Fasten your seat belts it's going to be a bumpy night
Faltam 9 páginas preu alcançar a meta de hoje. E como hoje já é amanhã, vamos dizer que cabamos deentrar em zona de turbulência. Daqui té dia 1 de setembro.... (preencha a linha pontilhada com todas as metáforas de baixíssimo nível que você se lembrar).
¨¨ Chuto eu que é do All about Eve, aguardo humildemente pessoa mais culta me corrigir.
(hauhuauha, num deu nem 10 minutos, quem tem um Gui, tem tudo. É sim e ele deu té linque, coiso fofo da tia)
Ná Ozzetti cantando Itamar Assumpção é a definição mais exata de alguma coisa que eu não sei o que é. Tive um trabalho uma vez que me ensinou um monte de coisas e me deu boas, boas coisas também. Uma delas, foi poder conviver alguns dias, com o Itamar Assumpção. Eu fiquei tão.... eu ia todos os dias pro trabalho achando que ia morrer. Eu prendia o cabelo na frente do espelho pensando "Acho que hoje eu vou morrer", de tão fraca, de tão nada que me sentia. O cabelo dele tava quase todo branco e eu olhava praquele cabelo e sumia. Era como se eu não existisse. Foi durante esses dias que entendi essa expressão que desde então uso tanto "andar sobre flocos de algodão". Foram dias em que eu não existi, nada existiu e eu não sei bem como saiu show dele nas noites lá do meu trabalho. Graças a mim é que não foi, porque eu não conseguia fazer nada, nada. Eu só respirava perto dele e a única coisa que conseguia pensar era "Eu estou perto do Itamar Assumpção. Ele falou comigo. Ele pediu água. Eu vou buscar água. O copo. Copo. Ele passou o som. Ele vai tirar uma soneca. O Claudião quer uma peça pra luz do show. Eu não sei que peça é. Eu não sei onde está o talão de cheques e o Claudião quer ir comprar a peça já. Ele falou comigo de novo, esqueci quem é o Claudião e quanto custa a peça. Ele está trocando as cordas do violão. Ele tem mesmo a voz mais linda do mundo, ele pede água e parece que está decretando a fundação de um novo país. Óculos. Dentes. A filha dele chegou. Ele falou comigo. Meu deus, não sei o que ele falou comigo. Sacuda a cabeça, Fabia. Isso. Finja que entendeu. Balance a cabeça de novo. Vá buscar mais água." Hoje penso que ele deve ter adorado o Piccollo empregar pessoas com problemas, ele deve ter pensado "que lindo esse programa de dar trabalho para pessoas com atraso mental, é preciso valorizar os deficientes". Foram dias em que eu sumi, não fiz nada, não pensei nada, fui incapaz de verbalizar meu amor profundo, de pedir autógrafo, de tocar nele, de dizer como ele era tão importante para mim, de como a vida tinha outra dimensão por causa da arte dele, de como meu olhar era novo e outro por causa das coisas que ele mostrava, de fazer qualquer coisa que não fosse andar para lá e para cá com cara de abobada. E ir buscar água.
ps: conheci o Wandy nesse trampo também, e as mesmas cenas de profunda idiotia se repetiram. Sou caso perdido pro mundo dos ricos e famosos, isso sim.
Há tradutores que fazem TUDO. São tradutores de algum outro idioma, mas
traduzem do espanhol porque é parecido com o português. Traduzem do
português para algum idioma estrangeiro só porque um diploma diz que
aprenderam esse idioma. Ousam traduzir vídeo para legendagem (ou até
para dublagem!) só porque lhes deram o script. E por mais capacitados
que sejam em certa(s) área(s) da tradução, entram para a multidão de
amadores e aspirantes quando invadem outra(s) área(s) sem contarem com o
devido preparo.
Minha conclusão, depois de tantos anos de tradução profissional, é que
uma parte importante do profissionalismo está em saber (e ter a coragem
de) dizer NÃO SEI FAZER ISSO, NÃO FAÇO, procure alguém especializado.
Alguns clientes não acreditam, outros não aceitam, mas é preciso fincar
o pé.
É claro que isso não significa fechar as portas para a possibilidade de
aprender. Mas é preciso ter uma noção realista da própria capacidade, e
atualizá-la constantemente. É claro que "não sabemos o que não sabemos",
mas é falta de profissionalismo descobrir o que não se sabe às custas do
cliente.
Fabia Vitiello de Azevedo, você é uma panaca.
* Ah, oia eu!
*
A todos os que, gentil e delicadamente perguntaram, querido corpo continua na revorta, dormindo pouco, querendo rua. Vai prum colégio militar.
*
Como uma senhorinha de quase quarenta anos pode estar perdidamente viciada em lip balm, pergunto eu e respondo eu mesma: não sei. Mas estou viciada terminal. Eu sou uma tranqueira.
*
Cabei mais uma biografia do Antônio Maria. A Danuza Leão tem toda razão, há um charme em vocês jornalistas, meninos e meninas. Vocês são... encantadores. Chama "Um homem chamado Maria", eu já havia lido, mas estava tão mauzinha quando li da primeira vez, que não contou. Reli, apaixonada.
*
Então, a bagunça do gás de rua no Solar Tolosa, néam? Estamos no seguinte ponto: os moços vieram e consertaram nossa calçada. 'Mas Fal,' pessoa racional e equilibrada como você, perguntará, 'finalmente instalaram o gás onde faltava, máquina de secar, torneira da cozinha e chuveiro?'. 'Nao, não, não', direi eu. Ou seja vão quebrar a calçada traveiz. Ah, as muitas emoções da minha vida.
*
Entendam, isso não é jabá. Não sou paga pra falar disso. O nome disso, portanto, não é jabá. É sonho de consumo. Mais um motivo pra tudimnóis ir morar em Curibita. OBA delivery.
* Durante o trabalho
@nessalemes: As pessoas estão mais malucas ou eu que passei a prestar mais atenção?
# [14:04:39] Thiago Medeiros: me convidaram prum site de relacionamento de perguntas e respostas... era o q me faltava pro porvo oficialmente se sentir à vontade pra invadir minha vida
# [7/7/2010 21:50:11] Fabia Vitiello de Azevedo: penetrando no cap 39
sil de deus
tou no pau
o trem aqui num faz sentido
ou eu tou doidona de chá de hortela [7/7/2010 21:51:53] Silvana Ferrari: hahahahah!!
amor, se chá de hortelã deixasse a gente doidona, eu plantava
* [10/7/2010 17:25:04] Fabia Vitiello de Azevedo: formata essa merda, por favor?
e aproveita e lê, qd der, a parte dela falando de fio e marido
pelo que eu entendi, sil
só vira escritora boa e de sucesso quem é casada e tem fio, viu?
todas sao felicissimas
casadissimas
e cheias de filhos
eu tou no sal, sil, no sal [10/7/2010 17:26:44] Silvana Ferrari: Fal, o mundo só tem lugar pra quem é feliz
* [15:16:49] maria.carolina.marzagao.jimenez: meu marido e eu incorporamos um dialogo seu e do Alexandre no nosso cotidiano
agora cada um que faz um treco meio non sense o outro fala assim
" vc vai trazer pão de queijo pra mim?"
e ou outro responde
" eu nem sei se eu volto"
fica a brecha ´pra cobrança de royalties hohohohohoho
Ela é preta, tem só uma manchinha branca no peito, tem olhinhos amarelos, deve ter uns 6 meses e entrou na garagem, berrando por comida e atenção, ontem de noite. Minha mãe, que graças a deus de-tes-ta gatos, deu água, comida, leite morno e ficou balançando ela no colo e dizendo 'coitinha coitadinha nao tem mamae coitadinha'. A gata faz o estilo "vcs tem que me amar pq eu decidi assim", mexe em tudo da sala, exige colo, trepa na cabeça da gente, tenta mamar nas almofadas, aprendeu no ato onde fazer seu cocozinho (gatos são imbatíveis nesse particular), e na hora que a gente foi dormir começou a chorar chorar chorar, então nós cantamos aiaiaaaaai isaaaaura, hoje eu não posso ficar e o nome dela ficou esse mess.
Ela dormiu na cozinha, se deu bem com gata velha e Baco.
Hoje de manhã, descobri que ela ama pastel de ontem e suco de laranja. E bebeu café com leite da minha caneca, que tomaticamente virou a caneca dela, claro.
A bicha é uma draga.
Ela joga as coisas no chão, mastiga a cabeça de joaninha do meu chaveiro e come meu cabelo. Ainda não aprendeu a não pisar no lepistópis, mas a esperança habita meu coração.
Isaura. Esperemos que ela queira ficar. Fotos assim que eu comprar pilha pra máquina.
Querido corpo:
Oi querido. Boa noite. Quer dizer, bom dia.
Querido corpo, escrevo para dizer que eu sei, querido. Sei que foram semanas de tensão infernal. E sei que outra maratona está prestes a começar. Mas queridíssimo corpo, você precisa dormir. Você entende? Você já passou dos vinte, querido corpo. Sejamos francos, faz séculos que você passou até mesmo dos trinta. Meu bem, você precisa dormir. Por favor, tente entrar em acordo com a nossa também querida amiga mente, sim? Peço que você fale com ela, porque de nossa querida amiga mente eu já desisti. Fale com ela, explique que vocês já não são mais crianças e que, portanto, dormir hora e meia, duas horas, há tantos dias, não é certo. Não é justo comigo, querido corpo.
Por favor, o que passou, passou. E antes que nova onda inacreditável de trabalho nos derrube da prancha, vamos dormir um pouquinho, nós três, juntos, agarradinhos a Baco e aos gatinhos, na nossa coberta de peixinhos, sim?
Obrigada, querido corpo. Agora apague a luz e venha para a cama.
Uma grande perda não tem graça nenhuma. Numa grande, enorme, abissal perda, não há encantos, filosofia ou espaço para manobra. Uma grande perda não dignifica, não nos torna maiores, mais atilados, nem bondosos de coração, não garante mais gentilezas ou cafunés dos que os que receberíamos não fosse a grande perda tão grande (acredite, eu sei do que falo). Não há nada de belo, de romântico, de etrusco, de francês-dos-anos-vinte, de vitoriano, de romano, de renascentista numa grande perda. Não, sexo-afetuoso-consolador-vem-cá-meu-bem-que-tudo-vai-melhorar não é uma opção. Não há nada de belo numa grande perda, numa perda enorme, numa perda abissal. Não, nós não saímos do outro lado do túnel pessoas melhores. Não, não. E nem mais sábios, mais felizes, mais inteligentes, mais descolados. Não. Uma grande perda, uma perda enorme, uma perda abissal só vai nos tornar mais frágeis. Nossa pele fica mais fina, nossos olhos maiores, nossa voz mais grave (o que no meu caso significa dizer que há dias em que me pareço com um travesti-fumante-com-a-garganta-inflamada e quando atendo o telefone, o interlocutor pergunta "o senhor é o dono da casa?"). Depois de uma grande perda, a música tema do Parque dos Dinossauros vai nos arrancar lágrimas e soluços. Uma grande perda, uma perda enorme, uma perda abissal, leva parte, boa parte, da nossa capacidade de amar. De acreditar. De esperar. E de negociar, principalmente. Uma grande perda nos torna irascíveis, amargos, impacientes, uns cretinos. No meu caso, mais cretina. A grande perda, a perda gigantesca, a perda definitiva levará nossos cabelos. Nossas vaidades. Nossa coleção de copinhos de saquê. Nossos livros de receita e nossas meias coloridas. Levará nosso melhor sorriso, nossos parcos talentos e um pedação da nossa capacidade de nos surpreender – para o bem e para o mal. Uma grande perda, uma perda importante, uma perda de verdade, tira parte vital da nossa capacidade de indignação. Da nossa capacidade de brincar com quebra-cabeças, de ver filmes sobre doenças terminais, de ler livros sobre coisas horrorosas. leva parte importante também de nossa vontade de viver, do valor que damos para as coisas – e eu não estou falando do time, do i-pod e do batom da MAC. Não, depois de uma grande perda você não andará por aí louvando o sol e as margaridinhas. Quem faz isso não perdeu o maior e o mais importante, creia. Uma grande perda nos castra, cala, mutila e anula. Não há volta para as grandes perdas, as perdas enormes, as perdas abissais. Não há volta e por isso, só por isso, seguimos em frente. Uma grande perda avacalha nosso esquema, estraçalha nossos planos, esmigalha nosso fígado e bota um certo tremor em nossas mãos. A única coisa que talvez advenha de uma grande perda, e que talvez seja aproveitável - note, eu não disse 'boa', 'positiva', 'bacana', e nem nenhuma babaquice dessas, eu disse aproveitável; e note, também, que eu usei dois ‘talvez’ – sobre uma grande perda, é que ela nos dá a exata dimensão do que é e do que não é. De modos que no meio duma belíssima crise, depois do mais surreal dos diálogos, você e eu, que já sofremos uma grande perda, uma perda enorme, uma perda abissal, paramos de chorar e vamos pendurar roupa e ligar para a veterinária vir vacinar o cão: nós já perdemos mais, já perdemos melhores, já perdemos o que importa. Foda-se.
(¨¨ é Adoniran, é Adoniran e H. Cordovil, Prova de Carinho. A não ser que o Cipriano venha aqui e diga que eu, para variar, falei besteira)
(1) Em que exato ponto a prudência se transforma em autossabotagem? (2) Onde está, afinal, a linha que separa a ousadia da imprudência? (3) Que petiscos outros perde aquele que hesita, mas tampouco arrisca? (4) Era realmente o gato escaldado que tinha medo de cumbuca?
Nobela, um esclarecimento: ô recebi uma pá de e-mails fofos reclamando da nobela. Ou melhor, da falta dela. Ela volta, eu volto, é que não tá dando, tá complicada a cousa aqui. Mas assim que der ela volta, deixô me aprumar. :o)
Passei minha adolescência toda cantando isso. Toda.
*
Viva. Mas não vamos exagerar. Coismailindadedeus é a Julianne Moore de boné do febeinho. Cabô de começar Hannibal no Space, canal 58 da Sky. Touqui, trabalhando e cuidando a tevê, môs fios. Quem disse que seria fácil, mentiu.
*
O inverno acabou, é isso mesmo? Tirei o cobertor azul da arrumação da cama (que era dredredom, cobertor xadrez, cobertor azul, lençol, lençol), fui usando sandálias para a rua com Carina. Lamentável.
*
Não ser maioria é horrível. É isso aí, bicho, como diz o Dr. Reis.
*
[12:32:24] Fabia Vitiello de Azevedo: neste momento de gloria
minha mae come o toba do cara da companhia de gás
que mandou, depois de uma hora
veja bem, não uma equipe
um supervisor
sozinho
[12:32:56] Gisela Deschamps: Maliu rules!
[12:32:58] Fabia Vitiello de Azevedo: que veio 'ver o que está acontecendo'
veja bem
vamos entender este alegre e despreocupado no Brócolis Paulista momento (é assim que meu amigo Endrigo chama esse bairro)
o gas sai em jato do cano
dá prouvir do meu quarto o sssssssshhhhhhhhhhhhhhhh super forte
se passar alguem fumando na rua
morreremos
e a compnahia de gás demora uma hora e tanto pra mandar um, atenção, 'supervisor'
[12:33:27] Gisela Deschamps: chega pro cara e fala q o que está acontecendo é q a casa vai pros ares em breve
[12:33:52] Gisela Deschamps: só faltava o fdp chegar ele, fumando
[12:33:56] Fabia Vitiello de Azevedo: huahuahuahuha
[12:34:20] Gisela Deschamps: a nave mãe que não chega
[12:35:10] Fabia Vitiello de Azevedo: fia
se isso aqui explodir
sou eu vou que vou buscar a nave mãe
[12:35:25] Gisela Deschamps: auhauhuahuahau, me espera
[12:35:27] Fabia Vitiello de Azevedo: por meus próprios meios, tipo, voando
*
Queijo é a melhor comida de todos os tempos, eras e galáxias.
*
[16:33:13] Silvana Ferrari: amore e aí?
fiquei preocupada
[16:33:37] Fabia Vitiello de Azevedo: a empresa de gás veio
e fechou o gás
[16:33:45] Silvana Ferrari: ufa
[16:33:46] Fabia Vitiello de Azevedo: nao consertaram, entende?
fecharam o gás
estamos sem gás
[16:33:54] Silvana Ferrari: claro
[16:33:59] Fabia Vitiello de Azevedo: e o cara disse
a sra procure uma empresa particular pra arrumar isso
[16:34:16] Silvana Ferrari: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
[16:34:17] Fabia Vitiello de Azevedo: vc nunca viu minha mae nervosa, sil
sério
vc nunca viu. minha mae teve um troço
ela estrebuchou no meio da rua
[16:36:21] Silvana Ferrari: ai, que ódio que dá disso
[16:36:22] Fabia Vitiello de Azevedo: sério
achei que ela ia morrer
o cara ficou tão assustado
que mudou de ideia e disse que volta amanhã
[16:38:13] Silvana Ferrari: ai, Fal
que bosta
[16:42:23] Fabia Vitiello de Azevedo: maliu fez que nem o zeca da nobela
chilicou mimoso
mãozinha nos quartos
dei remedio de pressão dela
e botei na cama
*
Alá, Jequisbáuis desarmou o colete do perigoso terrorista. Jequisbáuiss é macho pacas, seus filisteus.
*
Trudia, jantando com pessoas muito mais esclarecidas que eu, com muito mais estudo que eu (o que nem é lá tão difícil, convenhamos, mas esses caras são mesmo uns crânios), tive todas as minhas dúvidas sobre a Conjuração Baiana esclarecidas. Não me lembro mais como a conversa chegou lá, mas ni qui qui chegou, foram quase 5 horas de Conjuração Baiana. Começando pelo fato dela também poder ser chamada de Revolta os Alfaites, vejam vocês. De repente, tava eu lá no restaurante tomando notas e levantando a mão pra fazer pergunta, hahahaha.
*
A Gisela para tudo que tá fazendo pra me manda e-mail dizendo que, graças ao valoroso e brilhante ministro da saúde de vocês, o Bordel da Dona Nega, vai passar a se chamar Clínica de Combate à Hipertensão Nossa Senhora de Fátima, ou qualquer coisa assim. Minha lista de relacionamento não conta com um contato sequer de nível, alto teor moral e índices de normalidade aceitáveis. Só tem gente louca.
* No Estado de Minas, Eduardo Almeida Reis cita R. Manso Neto: “Escova inteligente, edifício inteligente, tecido inteligente, janela inteligente. Só falta inventarem gente inteligente”.
* Few things bring men together like hatred of a common foe
A. Elliott
Há muitos e muitos anos, o marido de uma amiga começou a ter um caso. Um não, vários casos. Com várias moças diferentes. A coisa era pública e notória. Eu não era confidente do cara, sejamos francos, eu não era nem amiga do cara, e eu via com clareza o que estava acontecendo, então era de se esperar que a mulher do cara também visse e soubesse. Mas ela não via e nem sabia.
Mais ou menos um ano depois, quando a coisa explodiu, ela me perguntou se eu sabia. E eu disse que sim, que eu sabia. E ela ficou profundamente magoada. Com o fato deu saber e não dizer. Somos amigas até hoje, muito, muito amigas, mas essas sombra ficou. Eu sabia que havia alguma coisa errada e não disse.
Muitos e muitos anos depois, conheci outra moça. Foi assim, daquelas amizades fulminantes. Ela me lembrava tanto o meu irmão, na risada, no humor, na graças, que me comovia. A vida pessoal dela não era lá essas coisas. E ela, um belo dia, pediu minha opinião sincera. Eu me espantei e mandei uma daquelas frases do 'olha, veja bem'. Mas a moça insistiu. Quero sua opinião sincera. E eu, assombrada ainda pela minha total falta de sinceridade com a outra amiga, vaidosa pro ter minha opinião pedida, animada com essa nova e tão (hahaha) sólida amizade, imbuída de meu novo papel de amiga-que-diz-a-verdade, falei. Falei. Falei todas as vezes que fui perguntada. Não revelei nada incrível, não descobri a pólvora, não revelei códigos nucleares, nada. Tudo, tudo mesmo o que eu falei, a menina tá careca de saber e de dizer ela mesma.
Magoada, decepcionada e (são quase 15 anos de divã, eu não posso fingir que não percebo) incomodada com as... hum, 'coisas que batiam', ela se afastou. Mil desculpas, de problemas com horários a incompatibilidades religiosas. Mas eu sei e ela sabe o que aconteceu. Ela pediu sinceridade, eu cai nessa esparrela (a vaidade é a mãe de todos os problemas dna face da Terra) e a magoei. Nossa amizade não era assim tão sólida.
Dai que eu quase perdi uma amiga porque não falei (certeza mais que absoluta, a amizade com a primeira amiga só não acabou porque era sólida demais, não fosse, teria acabado sim) e perdi a amiga porque falei.
Eis um belo dia, olho desesperada para o bocal do telefone, outra criatura que ligou para saber minha opinião. Não dei minha opinião sincera. E nem fiquei muda fingindo que não estava acontecendo nada. Disse que isso era uma questã íntima, absolutamente íntima e que nada e nem opinião nenhuma minha, substituiria o que ela sente, o que ela vive, o que ela quer e que preços ela estão ou não disposta a pagar. Mais Suíça impossivel. Fui delicada, fui gentil, foi calorosa e fui meiga. Resultado? Duas semanas depois a moça me liga para dizer que na hora em que ela mais precisou, eu não dei minha opinião. Não disse nem sim e nem não. Magoadíssima, parou de falar comigo. Faz o que, uns 4 ou 5 meses.
A vida não é para amadores. Ou seja, eu não sirvo presse negócio.
Algo sobre sonhos, frustrações, medos e anseios. Algo que me definisse e que, principalmente, nos definisse, ainda que de modo tortuoso (o único possível?). Ou seja, algo que falasse de nós, de quem éramos, mesmo que só falasse de mim. Talvez até repetindo o quão pouco, no fundo, sabia de você, como preenchia com imaginação seus muitos silêncios e evasivas. Acho mesmo que, em determinado ponto, eu diria saber que tinha que fazer algo com minha vida, mas que não sabia bem o que, mas que eu tinha a impressão, no começo, de que você entenderia isso. E com certeza eu reclamaria sobre o fato de vc nunca ter perguntado nada de muito sério a meu respeito.
Enfim, eu pensei em te escrever uma longa mensagem. Mas não.
Apenas durma bem, já é tarde. Sono e alimentação regulares são tudo. Em alguns lugares, inclusive, é o mais próximo de felicidade que se pode almejar.
a saída dos covardes: é um pavor, mas eu vou começar a liberar o LV sem respostas, até o vendaval aqui passar. O trabalho vai demorar mais dias do que eu previa, não dá pra ficar acumulando aquilo. Se justo o seu recadim ficar sem resposta, perdão. Saiba que eu li, pq nada vai pro ar sem que eu leia. Eu li, me diverti, achei uma graça. adorei, quero mais, tuda. Só não tá mesmo dando tempo de coisa alguma.
:o)
Estive em seu país três vezes. Duas delas, por um longo tempo. Que país adorável. Não entendo nada de futebol. Futebol durante a Copa, menos ainda. Mas entendo, um pouco, dos lugares e suas gentes. Não fui nada além de extremamente bem tratada aí. Comida deliciosa, lindos passeios na capital e no interior, um povo engraçado e culto. Sim, culto. Que conhece a própria história, ao contrário de grande parte do povo do meu país. Que tem orgulho da própria história, que ama suas calçadas. Eu fui feliz aí, Lauro. Comi umas coisas deliciosas. Vi peças de teatro lindas, três delas de autores locais. As pessoas foram, sempre, absurdamente gentis. Tipo de gente que pega no seu braço e leva você pro meio da calçada pra ensinar a chegar no museu. Vi coisas belíssimas, paisagens lindas, museus bacanas. Vi problemas também. E pobreza. Como em todos os lugares deste planeta.
Quando você me mandou o vídeo do canal de televisão, chamando a sua pátria de 'paraíso obscuro', eu quis acreditar que era uma piada. Ruim. Mas piada. Dum desses vários programas engraçadinhos que infestam nossa tevê, fazendo nossa emergente classe média se sentir tão culta ao rir de palavras como 'xixi' e 'cocô'. Perdão pelo nível, mas é isso.
Enfim, quis mesmo acreditar que brincadeira. Assim como o pedido de desculpas absolutamente idiota e absolutamente não-pedido-de-desculpas que vi depois.
Mas não foi uma piada. No Brasil, entenda, é muito comum ofender alguém pra depois, frente a reação do ofendido, dizer algo como "Ai, que-que tem, foi piaaaada!", como se piada justificasse toda e qualquer agressão.
Este não é absolutamente um país que possa chamar nada e nem ninguém de "paraíso obscuro", apesar de nossa imensa, abissal, continental arrogância.
Se esses, ah... jornalistas (ou mudou o conceito de jornalismo, ou mudou o Natal, Lauro) saíssem um pouco da sala de edição e fossem andar nas ruas de suas cidades (e não precisa ser no interior não, nas capitais, creia), eles veriam o que é um paraiso obscuro. Veriam que a obscuridade grassa, que obscuros somos todos. Veriam o belo e o pavoroso, o refinado e o tosco, como em qualquer outro lugar. Inclusive o Paraguai.
Era ainda o caso de sugerir o estudo dum tópico da história brasileira, já que falamos em tosquice, chamado Guerra do Paraguai, mas isso envolveria livros, e não sei se o pessoal está familiarizado.
Obrigada por toda a comida, toda a música, pelos passeios lindos, pela gente deliciosa que fala espanhol com esse sotaque tão doce. Eu peço desculpas, Lauro, não em nome dessas criaturas, provado está que eles não sabem se desculpar, nem em nome de mais ninguém. Mas em meu nome. E do meu velho, que foi quem me mostrou seu país e que, se vivo fosse, estaria horrorizado como eu.
Receba meu abraço
Fal
Ela (signo em gêmeos, ascendente em aquário, lua em libra) era um abismo, sobretudo para si mesma, como fez questão de dizer logo na segunda ou terceira oportunidade.
Ele (signo em gêmeos, ascendente desconhecido, lua eternamente nova e, ainda assim, minguante) gostava de se crer um sobrevivente, uma sempre iminente perda total em busca de algum sólido poste, algum oco precipício.
Entre doses mais ou menos iguais de deleite e desperdício, nenhum dos dois levou com bastante seriedade todas as graves implicações astrológicas às quais, cedo ou tarde, haveriam de se submeter.
Sr. T, depois de meses que pareceram séculos (ou vice-versa)