindo o sol e o marzão, recarregando as baterias para encarar 2010. Fiquei feliz e intrigado. Feliz, porque boas notícias me deixam alegre; intrigado, porque o excelente patrício não faz absolutamente nada durante o ano, a não ser tirar férias. Conheço-o há mais de 20 anos e nunca soube que tivesse qualquer tipo de atividade laboral: joga tênis, frequenta botequins, namora e é só. É bom saber que está recarregando as baterias."
Falzita, tô pensando em escrever uma historieta sobre uma princesinha medieval de tez alva, aprisionada desde muito pequena numa torre alta, sem contato direto com outras pessoas, guardada por dois dragões. De algum modo que ainda não sei qual (uma corda trançada com seus próprios cabelos?), ela consegue fugir da torre e encontra o príncipe, filho do rei que a mantinha cativa. Ela, então, se aproxima dele devagar, tomada subitamente por um desejo que não conhecia, uma fome primitiva que até então lhe era estranha. No dia seguinte, acordado pelos uivos lamentosos dos dragões que protegiam o castelo e o reino da gentil princesinha, o rei encontraria os restos parcialmente devorados de seu filho no chão do jardim defronte ao castelo, tingindo de vermelho os delicados arranjos florais próximos...
Fal, eu acordei puta, tá ligada? Puta da vida e atrasada. Até aí, nenhuma novidade. Eu sempre acordo puta. E atrasada. Desde os quatro anos, que foi a idade que eu comecei a ter horário pra acordar, que eu acordo puta e atrasada. A minha mãe era uma coitada e tentava. Ela abria a janela, cantava, dava mamadeira morna e a única coisa que eu queria era gritar um monte de palavrões e que ela morresse. Eu não sabia que era isso que eu queria, claro. Com quatro anos eu ainda não sabia direito o que era morrer. Acho que eu falava “ir pro céu”, uma merda dessas. E também tem o seguinte, com quatro anos eu não sabia falar palavrão. Nenhuma merda duma porra de um palavrão. Acho que foi por isso que eu aprendi a me masturbar tão cedo. Alívio. Eu precisava de alívio. Mas eu acordei puta e atrasada e todas as camisetas e blusas que eu cheirei estavam fedidas. Se isso aqui fosse um filme americano, eu faria uma trouxa charmosa e no sábado de manhã iria até uma lavanderia daquelas que as máquinas funcionam com moedas. Daí eu ia dobrando a roupa (roupa de americano não precisa passar) e então um cara bonito, mas não muito, velho, mas não muito, e com ar de cachorrinho, iria puxar assunto comigo. A gente ia pro apartamento dele fazer um sexo selvagem, porém terno, e o resto eu anda não decidi. Ainda não sei se a gente ia casar e ter filhos. Ou só trepar regularmente. Mas isso não é um filme americano. Não existem lavanderias desse jeito por aqui. Talvez em nenhum lugar da cidade. E se houvesse, e eu fosse lavar minha roupa lá, o máximo que aconteceria seria algum tarado, casado, de meia idade e com mau hálito roubar meu sutiã. Sério. Os tarados, bêbados inconvenientes e sinceros crônicos sempre me encontram. De qualquer forma, não há lavanderia nenhuma, com ou sem tarado. O que há é minha máquina de lavar, que tem mais de 12 anos (o mesmo tempo que eu moro sozinha), um varal de cordinha minúsculo, numa área de serviço que parece uma caixa de fósforos e uma diarista, Dona Cinira, que deveria tacar a roupa suja na máquina numa semana e passar na outra, mas ela não vem trabalhar há três semanas, o que deve querer indicar que ela me largou.
Tell the bell-boy come and get my trunk
'Cause I'm leavin' here tonight.
I packed my bags and paid my bill,
And I'm turnin' in my key.
And if those sad souls down in the lobby ask for me,
Just tell'em
I'm checkin' out of the heartbreak hotel.
I ain't gonna live on lonely street no more (no more).
I've found a new love and a new place to dwell
Where teardrops ain't soakin' the floor.
So, take down my suitcase and hand me my hat.
I'm goin' from sleazy to swell.
Give that desk-clerk a dime.
And you can just tell him that I'm
Checkin' out of the heartbreak hotel.
S. Silvestein
Por que não: AInda a respeito das delicadezas recusadas
Ainda a respeito das delicadezas recusadas, tenho a acrescentar que o sentimento de decepção quando alguém recusa uma gentileza que muito me custa fazer porque normalmente sou uma troglodita, é acachapante. Eu sei, a palavra é horrível, mas só ela traduz o sentimento. É como se o coração entrasse em colapso e pedacinhos dele fossem caindo lá dentro, a sensação é estranhamente física. Convites que não são aceitos eu entendo perfeitamente, ninguém está à disposição do outro o tempo todo, mas convites que não são respondidos são para mim o equivalente a me reduzir à invisibilidade. E analisando bem isso, o que é o RSVP? É a institucionalização da indelicadeza, mundialmente. Quem faz um convite está sendo gentil, pedindo a participação em uma coisa importante da vida. E tem que PEDIR POR FAVOR pra dizer se vem? E quase ninguém nem responde. Ou de má vontade diz que vai e depois simplesmente não aparece porque teve que lavar o cabelo. Isso sem mencionar a pura e simples falta de educação, civilidade, consideração e respeito. E o pior é que a lista de amenidades desprezadas vai longe. Rebelde&Subversiva
Acordei às 3. Baco na caminha dele, nem se abalou. Nada. Fiz café, subi, botei água nova pros gatos e, ainda sem acender a luz, abri computador, vi e-mails de Alice e Elô, subi as coluninhas pro Drops, respondi LV, olhei emais e-mails, e agora tou aqui separando textos e mais textos pra parar de passar vergonha com a Helena. Deu dez pras cinco, esse cachorro maluco levantou e veio me cutucar pra sair. Ele vê as horas, só pode ser. Deve ter um despertador da Moranguinho nalgum lugar, escondido ali na caminha dele. Aiai. Vamos pra rua.
Eu e a Lola...
Tenho uma gata que se chama Lola...
Até aí nada demais, muita gente tb tem.
Acontece que a "minha" Lola é anã ou o Caetano (meu gato) é gigante pois ela tem menos da metade do tamanho dele.
Tb nada demais.
Mas... acontece que a Lola não mia, apenas dá uns guinchinhos qdo se sente ameaçada.
Porém o que quero contar é que acho que ela é tb uma cachorrinha.
Ela mora no corredor aqui de casa. Tem iglú, caixa de papelão e almofada mas prefere dormir encostadinha no rodapé do corredor, de barriguinha pra cima e cuidando que nenhum mosquinho venha incomoda-la e tocaiando alguma lagartixa mais imprudente.
E a única brincadeira dela? pois é... Sabe aquelas rodinhas de croche que servem para amarrar os cabelos? Ela tem de monte e eu, minha ajudante e até o zelador do meu prédio volta e meia brincamos de jogar "lacinhos" pra ela apanha-los no ar. E dá cada salto a menina...
Como sabem eu sou "bengalante", não posso me abaixar por causa de um joelho estragado pelo tempo e pelo uso. E sabem o que faz a Lola? Ela já percebeu minha deficiência e, vai lá, tras um lacinho na boca e dá um guinchinho me chamando pra brincar. E eu brinco, né? uma, duas, diversas vezes, até ela cansar. Fazer o que? Eu tenho uma cachorrinha que se chama Lola.
(aaaahhhhhh, Alice, que linda!!!) *******
Elo: Pequena lista de grandes medos
"Teus medos tinham coral e praias e arvoredos"
(Fernando Pessoa)
Eu tenho medo de:
coisas de garrafa pet reciclada; crochê; toalhinhas de plástico tipo renda; coisas de gesso e de biscuit; "objetos" de jornal reciclado e envernizado; pregos não enferrujados; facas enferrujadas; gnomos de jardim; cachorro bravo (e grande); flores de plástico; cachorro de camurça de colocar no carro e que fica balançando a cabeça; borboleta e mariposa; nossa senhora aparecida sem cabeça; braços e pernas de ex-votos; cores marrom e cinza; broca de dentista; brinquedos de playcenter; caminhão desgovernado; esportes radicais; peruca de nobre francês (de inglês também); comida verde; boca banguela mascando chiclete; quadro de jesus com coração exposto lágrimas e suor de sangue e coroa de espinhos; tirar mandi do anzol; gatos, cobras e coelhos albinos; óleo de fígado de bacalhau; senhor scott da emulsão do bacalhau; cavanhaque e sobrancelhas grossas formando taturanas; pelos no nariz e orelha; mártires quando estavam - ou estão - vivos; carneirão de chifres enrolados; rebanho de ovelhinhas mudas pastando olhando pra baixo sem ver nada; música carneirinho carneirão, olhai pro céu, olhai pro chão; manada de porcos devoradores de pés humanos (e do resto também); anjinhos nordestinos, aqueles olhinhos vidrados, aquelas roupinhas e asas azuis e brancas de cetim e renda (talvez as roupinhas sejam pra procissão, não pro enterro, o que não difere), parece cena de auto do suassuna, livro da cachorra baleia, filme de severina... tenho medo de boneca de porcelana, de olhos vidrados de bonecas de porcelana; jardinzinho florido e bem cuidado, sebe inglesa; as bailarinas do degas também são um pavor. medo medo medo. de mim. Mas não tenho medo do corvo do poe nem da virginia woolf... eu tenho medo de placas de bronze em sinagogas, escrito "lembre-se de"; tenho medo de bifes de fígado, verdes depois de um tempo; bolinho de miolo; buchada com gosto de toalha de banho felpuda; de sandálias altíssimas de plataforma; bota de bandeirante; uniforme de escoteiro; botox no rosto deformado; xuxa, adriane galisteu, hebe camargo, luciana gimenez; música sertaneja; perna peluda; cabeça com bobbies. Bobbies sem cabeça.
Eloisa Helena Maranhão
(adouro essa lista de medos, Elô. Demais da conta.)
As pessoas não querem ser tratadas com educação. Muito menos com doçura. Elas não querem ser tratadas de "querida" e "benzinho". Eles querem ser tratadas fria e rapidamente. Dê um apelido carinhoso à alguém (patinho, flor, coração) e receba um agressivo "Por que você tá me chamando disso?". As pessoas não querem bom dia, beijinhos, abracinhos. Se você vai ali tomar café, compra uma bala de ovo pra vc, e aproveita pra comprar uma pra ela, ela não recebe o presente feliz (não grata, não convertida à sua fé, não te adorando como um deusinho vivo, não tou falando de nada disso, só feliz). Ela se sente invadida. Devedora. Ela odeia você. A Carina tenta me ensinar isso há anos, eu me recuso a aprender, mas venho por meio desta declarar que tenho aprendido. Duns meses pra cá, especialmente depois da última porrada, estou cada dia mais fria, mais sem graça e, por que não admitir, mais sem educação. Ninguém entra aqui, acabaram os e-mails com gatinhos que dançam, acabaram os cafezinhos com pão e geleia e, para meu eterno espanto, funciona. É disso que o povo gosta. Eu odeio. Pra falar a verdade, eu quero ser tratada de querida, eu quero que alguém se lembre de mim quando for comprar bala de ovo, eu quero um e-mail no meio do dia dizendo que viu um cachorrinho no parque e lembrou no Baco, que leu meu nome no jornal, que escutou a música que eu adoro. Mas quer saber do que mais? Já sobrevivi a coisa pior, vou sobreviver a isso também.
Pode ser o narrador do Verissimo, o pai. Um narrador respeitoso, educado, gentil. Um narrador que tomou banho, que lavou atrás das orelhas e que combina o cinto com o sapato. Ele te dá o braço e diz "Vem comigo. Vê, ali está Ana Terra. Ali, as águas onde ela se olha e pensa sobre sua vida. Ali está o velho Licurgo, olhe as sobrancelhas dele, olhe a dignidade desse homem. Esta é Santa fé, my pride and joy. Aquela velha é Bibiana Terra. Quer uma água? Não? Pois, continuemos...".
Pode ser o narrador do Melville, que grita pra você de cima do navio "Ande, homem de Deus, suba a bordo logo, não temos o dia todo!". E você corre com ele pelo convés, pelo dormitório dos marinheiros; juntos vocês cuidasm das velas, baixam os botes, alinham os arpões, enfrentam o mar encapelado e sentem saudades de casa. E quando a ira de Ahab se torna maior que a baleia, quando a baleia se vinga e quando Deus esquece vocês, o narrador (pode chamá-lo de Ismael, se quiser) continua dono da história. Ele não te esqueceu num canto. Mas cuidado, ele não vai te proteger e é melhor que você saiba nadar.
Pode ser o narrador do Zola. Este te enche de porrada, enfia a língua dentro da sua boca e te come em cima da penteadeira. Você não tem tempo nem de respirar e já vai gozar de novo (junto com ele, inclusive, que nunca goza sozinho).
Pode ser qualquer um, desde que seja, uhn, ativo. Não importa como. Conrad, Eça, Salinger, E. Dickinson, Maupassant; todos com seus narradores, cada um a seu modo, seu tempo, sua verdade. E todos ativos, sempre. Todos cientes para onde e por que vão, mesmo enquanto ainda apenas procuram as chaves do carro.
Sr. T, o vil plagiador
***
Ah, é esse o ponto ao qual chegamos, leitor. O homem pega a sua carta de amor, melhora (bem muito) o que vc escreveu, transforma em coluninha do Drops e manda de volta pra vc. Francamente.
- Mas Rodrigo, o que é que Torresmo tem dessa vez, meu filho?
- Fabia, olha... seu carro está em crise.
Contaminei o menino. Pra não falar do carro.
*
Célia, que estava em Las Vegas, voltou. Todo o Brócolis Paulist celebra.
*
Devagarzim, tou escaneando as fotos de família que ficaram conosco (o destino das que ficaram nas mãos de Setembrina sempre me intrigou.... o que você faz com as fotos da família do outro, especialmente da infânica do cara, da infância e adolescencia e começo de vida adulta dos filhos do cara? Ah, quando você não tem caráter, claro, porque quando você tem, bota numa caixa e manda embora, devolve as fotos pros caras cuja vida tá congelada naqueles pedacinhos de papel. Quando você não presta, você faz o que? Joga fora? Faz macumba?). Mas enfim, tou escaneando as fotos que nos restaram, subindo prum album, guardando em pen drive pra, depois, mandar as fotos de papel pro Pedrão. É ele que tem filhos, é ele que tem que guardar, se quiser, se for do agrado dele, a memória dos que se foram e dos que tão aqui, mas vão logo, que nem eu. Até os meninos crescerem. E poderem tomar a mesma decisão. E aí que é uma confusão, né. Tem foto do pai em 98, outra dele em 93, corta pruma da mãe em 2004, uma da vó em 32 e depois uma dum cachorro que tivemos em 78. Mas é uma confusão agradável. Falta muita coisa, tem fases inteiras da minha vida, da vida do Pedrão, desaparecidas (tipo, do tempo dele de facul nao tem nem uminha, inda bem que ele tem o diploma pra provar que teve lá). Mas mesmo assim, é muito gostoso.
*
Recomeçou 24 horas. Adoro essa série. Não entendo 90% do que se passa. São homens suados e estranhos, correndo para lá e para cá durante uma hora (em momento NENHUM eles recarregam o celular... sei que cada episódio retrata só uma hora da vida do cara, a Cris Carriconde teve a delicadeza de me explicar isso, porque eu, palavra de honra, não tinha entendido, mas se você ficar com o celular ligado o dia TODO a bateria acaba antes do dia). Eles estão envolvidos em operações de nomes esquisitos como "Cavalo Alado", "Monte Flamenjante", "Jupira Escarlate", "Urso Depilado", sei lá. Repito não entendo nada, não sei do eles estão falando, a tela está quase sempre dividida e tela divida é a morte pruma pessoa lenta como eu, não atino nada daquilo, mas a hora, a minha e a do Jack Bauer, passa num suspiro. E as minhas horas tem levado tempo demais pra passar nesses dias. *
A tranquilidade das pessoas me encanta. E não, eu não estou sendo irônica. O cara te dá uma facada certeira e pouquíssimo tempo depois, te encontra, te abraça, liga pra saber como vc está, manda beijos, bate os papos mais casuais, sem mencionar absolutamente nada do que se passou. Cicatriz? Qual? Mas então, discutindo cintura império com a camarada Renata, pensando com ela o quanto mudam nosso olhar, nossos padrões, como mudamos todos, sou capaz até mesmo de sorrir. Dar as costas jamais, não fico sozinha na mesma sala com criatura tão hábil no uso de armas brancas nunca mais na vida, mas sorrir? Tudo bem. Tou craque em sorrir.
*
Voltando ao Jack Bauer, incrível como a aventura o persegue. Amo. Ele ia só fzer a mala e voltar para Los Angeles, praa brincar de vovozinho com a neta e levar uma vidinha de segurança de xópim e, pimba, os mais perigosos assassinos/ saqueadores/ facínoras/ legendários pokemons/ agentes federais/ informantes/ esquilos sem grilo/ colunistas sociais/ terroristas/ bucaneiros/ psicopatas/ Ultrasevens/ serial killers/ aqualoucos/ atiradores/ milicos/ intestinos preguiçosos/ carimbadores malucos/ estrategistas governamentais/ Harrys Potters/ punguistas/ lanceiros (oi Paulo Vanzolini)/ cientistas malucos/ super mouses/ harpics max/ tocadores de oboé/ farmaceuticos foras-da-lei/ piratas da perna de pau/ Robertis Gorens/ bookmakers / teletubies desabam sobre a vida dele e começa mór correria. Adouro.
Ela, de quatro, assume ares de felina e proclama, absoluta: "Tomai e comei; este é meu corpo". A resposta, quase um suspiro, é toda um abandono urgente, um desalento profundo: Ele sabe que, mesmo quando a exige para si, Ela se entrega, satisfeita e passiva, ao Outro.
Revelação
E, subitamente, de seus silêncios, ausências e subterfúgios, Ele vê o óbvio: Ela era uma personagem em busca de um romance em que coubesse, alguma história na qual nada seria improvável, exceto um final feliz.
Terra Arrasada
Ele sai decidido, bate a porta atrás de si, única certeza sólida nos escombros que abandona. Uma outra vida começaria agora, uma vida por vir, um recomeço, uma miríade de novos erros a serem repetidos, novas ruínas a serem construídas sobre terra arrasada e salgada. Pois isso Ele ainda não sabe: por mais que corra, por mais barulho que faça, ainda seria d'Ela. Mesmo a contragosto.
Sr. T, o que só conhece R. Barthes de nome (e, ainda assim, mal)
Você usa com frequência o seu equipamento de som em alta potência. Embora de forma circunstancial, isso pode revelar:
a) A qualidade do seu equipamento.
b) As peculiaridades do seu gosto musical.
c) Que você é um cara de sorte.
d) Que seu vizinho é um babaca dum corno manso, seu fdp de m!, ou você já teria virado purpurina.
e) Todos os itens listados. Nando
* Sr. T: Consumo
"Sou um McLanche Feliz, que sorri para quem me consome, que enfastia e não alimenta", Ele disse. Ela, agora ciente, devorou-o em três mordidas displicentes, guardando para si, de lembrança, o inútil brinde.
Sr. T, o palhaço
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Sr. T: Lição de Casa
Em tendo lido isso, agora tudo ficou mais claro: História é o que faz o boi dormir enquanto os bárbaros invadem Roma e a vaca vai para o brejo, levando atrelada a si toda a civilização ocidental.
Fal Vitiello de Azevedo escreveu:
eu não conhecia ele nao, e como disse o pedrão, ao mesmo tempo a gente conhece, né? tipo, tirando o do meu irmão, o primeiro pinto que eu vi na vida foi o geraldão, HAHAHAHA!
porra, o cara faz parte da identidade cultural da gente. pelo menos da identidade cultural lá de casa. a gente cresceu lendo (nao que ele seja tão mais velho que eu), é tudo muito sórdido, seja lá pelo motivo que for.
eu tou acabada.
Helena Gozzano escreveu:
putz, vc disse tudo, Fal. Eu tb ficava de olho no pinto do Geraldão.
Tem horas que a vida fica sem nenhum sentido mesmo...
Fal Vitiello de Azevedo escreveu:
Helena, acho que urge que nós organizemos uma concentração cívica e cidadã na Candelária, todos de roupa branca e vela na mão, exigindo - nao pedindo, mas exigindo - a presença da nave mãe aqui já. E nas faixas, os dizeres "TOMA JEITO, NAVE MÃE!"
Meu Deus do céu, como se não não bastasse a vida real, a moda das cantoras com voz de criancinha boba alegre não vai passar nunca mais? "Não é debiloidice, é singeleza", me dizem os pedófilos. Hum-hum.
[11:19:20] Anna Buarque: eu só devo começar a mexer na papelada amanhã
[11:19:33] Anna Buarque: mas pode deixar que eu te aborreço, assim que precisar
[11:19:57] Fabia Vitiello de Azevedo: vc nunca aborrece
[11:20:12] Anna Buarque: mas eu tento
[11:20:22] Anna Buarque: não é por falta de tentaviva
[11:20:28] Fabia Vitiello de Azevedo: HUAHUHAUHAUHUAHUAH
Sobre os linques
Devagar, tou tentando limpar a lista de linques aí do lado. Fazia séculos que eu não mexia e tem muito, muito linque desatualizado, blog que acabou, enfim, aquelas coisas.
Se, num momente de total burrice, eu apagar seu linque, ô meu deus, justo o seu, por favor, me avise. Não mie, não me odeie, não faça chantagem, saiba que eu já carrego culpas demais e que, sim, foi sem querer. Me avise na boa, eu recoloco lá na boa. Só procê saber, certa ocasião apaguei o Claudim, justo o Claudim, que é phiiiino demais e não me avisou e a coisa durou séculos, té eu me mancar da burrice. Se eu fiz com Claudim, ex-prometido de Alexandre e meu eterno futuro marido, é sinal que minha bobose desconhece limites. Então, é só me avisar, na buena. E, por favor, me avise também se você esbarrar nalgum linque-beco-sem-saída ali, por favor.
Bom dia pra nós.
Cadê o sono que estava aqui?
*
Amanhã (hoje, né) será um daqueles dias de pedir perdão pra faxineira. Que zona, meu Deus.
*
Todas as noites, Berta corria pelo beiral estreito, pateava a janela do fio da vizinha e dormia com ele. Agora ele acabou a faculdade, arrumou um emprego e foi embora de casa. De modos que ela vai até a janela do menino, chora desconsolada, volta e fica me olhando com cara feia. Que que eu posso fazer, me diga, leitorzinho? Tentei explicar a ela que a vida é assim, mas ela não conforma.
*
Dor de ouvido: Sim, tremenda.
Quero lembrar aos senhores e às senhouras, que Oscar não foi feito pra premiar talento. Oscar foi feito pra premiar mercado, grana arrecadada e possibilidades de. Das veiz té se premia um talentim ou otro, mas é coincidença, fios, não era pra ser assim. Então, comemorem o que for pra comemorar e não sofram. E de quando em vez, gritos de "YOU GO, JEFF!!" (que aleáááás, vi as fotas hoje, tava um pecado, ele é um bálsamo nesse mundo de hominhos barbeadinhos e com cara de irmãozim mais novo, creda)
*
Eu nem vi nada, oito e pouquin de ontem tava dopada, no mundo encantado dos drogados, com a maior dor de ouvido dos últimos anos. E acho que já contei aqui, sala de espera do otorrino tem dois ou três nenês de braço, uma ou duas criancinhas bem petiticas e eu, com minha cara de tonta, porque dor de ouvido é coisa de criança, não de viúvas idosas, celibatárias e afastadas deste mundo sujo.
*
A maluca e Martinálio, o pão, me ligaram loucamente, rindo, siacabando, e eu respondendo tudo drogada e ausente, desculpem, queridos. Amei vcs me ligarem no meio da festa, seus fofos.
*
Falando em celibato, duas amigas ninando um cafezinho e falando sobre namoros e homens e "ele era assim e ele era daquele jeito e..." e me dei conta que você tá mesmo fora do jogo quando seu grande ideal romântico é o Professor Snape.
*
Democraticamente, tenho preferido não ler muito o twitter, desculpa se você falar comigo e eu demorar a responder. Democraticamente, prefiro não ler certas coisas, já tive decepções que bastarão por anos e anos, carece-mais-não.
*
Pela dificuldade que tenho de me livrar do livro pronto e mandar pra editora, só posso imaginar a lamentável categoria de mãe que eu teria sido. O guri jamais acamparia, jamais iria fazer faculdade fora. Ô doença. O livro pronto, despencando, livro com data de validade, sabe, tem que mandar embora, e eu ali, "Não, Anna, pera, só mais uma coisiquita...".
*
Carinhas, vamos combinar que nós vamos manter nosso fator de psicopatia sob controle? Tipo, o moço tá usando a cuequinha benta do Bob Esponja, então o mal não o alcançará, mas mesmo assim?
Esse é mais um serviço da Recados Herméticos Ah??, uma subdivisão da Holding Drops Corporeichon.
* Inscrita eu tou, né, mas quedê que eu participo direito? Mas a trilogia da família Barca é muito da boa, a pesquisa histórica do cara é impecável, inda que a literatura se arraste um cadim... e eu prometo relatório (a pilha de resenhas a fazer vai bem, grata).
* Artigo óóótemo do Doni, aqui.
*
"O problema", diria meu paizinho, "é que somos poucos e nos conhecemos muito".
*
Alice, meu amor, cadê vc? Esse final de semana dei o DVD da Branca de Neve pra filha de seis anos duma amiga e disse a ela "A Branca de Neve e eu somos 'assim', sabia?". "É, tia?" "É amor, a gente fala no telefone e tudo".
Hahahaha, carona nas costas de amigo famoso, Alice, adouro. Mas ouvir a voz do desenho depois de ter falado com vc é tão emocionante.... :o)
* Você precisa sorrir o tempo todo. Mudar a dose, o remédio, o médico. Há que existir uma química que cure essa tristeza, que espante a dor, que tape a ausência, que faça você feliz, radiante, luminosa, como nós, como nós, como nós. Quando digo que você morreu e que, infelizmente, não há química que resolva, as pessoas sacodem a cabeça e se afastam. É tristeza demais, dor demais, onde já se viu, é inaceitável que minha tristeza cutuque a dor que eles escondem há tanto tempo, de forma tão eficiente. O mundo desaba, o leite transborda, o grande amor não era exatamente isso, nem a maternidade, nem o emprego, mas esperamos que você tome sua tarja preta, faça as unhas, perca algum peso, engula o choro e sorria. Você está mesmo sendo filmado.
***** Coluninhas do Drops
Não é possivel que seja tão impossivel instalar um roteador. É ridículo. Pelo amor de deus, alguém tem um técnico de internet de confiança? Dos que atendem o telefone, se possível for. A Isabeau tá acolá tendo um ataque de pelanca. É bom ver alguém chorando com a internet dessa casa que não seja eu, pobrezinha da Bel.
Por que não: Coisas que não existem
- beleza 100% natural
- comida de regime melhor que comida-bomba-calórica
- perdão incondicional com esquecimento total da ofensa
- falta de tempo (questão de prioridade)
- beleza que dure para sempre
- ausência total de preconceito
- criança que não dá trabalho
- desprendimento
- paixão sem dor
- dinossauros, cegonhas que trazem bebês e Papai Noel
- nunca
- para sempre