Talvez essa gata preta seja um helicóptero. Ela faz barulho de quem vai decolar.
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O mundo é bom. Existe chorizo da casa española. Amém.
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Que, aliás, deve ser contra lei nesse país grande e bobo (sim, eu roubo do Dr. Almeida Reis e acho que todos vocês deveriam roubar também). Se tem uma coisa que me comove nesse mundo é gente preocupada com a minha saúde. Assim sendo, preocupadíssimos com minha saúde, os órgãos competentes (perdoem a má palavra) deste imenso quintal, todos sob a batuta desse governo federal que tanto me ama, proibiram ovo de gema mole, molho pardo, doce de tacho (juro por deus), flor de sal, queijo de leite cru.
Além de comovida com a enorme preocupação, o carinho mesmo, que esse pessoal do governo tem por mim, aguardo ansiosa pelo dia em que o governinho proibirá o mequidônis. Ué. Num é macho? Num tá cuidando da saudinha nossa? Proibe a hellman's, quero ver. Proíbe, como diz a Carolzinha, "aquela coca-colinha benfazeja". Hahahaha.
É um bandifrouxo nesse país, benzô deus.
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Mexendo no manuscrito do trabalho novo. E-mail da Lígia pra lá, e-mail da Lígia pra cá. Choro feito uma pateta. E não consigo deixar de pensar quão horrorizada ela estaria com o que chamamos de "situação geral".
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Gata preta devidamente castrada. Aqui é assim. Bobeou, a gente pimba.
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Não é nem uma racionalização e nem um discurso vazio: as pessoas vão mesmo socializar, nos mais diferente níveis, com quem elas bem entenderem, achemos nós o que quisermos achar. É isso aí e ponto final, duela a quien duela. O que não me impede de, vez que outra, ficar tão cansada. Cansada a ponto de desisitir. Você nem briga com a cliatula, nem desbriga, nem odeia, nem cospe na risca, nem coisa alguma, você só desiste, porque esse caráter escorregadio vai-num-vai, cansa. É isso. Tem gente que me cansa. Daí eu desisto.
* [18:04:44] Thiago: Hj acordei querendo ser o Robbie Williams e com uma vontade louca de comer croquete [18:04:54] Thiago: vc tem dias q acorda assim tb? multi?
* [18:18:25] Thiago: Faaaaaaaaaaal, no treco aqui que eu traduzo "Não foi o Sr. X que fez — disse o Sr. X referindo-se, estranhamente, a si mesmo" [18:18:37] Thiago: declaro aqui meu amor incondicional pelo Sr. X [18:18:46] Thiago: agora ele é Tonho [18:19:09] Thiago: Não foi o Sr. X que fez, foi Rutinha [18:19:10] Fabia: a nossa vida é surreal
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** “Conto uma história bem conhecida, releio um poema célebre: estou apoiado a um muro, orelhas verdejantes, lábios calcinados”. Paul Eluard, monstro sagrado do surrealismo, um dos mais queridos da vida.
a gente não precisa que organizem nosso carnaval...
nós temos a Célia.
Tá pegando fogo na favela atrás da casa da Célia e ela está no meio da rua de vestido trapézio azul marinho, sandálias de salto e cabelo as panteras dando ordens pros PMs e pros bombeiros. O cara da defesa civil chegou, foi perguntar prum vizinho quem tava organizando, tipo, perguntando pelo comandante, coisa assim, e o vizinho apontou pra Célia. A Célia é demais, caras, e vcs ai perdendo tempo votando em DIlmas e Marinas. Célia pra imperadora, eu digo.
Erica querida, venha mesmo, por favor.
É mundo grande, fresco e lindo
(Mas Wilde estava tinindo,
o elenco é um terror)
É um mundo bom e colorido,
cheio de flocos de algodão
É um mundo escuro e abafado
Idiotas na contramão
Temos sombra, luz e fúria,
como disse uma cara aí
E fatos científicos, sem lamúria:
Lobisomem, mula-sem-cabeça e saci
Algumas pessoas serão agradáveis,
Algumas você irá odiar
Algumas músicas são adoráveis,
Outras, são de amargar
Tem coca-cola, jabuticaba,
Bach, Verissimos, Chico e Jobim
Tem canetinhas, tem limonada
E do Monsieur Poirot, um filmim
Tem tomates, ricota, alfajor
A cor roxa, caderno novo, cachorrinhos
Melville, cheiro de gasolina, amor
e uma porção de gatinhos
Chore no banho, cometa poemas
Crie um peixinho, aprenda balé
Fuja com o circo, colecione problemas
(nunca beije tocadores de oboé)
Você vai ver coisas incríveis
Vai realizar tanto, vai ser capaz de amar
Vai ver pores do sol, chuvas terríveis
E por favor, aprenda a cantar
Dores vão paralisá-la, meu coração
Mas você vai aprender a lidar com isso
Algumas alegrias vão cortar sua respiração
(cuidado com amores alérgicos a compromisso)
Brinque, transgrida, estude,
Use chapéus engraçados e um brinco no nariz
Quando for necessário, mude
Outros caminhos, nova diretriz
Um dia, farta de tudo
E do mundo ser como é
Pegue o VISA do papai sortudo
e vá a Xangai, só pra ver qualé
Sinta frio de repente
Sinta saudade apertada
Vá perdendo o telefone
de quem ama uma hora marcada
E bem velhinha e grisalha,
dona de seu destino
tenha certezas enormes,
mantenha o medo pequenino
Veja as fotos antigas
Invente seu próprio passado
Faça a trilha das formigas
Arrume um novo namorado
Tenha um baú de tesouros
com fotos do Bobby Goren
Diga “Que homem formoso,
onde quer que seus ossos agora morem”
Pense em tudo que se foi
E dê-se conta num repente
“Tia Fal é quem tinha razão,
Não se fazem mais homens como antigamente.”
Jogava o Framengo, eu quiria escuitá, leitor fofo e querido. É isso aê.
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Minha mãe tem um lance esquisito com telefones tocando: ela atende. Meio da refeição, meio do filme, conversa, aflição pra fazer xixi, nada detem minha mãe ou a impede de, neuroticamente, tirar aquela porra do gancho e mandar um "Oláááá!" (sim, ela atende o telefone assim). Não passa pela cabeça dela deixar aquele treco tocar até derreter. Oh, não, jamais. Ela tem que atender, é mais forte que ela. Eu? Pufffff. Na grande maioria das vezes, nem sei onde o telefone tá. E não, nem me dou ao trabalho de olhar quem é no visorzim cagueta. Não quero atender. Quando eu tou ocupada, quando eu não tou ocupada, de noite, de dia, o fixo, o celular, o dos outros, no meio do trânsito, eu não quero atender. Nunca, ninguém. Não quero falar no telefone. Não quero falar. Simples assim.
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Fico profundamente constrangida com essas mulheres que usam O Amigo Gay como acessório. Sabe, O Amigo Gay? Como se aquela pessoa fosse uma bolsa, um lenço. Cansei de ver gente falando assim mesmo "o amigo gay", como se isso fosse um título ou uma instituição, um misto de ego auxiliar, secretário e acompanhante. Não é que o cara é gay e é seu amigo, da mesmíssima forma que ele poderia ser ou é corintiano, louro, gordo, magro, hetero, alemão. Não. Ele ser gay faz parte do folclore "ah, olha que exótico, eu crio um tucano, uma jaguatiruca e um Amigo Gay". Tenho pavor e me afasto dessa gente. E não entendo como é que um homem adulto se presta a um papel desses.
* Os classificados do Almeida Reis:
"Procura jovem senhora, modelo 40 e adjacências, mestra, doutora e pós-doutora em ciência da computação, preferencialmente atéia e não vegetariana, de qualquer etnia, para compromisso sério fadado a ser duradouro. Oferece: vaga solta na garagem, quarto e banheiro privativos, piscina com hidromassagem, pátio florido e TV led de 42 ou mais polegadas em salão separado, via Sky, além de roteador com 15 mega para laptop próprio ou Vaio emprestado. São desejáveis, se bem que não indispensáveis, conhecimentos mínimos das funções de cuidadora de idosos, arte culinária, lavagem (há máquina moderna) e passajar de roupas.
Principal ocupação: prestar assistência permanente a um computador que tem apresentado sinais de loucura. Cartas eletrônicas para o endereço desta coluna. "
Meninas, a hora é agora.
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Ai, meu Pai, manrátã-conéquixion só volta 29 de agosto. Eu nao mereço isso. Podiam reprisar os véios do Paulo Francis nas férias, não podiam?
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Mas eu deixo no canal deles, puro hábito. E sigo trabalhando, trabalhando, rola uma minissérie sobre a Callas e aquela falinha em italiano embala minha burrice, delícia. Té que num momento, eu vou ficando irritada. Não, não, o livro não piorou, não melhorou, nada. Por que, Deus Pai, eu estava trabalhando tão irritada? Olho pra cima (tou trabalhando no chão da sala, pra fazer companhia pra gatinha preta) e vejo a razão da irritação. A minissérie cabou e o pograma seguinte começou. Curuzes! Mudo rápido de canal.
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Sorvete sabor chiclé. Minha mãe tem o dom de descobrir essas cousas, chegou da rua com um balde desse trem.
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Marido de amiga de mãe foi levar Torresmo na caralha da inspeção veicular e arrebentou Torresmo. O lado todim do motorista parece papel amassado. É o universo dizendo "Falzão, tu tá com poco problema vou te arrumar o que fazer". Vai daí que eu pego o jipe de mamãe qd não há mais solução e trinco o sei lá eu o que do tornozelo nele. E se você quiser ouvir mais resmungos, leitor amigo, siga nossa programação.
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Eu recebo uns e-mails que vou lá e respondo co mór carinho da paróquia, só pra me sentir uma imbecil.
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Solidão de criar bicho, prezado leitor. De criar bicho.
¨¨ frase do véi T.S. Eliot "This is the way the world ends. Not with a bang but a whimper", que muito tem me feito sacudir a cabeça.
O meu amor por você permanece. A cada sim. A cada não. Principalmente a cada não. Quando eu me lembro do formato do seu nariz. Da suas mãos. Do cheiro do seu suor. Da sua imensa gargalhada. Da sua voz feita para cantar as tolices da tevê. O meu amor permanece, intacto, cuidado como se fosse uma coisinha de cristal. Ele está nas fotos do menino que você foi. No carinho com que você fala do meu pai. Nas sua capacidade de se reinventar que eu sempre adorei, apesar de me irritar, acho que porque sou incapaz de nascer uma nova criatura, e arrasto a velha eu desde que o samba é samba. Ele, o meu amor por você, está onde sempre esteve, “como Minas, como Minas”, diria você, rindo, rindo. Meu amor por você permanece. Ele está no mesmo lugar – por favor, me ouça – no mesmo lugar em que esteve, a vida toda, a vida toda. Ele nunca saiu dali. Não houve tufão, nem revolução, nem vereda equivocada (e meu Deus, querido, foram tantas, sou o resultado de todas as minhas escolhas ruins, das minhas muitas escolhas ruins) que movesse um milímetro o meu amor por você. O mesmo prumo, o mesmo eixo. Meu amor por você grita quando tomo coca-cola. Quando, sentada no capô do meu carro, fumo aquele cigarro da madrugada, antes de ir para a cama. Meu amor por você fala mil idiomas, mas não tem com quem praticar. Meu amor por você come danoninho com o dedo, e dói quando meu tornozelo dói. Meu amor por você permanece, intacto, limpo, puro, como naquela primeira manhã. Ele não foi tocado, nem pela luz, ele não foi remexido e revirado com as gavetas do meu coração, ele não pegou chuva na corridinha entre o ponto do ônibus e a entrada do metro. O meu amor por você segue, quase o mesmo, quase bem, quase sempre. Meu amor por você está estampado na camiseta de cada um que passou pela minha vida, nos pudins da Marli, nas galochas vermelhas que eu usava para pescar com meu pai, na gravação na qual a Mercedes Sosa diz que se tudo muda, que eu mude não é estranho. Mas ele, ah, ele não muda. Meu amor por você está congelado no tempo, como as fotos das nossas tias avós, como meu nariz quando ando o cachorro de madrugada, como se não houvesse amanhã. Meu amor por você sabe que não haverá.
(* de T.S. Eliot "You are the music while the music lasts.")
eu não trabalho caceta, eu fico vendo esses velhos e chorando. Inferno de Youtube. Foi a última. Do dia. Vai pro eito carpir, Falzão, deixa de ser descarada.