As Aventuras Muito Loucas Da Pesada De Peter, O Bão, E Sua Turminha Do Barulho - I
Game of OH YEAH!!
Uia, o Gordim Carinha de Fuinha encontrou com todo o pessoal da Sala da Justiça no meidi Aspen? Como assim? Tudo esquiando. Acho chique.
Aiii, o rei do ladilá é o Julio Cesar! AMO.
Peter ficou com uma cicatriz máscula e sexy. Num liga, amolei, deixa essa sebosa dessa sua irmã pra lá.
Aquele senhorzinho que lutava pelo rei mau, mas é gente fina, sobreviveu.
Vixe, o senhorzinho que lutava pelo rei mau tento matar a Vilã Flamejante e foi pra cadeia. Mas é burro mess.
Oiaa, tou vendo uma calega tradutora acolá trabalhando com dignidade e coragem, debaixo do sol. Né fácil.
UIA, tem uma aranhas supersônicas fosforescentes no Games of Fios dessa temporada, ADOREI. Quase que a aranha comeu a cara da Galega. Só num morreu porque o capitão do finado rei Fofão matô a fia. Então além do capitão Caverna, ela agora tem o capitão do finado rei Fofão? Gente, tá bem essa Galega.
E oia, foi uma das Criancinhas da Colheira Maldita que deu a aranha supersônica fosforescente pra Galega. Muita emoção, Brasil.
Como assim acabou?
Tá. Vou voltar pro trabalho porque o negós aqui tá furioso.
Meu pai, as empregadas, os pianistas, os filmes dos trapalhões e o grande mover divino (o título não tem muito nexo, mas eu achei sensacional)
Falei com meu irmão. E quando falo com meu irmão, penso no meu pai. e pensando no meu pai, li mais uma notícia sobre essa história toda das empregadas. O fuzuê e tal. Os exageros. E lembrei duma história. Minha. Do velho.
Pequena, eu era completamente entregue, apaixonada, louca, desvairada por cinema. Por um longo período da minha infância, tudo o que quis foi ir ao cinema e só. Queria ir todos os dias ao cinema. E daí, queria ficar pra sessão seguinte. Durou um tempo essa fase.
E um dia, enquanto íamos ao cinema, meu velho resolveu me falar mais sobre cinema. Ele era chegado nesse negócio de 'vamos explicar sobre a vida pras creonças'.
Falou uma porção de coisas sobre a experiência coletiva, o sentimento compartilhado e o sentimento acerca do sentimento compartilhado. Sobre o fato da sala ser escura e disso ajudar a reforçar os laços temporários com o colega do lado, o fato da única luz vir da tela no meio de toda aquela escuridão e de como isso ajuda no encantamento com o veículo e mais um monte de coisas muito muito legais e talvez um pouco profundas demais pruma menina de seis anos, mas que nunca esqueci. Ainda que grande parte daquilo só fosse fazer sentido anos mais tarde, guardei as palavras e uso o discurso do velho até hoje como se fosse meu, como se as sacadas geniais fossem minhas e tal. Ah, eu faço isso sim, claro.
Mas teve mais. Ele resolveu me contar um pouco da história do cinema. De como era quando ele era menino.
E caímos na conversa do cinema mudo.
Mesmerizada, tive que tentar compreender que tempo houve em que o cinema não tinha som. Nenhum nenhum, nenhum som. E que um ou mais músicos ficavam ali do lado do palco fazendo musiquinhas enquanto o filme rolava.
Dito isso, ele tentou seguir em frente com o assunto, explicar os filmes falados e de como isso....
Ei, pera aí, só um instantinho. E o que aconteceu com aqueles músicos todos quando o cinema passou a ter som?
Daí ele me explicou que, num primeiro momento houve uma sensação de 'opa, e agora?' e que depois, alguns foram trabalhar com outras coisas, outros viraram músicos de estúdio, outros professores, outros....
E me disse que a vida era assim. Que as coisas mudavam. Para melhor. Para pior. Dum monte de jeitos que às vezes a gente entende de prima, às vezes escapam à nossa compreensão. Mas que as mudanças vinham e a vida seguia.
E lendo um mundo de cousas hoje, de amigos queridos, amigos-não-tão-queridos (hahaha, eu tenho essa categoria, uai), de gente e longe, fiquei pensando que, ou meu cérebro tá numa marcha mais lenta do que a de costume (e a de costume é Homer Simpson dançando tango com um chimpanzé) ou eu não sou capaz de processar a agonia geral.
Não era para essa mudança toda da relação de trabalho com as empregas ter vindo agora. CLT é lei há décadas. Creia. Décadas e décadas. Não deveria ter ninguém espantando, porque ninguém fica espantado por ter que assinar a carteira e pagar direitos e horas extras para a secretária, para o porteiro, para a professora, para a editora, para o manobrista, para o funcionário, esteja ele no cargo que estiver, empresa grande, pequena, familiar, multinacional.
Ninguém fica surpreso por arrumar um emprego e ter a própria carteira assinada.
Juro por Deus: o mundo não acabou. E não vai acabar. Não por causa disso.
Algumas empregadas serão despedidas? É bem provável. E arrumarão outros empregos. Como empregadas. Como cozinheiras. Como funcionárias de coisas que elas nem sonhavam, em empresas que elas nem poderiam imaginar vir a trabalhar um dia.
Se em 2006 você me contasse que em um ano eu estaria viúva, ia começar a traduzir literatura e que quase seis anos depois eu estaria muito bem obrigada, pelo menos profissionalmente, traduzindo em velocidade de cruzeiro, livros grandes, livros bacanas e com umas dezenas de livros no currículo, eu mandaria internar você.
Mas foi assim.
É assim.
Não estou comparando o meu trabalho ou minha vida com a de mais ninguém, só me usando como exemplo para dizer: é a vida. É a vida. É a vida. Ela flui. Com você, sempre, dum jeito ou do outro. A não ser que você morra, o que também é uma mudança, hahaha, como não?
A lei tá aí há décadas. Você, seu pai, seu marido, sua melhor amiga, o professor do seu filho, a sua dentista que é contratada da clínica, todos vocês trabalham sob o CLT. Eu não, né, mas eu sou um vira-latas. Tou falando de gente normal. O que você achava, que CLT é bacana e tal, mas não deveria valer para todo mundo? Que é bacana e tal, mas quando passa a valer pra sua empregada vira 'lei paternalista'?
Seja contra a CLT, seja a favor, odeie, ame.
Mas não se espante, por favor.
É coisa muito, muito, muito antiga.
Até os pianistas dos cinemas de lona e cadeiras desmontáveis do tempo do meu pai e do pai do meu pai, já se acostumaram com ela.
Sua hora chegou.
O fato de você concordar com uma lei babaca, invasiva e que fere direitos civis e individuais, não faz dela uma lei melhor. Faz de você um babaca.
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O cara tem, voluntariamente, porque ele QUIS comprar e pagou caro por isso, uma maquininha que apita quando ele recebe e-mail e recado nas redes sociais. Porque ele queria ser avisado SEMPRE que alguém querido e bacana falasse com ele. Aí ele pede pra gente parar de mandar tanto e-mail e recado em rede social, porque A MAQUININHA APITA o tempo todo. Ele não taca a maquininha na parede, vejam bem, e continua a falar conosco. Ele pede que a gente pare de falar com ele. Alguém, por favor, diz que não sou eu quem está ficando louca. Por favor.
Depois a gente ri do cara da piada do sofá. O cara da piada do sofá somos nós.
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Adoro o inverno. Adoro. E o outono arrastou um quê de inverno com ele, dando à cidade um tom cinzento que me encanta. Mas esse lugar comum do "as pessoas ficam mais elegantes no inverno", é mentira das grossas, pelo amor de Deus. Salvo raras e honrosas exceções, as pessoas ficam é mais mulambentas, muito mais mulambentas, no inverno. Cruzes, as ruas de São Paulo estão parecendo um filme de mortos vivos.
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Pode não ser esse calor o que faz mal, já dizia o enorme Taiguara.
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"Mas o livro é uma continuação do blog". Mas fazer o quê, filho, se o blog é duca?
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São 03h43 e você ali, firmeza, no plantão da madrugada. Eis que no TCM começa a passar Todos os homens do presidente. Isso é o que, amigo tradutor? Um sinal. De quê, não sabemos, mas é um sinal.
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Não é "fibra", amor, é "fímbria", se for me copiar, copia certo pelo menos.
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"Até entendo que exista gente que não goste do Eça: a indigência mental é ampla, geral e irrestrita. Daí a criticar o português do autor nascido na Póvoa do Varzim vai uma distância que nem a mais fulgurante das burrices pode percorrer, inda que na velocidade da luz." Eduardo Almeida Reis,no jornal Estado de Minas, 20.3.13
Querida dona Fruma Einsen, hoje comi um cheesecake que faria a senhora hiperventilar e bater com o sapato na minha cara. Perdão. Foi só meia fatia, por educação. Tava um pavor. A senhora é insubstituível. E nem estou falando do seu cheesecake divinal.
Amor,
Fal
Vambora escrever "Os10 hábitos dos escritores bem-sucedidos". Inclui álcool a qualquer hora do dia ou da noite, sono em horários alternativos, gatos, charnecas e um leve desespero sempre à espreita... Paulo Cândido
"...a velhinha toda produzida e trabalhada na maquiagem e que tem muita dificuldade pra caminhar, imaginar que ela tá saindo pro encontro apesar da asma e que o alvo do encontro é o viúvo da velha inimiga que, finalmente, morreu." Rita Paschoalin
Como qualquer pessoa normal e ajuizada, estou amando loucamente o seriado novo do Kevin Cheese Salada Egg Bacon, claro. Ele é meu lanche favorito há anos e continua uma delícia. Mas que aquele é o FBI mais incompetente de todas as séries de televisão, é, vá. Toda semana o serial killer mór dá uma volta nos caboclos.
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O triste não é ver o trailer do filme e se dar conta de que você não teve o menor interesse em ler o livro e não sentiu o menor tesão em ver o filme, porque sim, você morreu da cintura para baixo mesmo. E para cima também, segundo a ciência.
O triste é assistir o trailer do filme e ver que que o cara que deve ser o reitor ou o paraninfo da turma de faculdade (ou que Deus nos ajude, colegial) da mocinha, é da sua geração. Ou seja, seus contemporâneos só servem pra fazer papel do tiozão beleza, a madre superiora compreensiva, a promotora-sem-coração e a tia neurótica. Todo mundo morto da cintura pra baixo.
Tsc.
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Tá na hora de você morrer quando no dia do seu aniversário, em 2013, lá pelas quatro horas da tarde, você pensa: "Poxa... meu pai ainda não ligou pra me dar feliz aniversário" e seu pai morreu em 2002.
Acabou, morre.
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Ou, como acaba de me dizer o Dino cheio de gentileza e frescor "Fal, se teu pai te ligar, SAIA CORRENDO PORQUE É ENCOSTO".
Um lorde.
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O assunto preferido do cara é... o cara. Sempre.
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Aquele instante em que você fecha os olhos, respira fundo e pensa na frase que dá alento, seja ela qual for ("só por hoje", "não responda", "vai passar", "calma cocada").
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Gente afobada. Gente ansiosinha. Não sei lidar. Nunca soube, nunca saberei. Olho apavorada para a pessoa pensando "ai droga", porque nada mais me ocorre. Vamos batizar a semana de trabalho que termina hoje de "não vou dar conta de mais nada", sim, e daí vocês me deixam ir chorar na cama por uns, digamos, quarenta anos. Grata.
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Tenho tido com enorme frequência a sensação de que esse mundo não é pra mim. Publicidade, coisas em geral, programas, programação de tevê. Livros. Filmes. Almoços. Eu vejo aquilo tudo, ouço as conversas, escuto a marcação de programas e "baladas" (que palavra odiosa) e saídas e penso "Meu Deus, não quero fazer nada". Nada me encanta ou me atrai. Ninguém perguntou, mas eu falo. Eu falo. Eu falo.
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Ah, e essa mania nas redes sociais de "partiu sacolão", "partiu fonoaudióloga", "partiu reunião", "partiu exame de sangue". Quem, em nome de Deus, quer detalhes sobre a assombrosa vida pessoal alheia? Olha, só me conta aonde você vai quando for "partiu casa do George Clooney no lago di Como, Fal, vamos junto".
A jornalista não sabe a diferença entre 'detalhistas' e 'detalhados'.
E está em Roma. Soletre: R-o-m-a. Não há justiça nesse mundo.
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Começou a treta. Que Nossa Senhora do Bom Parto nos ajude.
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Pela quantidade de fumaça preta que tá saindo daquela chaminé, os velhinhos tão botando fogo nos móveis, gente. Dá pra alguém ir lá olhar se os tios tão bãos? Pelamor.
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"Eu ouço essa grande multidão". Ain. Inda bem que não é uma multidinha. :o)
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O brasileiro nem foi eleito e já tá arrumando treta, Brazeeeel.
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Tá, cabô. Não tem mais papa hoje, se é que eu entendi alguma cousa. Olha.
DIAS DOIS 13-03-2012
Camila News informa
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Já teve fumacê fumaçá e era preta. De novo. Vai trabalhar.
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Olha a praça São Pedro cheia cheia de gente. Ninguém tem emprego na Itália? É tudo tradutor?
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E a fia: 'a fumaça saiu preta e eu senti certa decepção aqui no pessoal que tá na praça...'
Oi?
CERTA decepção, bem? Que cê acha que esse fio tão fazendo aí?
Gente. Mundo injusto.
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Benza que essa jornalista vê 'muita movimentação'. Tudo dela é 'vi muita movimentação...'. Tá animada. O pobre do Sidney é um santo. Ele que deveria ser papa.
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Sinto que rola um rancorzinho no coração ali do comentarista. Na boua.
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E que moda é essa de jornalista nessa onda de 'eu eu eu eu eu'? Pode isso? Num ouvi Sidnão mandar um 'eu' té agora e vagabundo nessa onde de 'eu'. Tá parecendo blogueiro, pô.
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Atenção, café da manhã cos irmãos do dom Odilo.
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Eu sou uma molenga ridícula, mas ficam entrevistando os irmãos do dom Odilo, falando da mãezinha deles que se foi e deles crianças e da vidinha no interior do Paraná e eu já tou com vontade de chorar. Sou uma fraca. Por isso que eu não posso participar da revolução, fios.
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A desarticulação é tanta que a colega não entende a pergunta feita, dai volta no SANTO do Sidnão que informa que vai 'reformular'. Tá difícil, gente, não tinha estagiário?
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TV a cabo fora do ar e internet claudicando. Como que dá pra fazer a despedida de prima Yvonne desse jeito, gente?
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TV voltou, internéte também. Novidade? Não, né. Certo.
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Opa, vai rolar fumacê. Num vai?
Tão mostrando a chaminé.
O Papa eleito tem que dançar em volta dela que nem o mino da Mary Poppins, acho. Foi o que que eu entendi.
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Gente, duas da tarde, deram almoço presses nonos? E eles tão fazendo o que que não me escolhem Papa? Jogando boccia, meu Deus? Periga meu bisavô tar lá, de calça social marrom, regata branca, suspensório, meia verde e chinela de feltro. Chapéu marrom e cigarro de palha entre os dedos amarelados, chamando os companheiros de jogo de porco giuda. Caras, vai ver que é lá que meu bisavô tá, nunca tinha pensado nisso.
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Tem gaivota pousada na chaminé. O sertão virando mar e nada de Papa.
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Tem fumacezim misterioso jajá. E eu aqui, louca trabalhando.
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Sempre lembrando aos fios no estúdio da Grobonus que microfone pega sussurro, gente, pega até pensamento. Teve ministro que rodou assim. E por menos.
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Opa. Fumaça. Branca. Opa.
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Multidão na praça faz escândalo, faz folia, dança xaxado, faz passinho de dança, faz hola, só não faz a janta. Todo mundo pedindo pizza hoje.
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Isso quer dizer que tem um fio lá dentro que já topou. É fria, nas palavras do imortal Didi.
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Ah, genitivo, esse genitivo moleque, esse genitivo de raiz. A Grobonus hoje tá lavada no sangue do cordeiro e no genitivo.
* "Habemus Papam...Mas a Tim não deixa a moça da Globo News falar. Sabemos até o momento que ela está com um frio na barriga e que ela deve ter saído para jantar bem na hora da fumaça da noite, pois ela e a equipe só conseguiram chegar na Via della Consolazione e estão uns 200 metros fora da Praça..." Paulo Cândido
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Frio na barriga. Alguém me explica esse jornalismo porque, juro, tá fácil não.
*
O anúncio em latim, a moça da Grobonus disse que eles não traduzem porque é muito solene. Eles não traduzem porque não arrumaram quem pudesse traduzir. Tou inteiradíssima dos bastidores.
*
Lá vem ele.
* NA CNN está melhor, que americano não entende nada de catolicismo, então eles estão explicando tudinho maravilhados e falando bobagem o tempo todo também. Mandaram até aquele repórter fantástico que cobre todas as guerras in loco, o Anderson. Ele está lá, "embedded" no meio da Praça narrando como as pessoas estão emocionadas e como, desta vez, sem um papa morto, não há a tristeza e a melancolia que ele viu em outros anúncios de papa (outros, outro - acho que ele não tem idade para ter sido repórter na eleição do JP II, a missão). Paulo Cândido
*
Papa argentino. Fuén.
*
Oia, tem casamento gay na Argentina. Tá?
*
Mas quem guenta os porteños agora, cês me digam. O tios do conclave não pensam em nós.
*
Daqui a pouco o Papa vem na sacada cantar de Le Pera y Battistella...
*
Deusô livre de jogar quebrante, mas é velhinho, né, essa Papa. Eles não queriam um garotão sarado e de barriga de tanquinho? Esse fio tem 76. E tá com aquela cara que eu fico quando aceito fazer 4 livros num mês: puta roubada que eu me meti.
*
Oia, vai rezar por prima Ynonne. Samba na cara. Tá certo. Oia, 'que Nossa Senhora o receba'. Tá desejando o mal pra prima Yvonne. Eu senti isso.
*
Isso, a moça da Grobonus tá traduzindo o Pai Nosso e a Ave Maria. Eu mereço.
*
Faltou freira nessa cobertura, qualé? Tinham que ter pego meia dúzia de madres e botar as fias pra falar, viu, Grobonus. Né só a igreja que precis vir presse século horroroso. Vcs também.
*
Tudo bem, papa Francisquinho começou obrigando todo mundo a rezar por ele, hahahaha. Oia, mandão.
*
Francisquinho mandou todo mundo pra casa fazer janta. Tá certo ele.
Há algo que impeça um sultão de brincar de pirata de vez em quando, para quebrar aquela monotonia de banquetes todo dia e uma moça nova do harém toda noite? Ou um pirata de, em um golpe de sorte e coragem, tornar-se sultão, talvez mesmo casando com a filha do sultão? Perchance to dream, perchance to dream... Paulo Cândido
_ Fal, aqui é o Marcão.
_ Marcão...
_ Marcão. Do ITA. Amigo do Alê.
_ Oi Marcão! Tudo bem?
_ Tudo. Saudade.
_ Também.
_ Escuta, eu tava lendo seu site.
_ Ah....
_ E olha, eu estava nessa festa. Fal, Alexandre não estava de pirata, estava de sultão. Por isso a calça de cetim.
_ Hã... pera.
_ Sério. Era de sultão. Daí a calça de cetim faz sentido.
_ Sultão usa calça de cetim, Marcão?
_ Ué, não usa?
_ Marcão, eu não sei.
_ Olha, eu lembro que ele entrou e eu disse pra Andréa "Olha lá, Alexandre tá vestido de sultão".
_ Marcão, tem certeza? Sultão usa tapa-olho?
_ Ele estava de tapa-olho?
_ Você não lembra que ele pediu o tapa olho emprestado pro Fabiano?
_ É?
_ É.
_ Ih, Fal. Então eu não sei. Acho que sultão não usa tapa-olho. Quer dizer, pode ter havido algum sultão com problemas e...
_ Marcão?
_ Eu.
_ Fala das crianças.
"Tenho cá pra mim que se engana quem pensa que o amor é feito de semelhanças. Tendo a achar que ele é feito de encontros, esbarrões, vislumbres. E daquela linha tênue entre desejar o outro em nós, pra nós e reconhecer o outro em si mesmo. O amor, penso eu, é feito do reconhecimento da diferença." Luciana
_ Pelo amor de Deus, o que é isso?
_ Isso o quê?
_ Isso que você está vestindo.
_ Camisa, calça.
_ Fabia, essa calça é de cetim?
_ Azul marinho.
_ DE ONDE VEIO ISSO?
_ Duma fantasia de pirata do Ale, duma festa de Ralouim de 2003.
_ ...
_ Vai, mã. Fala.
_ Por partes. Você está usando isso porque....
_ Não tenho mais nenhuma nenhuma nenhuma peça de roupa limpa. Nada. Tem quatro sacos de 100 litros no meu quarto, todos com roupa pra lavar. Limpo, só tenho roupa muito boa de sair ou casaco.
_ E você não lava roupa porque...
_ Porque eu tou 17 horas por dia no computador há três semanas.
_ Eu sei, filha. Tem razão. Posso ajudar com a roupa?
_ Não, eu vou começar a lavar amanhã cedo.
_ Tá.
_ ...
_ ...
_ Que mais, mã. Fala.
_ Vamos discutir porque você guarda a fantasia de pirata de dez anos atrás do Alexandre?
_ Não.
_ Certo. Quer me explicar que espécie de pirata usa calças de cetim?
_ Mã, era o Alexandre. Você sabe como ele era.
_ Eu sei. Eu sei. Vou fritar ovo, quer?
_ Qué.
Ela volta da cozinha.
_ E você?
_ E eu o quê?
_ O Alexandre usou essa fantasia estilizada, que Deus me perdoe, de pirata. E você?
_ Nada.
_ Nada?
_ Eu não uso fantasia, você sabe.
_ Sei. A não ser uma com dez anos de idade, que não era sua, num sábado à noite, depois de trabalhar quase 24 horas seguidas, para comer ovo frito com a sua mãe.
_ Isso.
Foram todos lindos, mas esse foi especial, porque tudo o que ela me diz é especial. Editei e limei o começo, porque tá cheio de elogios. E não limei por modéstia, que não somos disso, mas por total falta de merecimento.
O velho e bom Shakespeare, ele sim por modéstia, dizia 'embora não tenha eu cá de astronomia'. Aqui, digo 'embora não tenha eu cá de poesia'. Não entendendo de poesia e eu deveria. Não entendo dos poetas, seus macetes, sua absurda capacidade de levar a emoção através da concisão (F., a prolixa _ parece nome de livro pornô-soft de banca). Com poesia não consigo racionalizar e racionalizar é viver, eu ontem considerei com você, como diz a canção. Mais ou menos.
Poetas e poesias, gosto de alguns, porque sim.
E ultimamente tenho lido muito a Plath. Mas muito mesmo. Ultimamente, minto. Desde que amigo (quer dizer, continuo amiga dele, mas ele não é mais meu amigo) mandou recorte de jornal contando do suicídio do filho dela, Nicholas Hughes, em 2009. O suicídio do filho de uma mãe suicida capturou minha atenção por um mundo de motivos que definitivamente não vêm ao caso.
Mas o fato que nestes últimos anos tenho lido mais poesia do que jamais li na vida. E comecei este ciclo com Plath e sua história, e me mantenho nele intercalando Plath a qualquer outro poeta. E a Verô, também por um mundo de motivos, sempre fareja o que preciso ler.
Foi uma semana esquisita, Verô. Foi um aniversário pequeno e solitário (vai Fal, manda seu mimimi cheio de babaquice e bossa, não tem ninguém cansado disso). Dias depois dei uma aula, mas não a aula que eu deveria dar, seguida duma porrada enorme. E eu te pergunto, de onde supostos amigos, supostamente próximos e supostamente supostos, tiram que tudo bem se eles nos derem um direto no queixo? Só sei que o restaurante até girou. E tudo que eu tinha que ter respondido pra moça tão bem intencionada só me ocorreu 4 ou 5 dias depois. Claro.
Catalogo gestos de carinho como quem coleciona chapéus. O seu tem uma caixa de veludo azul marinho dó dele, com um laço verde-água na tampa.
Meu amor,
(...)
Eu amo tanto você que dói. Como deve ser todo amor, acredito eu. Rezo e peço que a vida ainda lhe sorria. Através dos filmes de Antônio, pelo sotaque do Brannagh, nos acordes da Barbra (amo a Barbra, desculpe-me). Quero que o abraço mais terno alcance o seu sempre que você precisar. Desejo que suas lágrimas caiam, mas que sejam intercaladas com algumas risadas. e que essas não sejam de nervoso. Peço que de alguma forma a vida lhe recompense. e que se ela não der conta disso, rezo para que o amor que eu e tantos outros sentimos por você seja minimamente o suficiente.
Amo você. Sempre. Mesmo quando eu ainda não sabia que amava.
Acho que você pode gostar desse poema da Plath. Porque ele me lembra de quando eu te vi, andando de casacão marrão com Baco ali no corredor da Roque Petroni. Eu estava no ônibus indo trabalhar, ainda estava bem escuro.
Soliloquy Of The Solipsist
I?
I walk alone;
The midnight street
Spins itself from under my feet;
When my eyes shut
These dreaming houses all snuff out;
Through a whim of mine
Over gables the moon's celestial onion
Hangs high.
I
Make houses shrink
And trees diminish
By going far; my look's leash
Dangles the puppet-people
Who, unaware how they dwindle,
Laugh, kiss, get drunk,
Nor guess that if I choose to blink
They die.
I
When in good humor,
Give grass its green
Blazon sky blue, and endow the sun
With gold;
Yet, in my wintriest moods, I hold
Absolute power
To boycott any color and forbid any flower
To be.
I
Know you appear
Vivid at my side,
Denying you sprang out of my head,
Claiming you feel
Love fiery enough to prove flesh real,
Though it's quite clear
All you beauty, all your wit, is a gift, my dear,
From me.
P.S.: Querida Verô, tamo junta. Não tem drag queen neste mundo que ame a Barbra mais do que eu. Não tem.