Pra quem acompanhou parte da história no LV (ainda não liberei tudo lá, desculpem, mas eu não tive coragem de voltar lá ainda), a Louise, a neta da nossa querida ALice, escreveu pra contar que a avó tinha sido internada. Trocamos uns e-mails e tal e ontem ela me contou que a vó morreu. É tudo muito triste e o mundo ficou menor. E bem mais feio. A Louise é uma fofa (a vó dela me disse tantas vezes "Eu tenho que ficar bem, tenho que ir à formatura da minha neta!", e quando ela se formou... meu Deus, a Alice estava absolutamente encantada) me deu o e-mail pessoal dela e disse que não se incomoda em conversar com quem quiser. Eu, por experiêcia própria sei que quando a gente perde aguém, umas palavrinhas doces e queridas, ainda que por escrito e não sussurradas no meio dum abraço, fazem a diferença. Quem quiser o e-mail dela manda e-mail (não escreve no LV não, por favor) fal.drops@gmail.com
A doce Terê mandou um linque que dá a noticia e... ah, enfim. É tudo muito triste.
Meu coração está com a filha, o genro e os netos.
A Alice foi muito importante para mim. Ela me é muito cara.
beijinhos
Fal
Eu cometo os melhores atos falhos ever.
* Américo.
Se essa não for a minha preferida, é uma das. Fiquei tão feliz que a Helena publicou. :o)
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Gosto disso também. E disso, tá meio confuso, foi escrito em fases diferentes da vida e os verbos e seus tempos denunciam isso. Preciso arrumar.
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É o Verissimo quem diz que a classe média é uma terra estranha. E o Verissimo tem sempre razão.
* [03:56:20] Thiago: Olha, esse negócio aqui que eu tou traduzindo é uma apologia às drogas [03:57:17] Thiago: me ouça [03:57:26] Thiago: todo mundo fritando sob efeito de balinha [03:58:19] Thiago: árvores que voam, agora a outra tá vendo gente, e mais cedo tava vendo neve se transformar em fogo... anota o q eu to dizendo.
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O apontador de vaquinha e eu vamos muito bem, obrigada a quem perguntou
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Lépistópis a caminho. E a torre do computador grande no moço que disse operar milagres. Aleluia.
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Aprendi uma coisa. Não se pode ser legal com homem, por um motivo simples demais. O cara sempre vai achar que você está apaixonada por ele. Sem-pre. E vai contar pros outros, meio envergonhado, meio contando vantagem "eu me afastei dela porque a coitadinha era completamente louca por mim". Isso me aconteceu tantas vezes e não me dei conta. Daí que, no divã (aiai, sempre o divã) e entendi isso e, claro, o óbvio: seria humanamente impossível eu ter me apaixonado tanto assim. Tantas vezes, tantas. Agora não adianta mais saber disso, mas fiquei feliz de ter aprendido. Finalmente.
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Maliu entrou aqui toda vestidinha de lilás para ir passear. Não sei como é ter uma filhinha, mas gosto de imaginar que o orgulho seja parecido. Coisa mai linda do universo, parecia um coelhinho. Vai curtir com a amiguinhas, uma flor.
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Alguém me salva desse site, pelo amor do Santo Pai.
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A mamãe da gatinha preta, que também é uma gatinha preta, vem visitá-la aqui no meu quarto. É tããããão bonitinho ver as duas brincando juntas, tão fofinho. Pena que ela não quer morar aqui. De qrr forma, Maliu tá pondo comidinha e caminha na garagem, quem sabe, né?
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Meu amigo fez salada de fruta pra mim "Fá, tudo cortado em quadradinhos minúsculos, olha só". Coisa mais fofa.
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Sonhei que estava sentada em um daqueles balanços de varanda, com a cabeça no ombro da Esther. A gente ficava balançando pra lá e pra cá, pra lá e pra cá, e eu pensava de fora do sonho "O sonho vai ser só isso? A gente não vai falar nada?", e a gente balançava pra lá e pra cá. Tinha um cachorro ruivo lá, um setter, mas era a Cecilia, a dálmata. Deu pra entender? No sonho, a Cecília tinha virado um setter e eu pensava de fora do sonho "A Cecília virou um setter, mas tudo bem". A Ana Laura não apareceu no meu sonho, claro, eu só sonho sonhos adúlteros.
(aí vc que nunca lê o Drops, vai sair por aí dizendo que esse é um blog hermético, enão eu explico, a Ana Laura e a Ester são um pedaço, um bom pedaço, do meu coração, e elas moram em Caxambu).
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Daí eu acordei com vontade de comer a torta de maçã da Esther. Gordo é uma raça safada.
* As fotos mais lindas do mundo, aqui.
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Coisa de mulher ficar procurando significados ocultos em tudo, né? É. Eu sei. A pessoa diz 'bom dia', e a gente passa 40 anos analisando cada sílaba separadinha, tentando entender porque dia e não semana, se a respiração mudou, e houve um inclinar de cabeça, se... Ridículo. E a gente inda pensa que a idade traz sabedoria e comedimento, mas não, a idade piora tudo.
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Sempre.
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Paga-se um preço para ser um império. Well, well, well, paga-se um preço para tudo nessa vida, porque não para ser um império, né não?
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A quem interessar possa, tenho um novo apontador de manivela em forma de vaquinha. Extremamente apropriado para uma mulher que em menos de seis meses fará quarenta anos. Qua-ren-ta.
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No twitter: @blueberrypieàs vezes uma coisinha de nada faz um estrago tão grande em mim.
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Cês num amam tarem ali no meio dum copo de Nutela e toparem com a frase "feito com leite desnatado" no rótulo? Ah, mim amar. Que será que os fabricantes pensam que a gente vai dizer?
"Ahhhhh, então tuuuuudo beeeeeem"???
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Acompanhe, leitorzinho fofo, que nessa eu me superei: o negócio é reality, né? de gordo, de magro, de gente que come coisas esquisitas, de gente presa na ilha, de cachorro maleducado, de criança maleducadíssima, de esposa que é trocada, de casa que é reformada, de motoca, de loja de penhor, de reclusão, disso e daquilo, certo? Certo. A mina de ouro, está no reality show Le Grand Échec (o nome tem que ser em francês, é mais phino). Câmeras 24 horas, seguindo a criatura e testemunhando enquanto ela não dá certo. No epísódio da próxima semana, telespectador amigo, veja enquanto ela se desespera porque a editora não manda mais trabalho, porque o carro dela deu pau mais uma vez, porque o gato vomitou no edredom limpinho. Assista, assista enquanto ela espera a ligação que não vem, toma uma puta rasteira de pessoas altamente espiritualizadas, é incapaz de dizer ou fazer a coisa certa quando um amigo precisa dela, enquanto ela chora no travesseiro até dormir ou passe a madrugada ao seu lado enquanto ela não dorme! Sim, ela teve mais um livro recusado. Sim, o terceiro laptop deu pau. Sim, ela não consegue fazer nem o mais básico dos telefonemas sem ter um ataque de choro. Ah, junte sua família na frente da tevê e assista enquanto ela mais uma vez não tem forças pra lavar a cabeça ou arrumar o guarda-roupas, enquanto ela sente tanta saudade que dói, enquanto ela prende as contas não pagas no prendedor de joaninha e sacode a cabeça.
Le Grand Échec, o reality show da família brasileira.
A pessoa não vale um caracol, mas tem amigos que são ouro em pó. O doce M. escreveu pra dizer que é piXiXê. Com xis de Xuxa, Malcon X e ximburé (nome comum de vários peixes da família dos caracídeos, que são peixes de água doce como o doirado e o lambari, que eu já pesquei muitíssimo).
E como se não bastasse, inda manda fota.
:o)
Bom dia, patinhos. Tenham uma boa semana e fiquem a salvo, sim?
Hoje é aniversário da queridissima Alice, a voz mai linda que a Branca de Neve (dentre outras, muitas outras) já teve. Ela é minha amiga, minha mais que querida, manda as fotos mais mais fofas de Caetano e Lola, faz as minhas madrugadas muito mais divertidas, assim como fez da minha infância um lugar melhor.
Eu amo você Alice, espero que seja mimada aí em Floripa como merece.
Tua graça se move pela casa, diria Vinícius de Moraes, moves-te blindada em abstrações.
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Sim, mais de 3 da manhã e tia phal ainda trabalhando. Pelo menos, ela trabalha no mundo dos ricos e famosos de Caras, a bordo dum computador que parece uma nave espacial. Eu gosto do jeito que os ricos vivem, sinceramente. Sempre me encanta. A parada aqui tem mais detalhezinho e rococó que pichichê de puta. Estou a amar.
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Além do mais, rico tem grana pra pedir comida no chinês. Nada de miséria. A minha classemedinça se refestela por poder pedir o macarrãozim de camarão e os rolins e a banana caramelada e o porquinho-num-sei-que. Nada de miséria.
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Então eu tou aqui, trabalhando depois de tomar banho de banheira e fingindo que eu tenho como pagar a conta que vence segunda-feira.
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Ah, dá uma alegria no coração ouvir a esquerda, sim, eu disse a esquerda desse país falando em paredón e revista queimada. Eu amo a imbecilidade humana, a minha não se sente tão só. Não aprenderam coisa nenhuma, os bonecos.
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Meu querido Luiz, autor do sensacional 'A fase azul', estará exercitando seu rock star way of life, ao vivo e sem photoshop, dia 14/09, às 22h (em ponto) no Centro Cultural Rio Verde, Rua Belmiro Braga, 119, Vila Madalena, SP.
Eu, se você você, não perdia por nada. E o livro dele, você tem?strong>
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Vamos lá, tia phal, de volta para o trabalho. Encare o capítulo 8 com o destemor que a caracteriza.
Você recebe 19 e-mails depois do almoço e fica sabendo que as praias do Rio, junto com 20 quilômetros quadrados de mar, não passam de um depósito de sujidades oriundas dos vasos sanitários usados por 1,5 milhão de pessoas. Mal refeito do susto, você recebe advertência do Ministério Britânico da Saúde sobre os risco de usar lâmpadas daquelas de tubinhos brancos, supostas de consumir “menas” energia, como as quatro que brilham no teto aqui do escritório. Se quebradas, contêm veneno pior do que o arsênico. Mais adiante, a quantidade de açúcar contido em diversos alimentos e refrigerantes. E o negócio vai por aí, mostrando que boa mesmo era a Idade da Pedra. Enquanto seu lobo não vem, o corretor automático do Word trata de corrigir menas para menos, mesmo entre aspas, tirando a graça da história.
(...)
Vosso philosopho, que dá voltas nos quarteirões para não passar perto dos hospitais, passou a tarde inteira num deles para ser operado literalmente dos pés à cabeça. O ambiente é um pavor, se bem que os funcionários sejam educadíssimos. Logo na portaria um rapaz queria saber da minha acompanhante e ficou assustado quando soube que o paciente estava sozinho. Expliquei: “O doutor é meu amigo. Se eu morrer, ele me leva em casa”. Eduardo Almeida Reis, no Estado de Minas.
Quem sabe escrever, sabe escrever.
Ponto finalíssimo.
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Adoro trabalhar junto. Não só num mesmo projeto, mas assim, junto mesmo, de verdade, na mesma sala, ouvindo a mesma música, dividindo cinzeiro, perguntando "Cumé que escreve corrige?". Quando a gente fica só, uma das coisas mais difíceis de aprender de novo, é como trabalhar só. Aqui, sozinha no quarto, eu mando na tevê, não divido o cinzeiro com ninguém, falo em voz alta e ninguém responde. É bem triste isso, é bem triste. Pelo menos pra mim. Não draminha, só triste. Das muitas horas que minha solidão pesa, essa é das piores. Ninguém ri da minha cara enquanto eu opero a manivela do meu apontador de lápis "Minha linda, ninguém mais no mundo usa lápis, só você".
Inda bem que existe o skype.
E, quando está no mundo dos vivos, o MSN.
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Falando em saber escrever. Ivone pensando sobre nós e o que fazemos, e mandando bem pacas.
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Resumindo, acho que a lição é: se você não for absolutamente, e querida, eu digo absolutamente, articulada, se a oratória não for, mesmo, seu maior, dom, não fale sobre aborto. Fica chato. Muito. Porque mesmo quem não tem nem má vontade com você em particular e nem os dois pés plantados numa (em minha modestíssima opinião) equivocada e distorcida visão paternalista sobre esse assunto ("Precisamos salvar as mulheres do aborto! Se liberado, todas vão abortar o tempo todo, coitadas, porque elas são mais burrinhas que nós, as mulheres sábias e ponderadas de classe média), pode até entender onde você queria chegar. Mas esse mundo é cheio de gente que faz questão de não entender do que falamos. Assim sendo, em público, usando a voz que Deus lhe deu, não dê munição pra vagabundo encher seu saco. Fica - diria meu adorado Guilherme - a dica,
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[03:20:53] Thiago: Declaro publicamente a minha falta de saco pra Marina Lima, milho, ervilha, pimenta, sol, Maitê Proença e gente que usa boné de rapper nova iorquino. Se qdo eu for a sao paulo a gente esbarrar com um desses, vc me pede pra olhar pro outro lado da rua, por favor
[03:21:35] Fabia: tou com vc geral. especialmente no quesito "gente": com ou sem boné
* [23:52:12] Fabia: Sil, e e-mail reclamando "você não me procura!". Eu digo o que? [23:53:35] Silvana: quando a pessoa reclamar que tu não procura, tu diz assim: "Mas também, tu não te esconde, como que eu vou procurar por ti, criatura?" [23:54:20] Fabia: HAUHUAHUHAUHAH
[23:54:40] Silvana: Porque, né, o problema é que eles não se escondem e querem que a gente procure. E depois tu arremata com a minha frase imortal: "ME DEIXA FLOR DE AMEIXA!"
* [30/8/2010 22:05:44] Silvana: Guria, revisei teus trens. Ó, se tu enxergar heroico sem acento e herói com, é assim, viu? tá certo. é o maldito acordo, não fui eu que me passei
* [00:10:26] Silvana: a imbecilidade é igual a tim, amor, não conhece fronteiras
* [19:44:36] Silvana: adivinhe quem derrubou sopa no teclado? Uma nota, maestro zezinho
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A gente pescava. Às vezes, na beirinha, varas longas, galochas vermelhas (as minhas), amarelas (as do Pedrão), pretas (as do papai). Às vezes, num barquinho. Com meu pai, em terra. Com meu vô, num barquinho. Porque meu pai era que nem eu, barco era a morte prele. E eu, que acho mesmo que o mundo vai acabar quando entro num barco e a linha do horizonte balança; eu, que enjoo no cais, amava tanto, tanto, tanto aquele velho bebedor de campari, que pescava sentada no barquinho, as mesmas galochas, vara mais curta, cabelo de maria chiquinha, passando mal como o diabo, mas tão feliz. A gente pescava, com um, com outro, os peixes mais variados, água doce e salgada, uma vez, um que parecia uma baleinha, bem petitico, mas era como uma baleinha. Num braço do mar no Guarujá. Nos rios do interior, na represa da Guarapiranga e na Billings. Em Santos, Bertioga, Paúba, na Juréia, em Bauru, em Piracibaca, nós pescávamos. Porque um Vitiello, um Vitiello bebe pra burro (coisa que Pedrão não faz), um Vitiello fuma (de novo Pedrão, o virtuoso), um Vitiello perde uma grana no carteado e nas patinhas dos cavalinhos (eu não, mas porque eu não sei os naipes. E tenho dó dos cavalinhos). Um Vitiello ama cães, frequenta padarias, tem pavor de gente que ostenta, ama um boteco, lê o tempo todo e, ah, um Vitiello pesca. É simplesmente uma dessas Coisas Que Nós Fazemos. "Nós,", dizia meu pai, "nós pescamos". Então, nós pescávamos. E quando perguntado se aquela baleinha à qual eu me referi lémcima era mesmo uma baleinha, o vô, lógico que disse que sim, era uma baleia sim, elas nascem chocadas do ovo assim, minúsculas, mas depois vão crescendo, crescendo, até ficar do tamanho de prédios e casas e engolirem navios inteiros. Chegamos em casa, a aula de biologia foi recontada por uma meninazinha muito séria para uma mamãe incrédula, que teve um treco e foi rir no quintal, longe da gente, até ficar sem ar.
A sabedoria do vô era enorme, sua autoridade sobre tudo era absoluta, ele entendia sobre todos os assuntos e durante a pesca ele passava todo esse assombroso conhecimento para mim, com a expressão sisuda de quem estava preparando um sucessor, de quem estava iniciando a neta nos Mistérios da Vida. Neta que repetia tudo que aprendia, tim-tim-por-tim-tim para alegria de pai e mãe, que se divertiam. Meu pai ficava, mesmo, literalmente, roxo de rir.
O Velho Affonso no barco (ou no jóquei) e minha vó Cida na cozinha, um pai do pai, a outra mãe da mãe, eram os donos de Todas As Verdades Da Vida.
E nós pescávamos, você entende? Nós pescavamos, nós fazíamos isso.
Às vezes, eu usava uma capa amarela. O Pedrão, azul marinho.
Velho Affonso, numa praia do Guarujá usando chapéu de pescador, anos 40
"Uma vara de pesca é um instrumento fino, comprido e roliço, contendo um idiota numa ponta e ua minhoca na outra" - Samuel Johnson
"Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé.
Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; Fé para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro"
Caio Fernando Abreu tava certo, como sempre, e setembro chegou.
Bom setembro para todos nós.